terça-feira, 15 de novembro de 2016

Departamento passa a utilizar nomenclatura "IST" no lugar de "DST"


O Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais passa a usar a nomenclatura “IST” (infecções sexualmente transmissíveis) no lugar de “DST” (doenças sexualmente transmissíveis). A nova denominação é uma das atualizações da estrutura regimental do Ministério da Saúde por meio do pelo Decreto 8.901/2016 publicada no “Diário Oficial da União" dia 11, Seção I, páginas 3 a 17.
 “A denominação ‘D’, de ‘DST’, vem de doença, que implica em sintomas e sinais visíveis no organismo do indivíduo. Já ‘Infecções’ podem ter períodos assintomáticas (sífilis, herpes genital, condiloma acuminado, por exemplo) ou se mantêm assintomáticas durante toda a vida do indivíduo (casos da infecção pelo HPV e vírus do herpes) e são somente detectadas por meio de exames laboratoriais”, explicou a diretora do Departamento, Adele Benzaken. “O termo IST é mais adequado e já é utilizado pela OMS [Organização Mundial de Saúde] e pelos principais organismos que lidam com a temática das infecções sexualmente transmissíveis ao redor do mundo”, completou.
 Adele Benzaken já solicitou aos funcionários do Departamento que passem a utilizar o termo IST na elaboração de documentos técnicos e na assinatura de mensagens eletrônicas.

Folha de S. Paulo: Disputas de médicos com biomédicos e farmacêuticos vão para a Justiça


Uma sequência de recentes decisões judiciais voltou a acirrar o debate sobre quais são as atribuições exclusivas dos médicos e quais podem ser exercidas por outras categorias profissionais, como farmacêuticos e biomédicos.
Essas ações, alvo de nova polêmica no setor, questionam normas elaboradas pelos conselhos de cada categoria que permitem ou dão regras para atividades como consultas e avaliação de pacientes, oferta de procedimentos estéticos e realização de laudos de exames citopatológicos (como o papanicolau).
Em um dos embates, médicos obtiveram em setembro uma liminar que revoga trechos de resolução do Conselho Federal de Farmácia que regulamenta ações como o atendimento em consultórios farmacêuticos, a prescrição de alguns medicamentos e a verificação de sintomas.
Após recurso, a liminar foi anulada, mas a resolução ainda é contestada por médicos.
Já em outubro, uma ação do CFM (Conselho Federal de Medicina) cancelou temporariamente resolução do Conselho de Biomedicina que previa a atuação desses profissionais em procedimentos estéticos como aplicação de botox e em peelings.
Embora a decisão tenha sido revista, a avaliação é que o impasse continua. "Estamos trabalhando com a liminar em mãos e vamos lutar até o fim", diz Frank Castro, da autarquia federal que representa os biomédicos.
Nas últimas semanas, ele e outros colegas se reuniram para tentar rever outra sentença que possibilitou aos médicos se recusarem a aceitar laudos de exames de citopatologia assinados por biomédicos.
Os casos são o novo capítulo de uma disputa que, após a aprovação em 2013 da chamada "lei do ato médico", tem ganhado espaço na Justiça.
Balanço do CFM aponta ao menos 20 ações, de autoria própria ou de outros grupos de profissionais, que questionam se determinadas atribuições são restritas ou não aos médicos. Não há informações sobre as datas dos processos.
O número, no entanto, pode ser maior, já que o levantamento não inclui ações de outras entidades. Só o conselho de farmácia, por exemplo, diz responder a pelo menos 33 ações em diferentes Estados sobre atendimento clínico por farmacêuticos, a maioria impetradas desde agosto.
Defesas
Para os médicos, o exercício de atividades médicas por outras categorias traz riscos à saúde do paciente. "Estamos preocupados com a quantidade de complicações em procedimentos estéticos invasivos feitos por não médicos", diz Gabriel Gontijo, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que entrou com ação em conjunto com o CFM.
Já biomédicos e farmacêuticos negam interferência na área médica e alegam que as decisões recentes colocam em risco classes profissionais consolidadas e até mesmo o atendimento aos pacientes.
"Não queremos exercer outra profissão. Só queremos o direito de cuidar da saúde das pessoas", afirma o presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter Silva João.
Segundo ele, a resolução que define o atendimento clínico pelos farmacêuticos, alvo de contestações pelos médicos, visa apenas o cuidado do paciente nos casos de "transtornos menores". "Não queremos cuidar da doença, mas só de sinais e sintomas. A farmácia não deixa de prestar serviços ao SUS."
Já o presidente do CFM, Carlos Vital, diz que, na maioria das vezes, não é recomendável tratar só sinais e sintomas. "Isso retarda a procura do médico e tira a condição de melhor diagnóstico."
Impactos
Para Frank Castro, do Conselho Federal de Biomedicina, as decisões também podem afetar o atendimento a pacientes –caso de exames citopatológicos que podem alertar sobre suspeita de câncer, por exemplo.
Isso ocorreria porque, em ação recente, médicos ganham autorização para contestar laudos de exames com resultados positivos assinados por "não médicos". Neste caso, o paciente terá que solicitar novo laudo ou procurar por novo exame.
"Se não fizermos mais exames preventivos, vai ser o caos", diz ele, para quem não há médicos suficientes para a área. Questionado, Vital diz que a medida não visa impedir a atuação de outros profissionais, mas garantir um diagnóstico correto.
"Citopatologia pode ser feita por outros profissionais especificados, como o biomédico, desde que os diagnósticos sejam feitos por médicos", afirma o presidente do CFM. 

Fonte : Folha de S. Paulo

Brasil vive epidemia de sífilis: falta de uso da camisinha é a principal causa, destaca Agência Brasil


Dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde revelam que os casos de sífilis adquirida (em adultos) aumentaram 32,7% no Brasil no período de 2014 a 2015. Entre gestantes, o crescimento foi de 20,9%, enquanto as infecções por sífilis congênita (transmitida pela mãe ao bebê) subiram 19% no mesmo período.
“O que caracteriza uma epidemia é quando se tem um aumento no número de casos num determinado período de tempo. A sífilis não vinha num patamar de eliminação, mas seguia estável e, de repente, surgiu um maior número de casos”, disse a diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das DST, Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken.
Ela lembrou que a sífilis é uma doença de notificação compulsória – qualquer caso deve ser obrigatoriamente notificado. O que tem se observado nos últimos cinco anos, segundo Adele, é um crescimento do número de casos dessas três notificações, inclusive da congênita.
Sintomas
De acordo com a especialista, a sífilis no adulto tem sinais específicos, mas também há um período de latência considerável. O quadro sintomático inicia com uma ferida que, nos homens, é bem aparente, não dói e pode desaparecer num período de sete a dez dias. Nas mulheres, a ferida pode surgir na genitália interna e passar desapercebida.
“A manifestação, nesses casos, fica em latência e o quadro se torna de sífilis terciária. Quando há evolução de mais de dez anos, a doença destrói tecidos como coração, cérebro e ossos”, explicou em entrevista à Agência Brasil.
Já na sífilis congênita, o período de evolução é bem mais curto. Durante a gestação, a doença pode causar aborto, malformações ósseas e manifestações na pele, além da morte do recém-nascido.
“Se a gestante é tratada adequadamente no primeiro e até no segundo trimestre, o bebê também é tratado, mesmo intra útero. É uma doença bacteriana que tem cura. A grande questão é a busca do diagnóstico e do tratamento”, destacou Adele.
Epidemia de múltiplas causas
Para a diretora, a epidemia de sífilis no Brasil é decorrente de “múltiplas causas”, como a queda no uso do preservativo – sobretudo entre pessoas de 20 a 24 anos, faixa etária onde comumente se registra maior atividade sexual e sem parceria fixa.
“Estamos recomendando o uso do preservativo masculino e feminino, em alguns estados, durante a gestação, não apenas por conta de infecções sexualmente transmissíveis, mas também para evitar o vírus Zika. Recomendamos o uso não só para gestantes como para toda a população adulta.”
Outra questão envolve o acesso à penicilina, principal medicamento utilizado no tratamento da sífilis. Os problemas, no Brasil, começaram no ano passado, com o desabastecimento de matéria-prima, mas o ministério garante que o estoque foi reposto por meio da importação da droga.
“Esta semana, fizemos um novo levantamento e todos os estados estão abastecidos até abril do ano que vem, com reserva”, disse Adele.
A resistência de profissionais da enfermagem em aplicar a penicilina na atenção básica também pesa nos números da epidemia de sífilis no país – principalmente nos casos de sífilis em gestantes e, consequentemente, de sífilis congênita. Isso porque há um risco, ainda que pequeno, de choque anafilático no paciente.
“É preciso que todos se engajem no sentido de detectar um caso, principalmente na gravidez, e iniciar imediatamente o tratamento. Com uma única dose, conseguimos reduzir a taxa de transmissibilidade da mãe para o bebê em quase 90%”, disse. “Não há porque temer aplicar a penicilina na gravidez. A alergia à penicilina é um episódio raro”.

Fonte : Agência Brasil

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Jovens do Amapá são treinados para realização de testes rápidos do HIV


Cerca de 30 jovens do Amapá estão sendo capacitados para atuarem em uma ação de prevenção do HI/aids. "Viva Melhor Sabendo" é voltado para o público de 15 a 24 anos, e tem a finalidade de combater a proliferação do vírus HIV entre pessoas nessa faixa etária. No estado, a campanha acontece pela primeira vez.
As atividades de capacitação iniciaram na quarta-feira (9) e seguem até o mês de dezembro, com preparação de lideranças jovens para discutirem com a comunidade assuntos como prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, abuso de drogas, cultura de paz e acesso a testes rápidos.
“Os jovens que passarem pelas oficinas estarão realizando aquilo que chamamos de educação entre pares, levando às pessoas de seu convívio, sobretudo, aos jovens como eles, as informações importantes em qualquer estratégia de prevenção em saúde. Estes jovens líderes passam a funcionar como um elo entre a comunidade e os serviços de saúde que atuam no combate à aids", disse a coordenadora do projeto, Taissa Cherne.
O "Viva Melhor Sabendo" é uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), e existe desde 2015 atuando em várias cidades brasileiras, como Belém, Porto Alegre, São Paulo, Manaus e Recife.
A capacitação abrange confecção de materiais educativos e abordagem pessoal e de pares, explicou a coordenadora, ressaltando que a proposta é facilitar o acesso dos jovens tanto ao diagnóstico das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) - principalmente o HIV, sífilis e hepatites virais -, quanto a informação qualificada sobre as medidas de prevenção dessas doenças, num modelo de abordagem que prevê o diálogo entre pessoas na mesma faixa etária.
"A iniciativa visa combater a proliferação do HIV entre o público jovem e uma grande estratégia é utilizar outros jovens que possam falar na mesma linguagem sobre a importância da prevenção e tratamento", destacou.
O universitário Fabrício Pacheco, de 21 anos, é um dos jovens que participa da ação. Ele diz que, além de ajudar a outros jovens na prevenção, buscará aprimorar seus conhecimentos em relação a Aids e doenças sexualmente transmissíveis.
"O programa é uma atuação muito boa para os jovens do Amapá, pois com outros jovens capacitados para falar melhor de prevenção, a estratégia de incentivá-los a se prevenir será mais eficiente. Além de ajudar, também vou poder aprender mais sobre o assunto", disse.
A coordenação do projeto informou que as atividades incluem também palestras em escolas, ações de orientação em eventos com grande concentração de público jovem e a formação permanente de novas lideranças que possam atuar tanto nas ações do Viver Melhor Sabendo quanto como multiplicadores das informações.
Segundo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (CVS), em 2015, a maior concentração de infecção do HIV foi registrada entre pessoas de 15 a 29 anos. Macapá é o município que concentra a maior incidência de infecção, apontam dados.

Fonte : G1

Teste de HIV em pen drive é desenvolvido por cientistas do Reino Unido, destaca G1


Cientistas do Reino Unido desenvolveram um tipo de teste de HIV usando um pen drive que pode fazer uma leitura rápida e altamente precisa de quanto vírus se encontra no sangue do paciente. O dispositivo, criado por cientistas do Imperial College de Londres e pela empresa privada norte-americana DNA Electronics, usa uma gota de sangue para detectar o HIV, e depois cria um sinal elétrico que pode ser lido por computadores, laptops e aparelhos portáteis.
Os pesquisadores dizem que a tecnologia, embora ainda em seu estágio inicial, poderia permitir que os pacientes monitorem regularmente seus níveis de vírus, mais ou menos como os portadores de diabete verificam os níveis de açúcar no sangue.       
A tecnologia poderia ser particularmente útil para ajudar pacientes com HIV que vivem em locais remotos a administrar seu tratamento de maneira mais eficaz, já que os testes atuais de detecção dos níveis de vírus demoram ao menos três dias e exigem o envio de uma amostra de sangue a um laboratório.
"Monitorar a carga viral é crucial para o sucesso do tratamento de HIV. No momento, os exames muitas vezes exigem um equipamento caro e complexo que pode demorar alguns dias para produzir um resultado", disse Graham Cooke, que co-liderou a pesquisa do departamento de medicina do Imperial College.
"Pegamos o trabalho que é feito neste equipamento, que tem o tamanho de uma fotocopiadora grande, e o encolhemos até caber em um pen drive."
O exame, que usa um chip de celular, analisa uma gota de sangue colocada em um local do pendrive. Qualquer HIV presente na amostra desencadeia uma mudança de acidez, que o chip transforma em um sinal elétrico. Este é enviado ao pen drive, que mostra o resultado em um computador ou aparelho portátil.
Publicados no periódico científico "Scientific Reports", os resultados revelaram que o teste com o pendrive teve 95% de eficiência com mais de 991 amostras de sangue e o tem

Fonte : G1

Vacina terapêutica para HIV reduz níveis do vírus em animais, anuncia portal Terra


Uma nova vacina terapêutica em combinação com um estimulante do sistema imunológico consegue reduzir os níveis do vírus HIV em animais infectados, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira pela revista "Nature".
Um grupo liderado por cientistas do Beth Israel Deaconess Medical Center, nos Estados Unidos, utilizou esse tratamento combinado para diminuir a carga de DNA viral no sangue periférico e os nódulos linfáticos de macacos Rhesus.
"O objetivo de nosso estudo era identificar uma cura funcional para o HIV. Não tentamos erradicar o vírus, mas controlá-lo sem necessidade de tratamento antirretroviral", afirmou Dan Barouch, autor principal do estudo, em comunicado do centro médico.
O método terapêutico testado promete melhorar a "alta retardada" do vírus quando um paciente deixa de receber antirretrovirais.
"Os remédios atuais, apesar de salvarem vidas, não curam o HIV. Nós estamos tentando desenvolver estratégias para conseguir uma supressão do vírus a longo prazo, sem antirretrovirais", detalhou Barouch.
As vacinas tradicionais induzem o organismo a se desfazer por conta própria dos vírus a partir de uma resposta imune. O HIV, no entanto, ataca as células do sistema imunológico e mata a maioria delas, o que dificulta uma aproximação tradicional para seu tratamento.
Os cientistas apontaram agora para poucas células que permanecem em estado "dormente" e permitem que o vírus "se oculte" nelas, de modo que não seja afetado pelos antirretrovirais.
"Pensamos que se podíamos ativar as células que podem dar cobertura ao vírus, a resposta imunológica induzida pela vacina poderia ser mais eficiente ao detectá-las e destruí-las", afirmou Barouch, professor na Escola de Medicina de Harvard.


Fonte : Terra

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Tabu na URSS, HIV persiste como questão de saúde pública, destaca “Gazeta Russa”


Ocidente e, por um tempo, era ingenuamente considerado uma infeção “ocidental”. Entenda como vírus ultrapassou Cortina de Ferro e por que hoje só cresce em incidência
Atualmente, um a cada 50 moradores de Iekaterinburgo, uma das maiores cidades da Rússia, está infectado com o vírus HIV, segundo anunciou a primeira vice-diretora da secretaria local de saúde, Tatiana Savinova, no último dia 1º de novembro.
A situação, porém, não é muito melhor em muitas outras partes do país.
Segundo o Centro Científico-metodológico para Profilaxia e Luta contra Aids, das mais de 900 mil pessoas com HIV em 2014 no país, 60% eram do sexo masculino.
O fator de risco predominante é o uso de drogas com instrumentos não esterilizados, seguido por relações sexuais entre heterossexuais. Menos de 2% das infecções por HIV no país estão relacionadas com relações sexuais entre homossexuais – indicador este que caiu drasticamente, de 55% para 7%, no período de 1995 e 1996.
A maioria dos soropositivos russos vive na região de Irkutsk, onde a incidência é de quase 1.500 para cada 100 mil pessoas; os números mais baixos – apenas um caso a cada 500 – são registrados em Sevastopol e na região metropolitana de Moscou.
Paciente número um
Até meados da década de 1980, para as pessoas que viviam na URSS, o HIV era uma doença que se espalhava no Ocidente entre prostitutas, sem-teto e homossexuais.
Em 1986, o ministro da Saúde da República Russa disse, em um programa de TV, que “nos EUA, a aids existe desde 1981, é uma doença ocidental. Não temos base para que esta infecção se espalhe, uma vez que na Rússia não há drogados e prostituição”. Dois anos depois, o professor Andrêi Kozlov registrou a primeira morte por aids na URSS. Teria sido impossível, porém, fazer o diagnóstico mais cedo – a primeira triagem de soropositivos no regime soviético foi conduzida no verão de 1987.
O primeiro cidadão da URSS a contrair HIV era um jovem que havia trabalhado como tradutor de inglês em uma embaixada russa na África. Até o final daquele ano, entre as pessoas com quem tinha tido contato, 25 também portavam o vírus.
O blogueiro Anton Nôssik tem sua própria teoria sobre os acontecimentos. Ele afirma ter conhecido pessoalmente o primeiro portador soviético de HIV – um engenheiro homossexual com sobrenome Krassitchkov.
O governo soviético o enviara para a Tanzânia como parte de um projeto de construção industrial, e lá adquiriu o HIV por meio de relações sexuais. Em 1984 voltou a Moscou, mas só veio a sentir sintomas da infecção em 1985. Passou os anos seguintes no único hospital estatal especializado em Moscou e acabou morrendo.
Outro caso de infecção por HIV ocorreu em Odessa, no território da atual Ucrânia. Em 1988, um bebê foi diagnosticado postumamente com aids, e descobriu-se que a mãe havia contraído a doença por meio de relações sexuais. Essa morte levou os médicos a examinar mais crianças pequenas para descartar a presença de HIV.
Surto em Kalmíkia
O episódio de Odessa foi seguido por um surto em Elista (a 1.100 km a sudeste de Moscou), capital da República Socialista Soviética Autônoma da Kalmíkia. Os primeiros portadores identificados na cidade foram uma doadora de sangue e seu filho pequeno, e a investigação provou que a criança fora infectada no hospital.
Após investigar o hospital infantil na república onde a criança morreu, verificou-se que, por negligência da equipe médica, que usava instrumentos não esterilizados, incluindo seringas e cateteres, 75 crianças e 4 mulheres haviam sido infectadas.
Uma criança nasceu de uma mãe soropositiva, cujo marido tinha aids. Ele tinha contraído o vírus quando trabalhou no Congo e matinha relações com mulheres locais.
O serviço de combate a epidemia de Kalmíkia realizou uma nova inspeção. Segundo testemunhas, os funcionários do hospital usavam seringas sem esterilizá-las, apenas trocando as agulhas. Seringas descartáveis não eram usadas em larga escala na época.
Algumas crianças foram levadas para Volgogrado, Stavropol e Rostov no Don, o que resultou em uma nova onda de infecções.
O ministro da Saúde soviético, Evguêni Tchazov, repreendeu os responsáveis pelas infecções, mas nenhum dos médicos foi seriamente punido. Mesmo assim, as vítimas não desistiram. Em 2011, enfim, conseguiram reabrir o caso, porém, mais de metade das crianças infectadas em Elista já havia morrido.
O então ministro da Saúde e do Desenvolvimento Social russo, Vladímir Chovunov, que tinha sido ministro na Kalmíkia durante o surto, declarou que “44 pessoas das infectadas em 1988 recebem 22.844 rublos de assistência financeira, indexada anualmente conforme a inflação. Outras 16 recebem 600 rublos do governo da república para cuidar de seus filhos doentes. No ano passado o governo pagou 42 mil rublos para doze famílias que entraram crianças infectadas pelo HIV. Mas é preciso entender que o Ministério da Saúde e do Desenvolvimento Social só pode prestar assistência a crianças até 18 anos de idade, e não a seus pais”.




Fonte : "Gazeta Russa"

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