terça-feira, 7 de março de 2017

Folha de Pernambuco: Soropositivos recebem medicação vencida no estado



Pacientes com HIV/aids em Pernambuco estão convivendo com a falta de várias das drogas de combate ao vírus desde o fim do ano passado. A situação está tão crítica que alguns soropositivos, dos 13,5 mil que fazem tratamento com antirretrovirais, quando não se deparam sem a medicação, as recebem muito próxima do prazo de validade ou já vencidas. Na lista vermelha de remédios estão o tenofovi?, lamivudina, ritonavir, raltegravir, zidovudina? e efavirenz, segundo levantamento da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids (RNP+) em Pernambuco. 
O drama expõe esses pacientes à interrupção da terapia e à falta de confiabilidade sobre o controle da doença. Os afetados se veem sem uma resposta sobre o real motivo do desabastecimento e sobre quando o problema será sanado. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) já solicitou ao Estado um levantamento sobre a situação.
“Do Ministério da Saúde (MS) tive informação de que as medicações foram enviadas. Mas quando conversei com a superintendência da assistência farmacêutica do Estado a informação é de que o MS esta fracionando os pedidos. Fica esse jogo de empurra e ninguém sabe quem está falando a verdade. O importante para gente é que o remédio esteja lá para tomar”, reclamou o coordenador da RNP+, José Cândido Silva.
Nesse cenário de incerteza, os pacientes começam a se desesperar. “Hoje acordei muito mal. Não sei se pela doença mesmo ou se é meu psicológico. Desde janeiro venho recebendo medicação fora da validade. Tomo porque o médico disse que não tem problema. Mas fica a dúvida”, contou a dona de casa Consuelo Guedes, 49 anos, que pega a droga no Imip.
Situação semelhante é vivida pelo ativista político Jeronimo Duarte, 50 anos, que pega o remédio no Hospital Correia Picanço. “Estamos naquela: ou toma vencido ou não toma. A gente não sabe o que é pior”, disse.
Ação
Para o infectologista Filipe Proha­ska, a situação é difícil. Ele explicou que o sucesso do tratamento do HIV é baseado na adesão ininterrupta e irrestrita a medicações. E que o fato apenas de não tomar a medicação no horário devido já é o suficiente para o vírus adquirir resistência.
“Além de não dispormos de tantas medicações, ficamos em situações comprometedoras quando elas faltam, não sabendo se é mais nocivo deixar de tomar e correr o risco de resistência ao tratamento ou utilizar mesmo medicações vencidas com todo o risco envolvido colocando os médicos e os pacientes entre a cruz e a espada”, disse.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que não autoriza ou recomenda aos serviços farmacêuticos a dispensação de medicamentos vencidos. As unidades que fazem a distribuição direta aos pacientes devem monitorar seus estoques a fim de garantir a continuidade dos tratamentos, assim como atualizar o sistema de gerenciamento dos insumos.
A SES informou, ainda, que os antirretrovirais são de responsabilidade do Ministério da Saúde e que, nesse sentido, vem dialogando com o órgão para regularizar a situação. Uma remessa de tenofovir já chegou ao Estado e começará a ser distribuída aos serviços nesta semana.
A pasta negou que houvesse qualquer dispensação do medicamento no Hospital Correia Picanço fora do período de validade. O Imip destacou que a decisão de liberação da medicação com apenas um dia de vencida decorreu de uma excepcional deliberação da chefia do setor ante a falta do medicamento o que ocasionaria a interrupção do tratamento dos pacientes.
O Ministério da Saúde afirmou que vai se posicionar sobre o desabastecimento nesta terça-feira (7), após analise das remessas de todas as drogas para HIV feitas pa­ra Pernambuco nos últimos meses.

Fonte : Folha de Pernambuco

Bisavô de 95 anos se assume gay para a família: “Quero que o mundo saiba”



Roman Blank foi casado por mais de 60 anos, tem dois filhos, cinco netos e um bisneto. Sobrevivente do Holocausto, hoje com 95 anos de idade e vivendo nos Estados Unidos, ele decidiu que estava mais do que na hora de abrir o jogo sobre sua homossexualidade para a família toda.
“Há certas coisas que eu quero que o mundo saiba”, afirmou Blank ao youtuber Davey Wavey, do canal “wickydkewl”. Na entrevista, Blank diz que sabia que é gay desde os 5 anos e que está orgulhoso da sua decisão de "sair do armário".
A família recebeu bem a notícia. Um dos netos, Brando Gross, ficou orgulhoso de seu avô e, para registrar essa história, decidiu contá-la por meio de um documentário, intitulado “On My Way Out”, que significa algo como “A caminho de fora”. Na descrição do site do filme, Gross conta que sua avó, Ruth Blank, já sabia sobre a sexualidade do marido desde quando deu à luz pela segunda e última vez.
Ao ser perguntado sobre qual tipo de homem combinaria com ele, o bisavô disse ao youtuber que não se importa com aparências, mas, sim, com o coração. E, envergonhado diante da câmera, admitiu que gostaria de ter um companheiro.
“Gostaria de alguém com quem pudesse contar. Vou ser bastante honesto. Eu realmente não preciso de qualquer conexão física ou mental. Mas eu quero. Eu quero ir dormir e ter alguém ao meu lado, não por qualquer outra razão além da certeza de que alguém se importa”, afirmou.

Fonte : O Globo

4º Fórum Aids e o Brasil: Educação Sexual e Prevenção na Mídia é discutia no segundo bloco



“Da mesma maneira que os grandes jornais cometem erros, a internet pode desinformar muito com as fake news [notícias falsas]”, disse Diego Iraheta, editor-chefe do Huffpost Brasil, durante o segundo bloco do 4º Fórum Aids e o Brasil, que aconteceu na manhã desta terça-feira (7). O comentário surgiu, pois a Educação Sexual e a Prevenção na Mídia foi  o tema do debate.
Segundo o escritor e youtuber Rafael Bolacha existe uma grande diferença entre a pauta da grande mídia e das mídias alternativas. “Quando lancei meu livro, uma jornalista de um grande jornal, do Rio de Janeiro, me entrevistou. Ela falou comigo, tirou fotos e ainda me ligou. Quando a matéria foi publicada, o título era: ‘O dia em que minha vida acabou’. Eu liguei para ela explicando que não era isso. E ela insistiu que foi o que eu disse. Depois, o segundo título era ‘A dura vida com aids’. Isso é mentira. Eu nunca tive aids. Vivo com HIV. Disse a ela que aquilo estava acabando com o meu trabalho”, contou Bolacha.
Por outro lado, os participantes também falaram sobre o impacto social que boas matérias causam em larga escala. Para Diogo Iraheta, a mídia tem um papel importante na formação que muitos jovens não acessam em casa ou na escola: “Eu vejo a importância da mídia e dos youtubers. Estudei em colégio militar. O que eu sabia aprendi com a minha mãe e também porque eu acompanhava o ‘Erotica MTV’ [um programa de televisão exibido pela MTV Brasil, entre 1999 a 2001] apresentado pelo Jairo Bouer e Baby Xavier. Era muito útil pra mim”.  
Educação
Sandra Santos, da Fundação Poder Jovem, tem uma longa experiência com a juventude. Hoje, por meio da Fundação, desenvolve um trabalho que é realizado nas escolas. “A cultura da prevenção não é levada para as escolas”, disse Sandra. “Pais conservadores acreditam que a conversa sobre sexualidade vai incentivar os filhos a fazerem sexo. Quando, na verdade, falar mais amplia o debate e diminui a culpa”, refletiu Dayana Dias Carneiro, do Projeto Bem-me-quer.
O 4º Fórum Aids e o Brasil foi promovido pela Revista e Portal Imprensa, em parceria com o Ministério da Saúde e o UOL, e apoio do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids).


Daiane Bomfim (daiane@agenciaaids.com)

segunda-feira, 6 de março de 2017

Em dois meses, 5 mil meninos são vacinados contra HPV em Santa Catarina



Nos primeiros dois meses de 2017, mais de cinco mil meninos de 12 a 13 anos tomaram a vacina contra o HPV em Santa Catarina. Este é o primeiro ano que a imunização é oferecida para este grupo na rede pública - antes, era aplicada apenas a meninas de 9 a 13 anos.
Após a primeira dose, os garotos devem receber a segunda seis meses depois. Conforme a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive), 111 mil garotos devem ser imunizados no estado.
“Estamos muito satisfeitos com esse resultado nos primeiros meses de vacinação, considerando que era período de férias escolares”, afirma a gerente de imunização da Dive, Vanessa Vieira da Silva.
A Dive espera que a procura seja intensificada a partir de março, quando o Ministério da Saúde lançará uma campanha publicitária específica para estimular a vacinação do HPV em meninos e meninas. “Os municípios também podem buscar parcerias locais com as escolas, por exemplo, para a ampliação dessa cobertura vacinal”, diz Vanessa.
Benefícios
A vacina contra o HPV, que previne o câncer de colo do útero, faz parte do Programa Nacional de Imunizações desde 2014. Segundo o Ministério da Saúde, estudos feitos em outros países mostram que a inclusão dos meninos contribui para a diminuição do câncer de colo do útero e vulva das mulheres, já que isso possibilita a diminuição da circulação do vírus na população, o que beneficia o público feminino.
Além disso, os próprios meninos são beneficiados, pois a vacina protege contra câncer de pênis, garganta, ânus e verrugas genitais, problemas também relacionados ao vírus. A partir deste ano, meninas que chegaram aos 14 anos sem a vacina também podem se vacinar.
A imunização será estendida ainda aos homens que vivem com HIV entre 9 e 26 anos. Antes, só as mulheres com HIV desta faixa etária podiam se vacinar gratuitamente. No caso desse público, o esquema vacinal é de três doses.
Transmissão e consequências
O HPV é altamente contagioso e a transmissão acontece principalmente pelo contato sexual. A vacina distribuída no SUS é quadrivalente, protege contra quatro tipos de HPV: o 6, o 11, o 16 e o 18. Dois deles (o 6 e o 11), estão relacionados com o aparecimento de 90% das verrugas genitais. Os outros dois (o 16 e o 18) estão relacionados com 70% dos casos de câncer do colo do útero.
Além da vacina, a prevenção contra esse tipo de câncer continua envolvendo o exame Papanicolau, que identifica possíveis lesões precursoras do câncer que, tratadas precocemente, evitam o desenvolvimento da doença.
Faixa etária
"A definição da faixa-etária para a vacinação visa proteger as crianças antes do início da vida sexual e, portanto, antes do contato com o vírus", de acordo com a Secretaria de Saúde. A faixa etária será ampliada gradativamente até 2020, quando serão incluídos os meninos com 9 até 13 anos.

"Folha de S. Paulo": Brasil poderia tirar lições de outros sistemas de saúde, diz pesquisador



O Brasil deveria aprender com outros países como melhorar a qualidade, reduzir custos e trazer mais eficiência para o sistema de saúde. Por exemplo, inovar os cuidados na atenção primária para evitar hospitalizações, como ocorre em Israel, ou permitir consultas on-line, como acontece na Índia.
O conselho é de Mark Britnell, 51, autor de "In Seach of the Perfect Health System" (Buscando o sistema de saúde perfeito), que já trabalhou em 68 países e estudou a fundo os sistemas de 30 deles.
Um dos ex-diretores do sistema de saúde britânico (NHS) e atual líder global da prática de healthcare da consultoria KPMG, Britnell elogia o Programa de Saúde da Família brasileiro, diz que ele inspirou países da África e da Ásia e deve ser incentivado. A seguir, trechos da entrevista que deu à Folha.
Folha - Um sistema de saúde perfeito não existe. Mas se existisse, como seria?
Mark Britnell - Não há um sistema de saúde perfeito, mas cada país tem algo a ensinar e algo a aprender.
Com o Brasil não é diferente. Embora eu diga que nenhum país possa reivindicar ter o melhor sistema de saúde do mundo, há algumas facetas de sistemas de alto desempenho que todos os países poderiam aprender (veja infografia).
Quais os pontos fortes do Brasil e quais lições podemos aprender com esses países?
Eu acho que o Brasil tem alguns bons pontos fortes no SUS e no seu Programa Saúde da Família (PSF). A Rio Saúde também é um modelo que funciona bem. A empresa mistura administração pública e privada e aplica com sucesso conceitos bem conhecidos por outras indústrias e, agora, a da saúde para melhorar qualidade, reduzir custos e ganhar eficiência.
O Brasil pode aprender muito com Israel em cuidados primários. Combinam seguradora de saúde com prestador de serviços em saúde. A seguradora tem o incentivo para manter as pessoas bem e fora do hospital. Israel tem excelentes cuidados primários, com a maioria das suas instalações de diagnóstico na comunidade para que os pacientes não tenham que ir ao hospital.
Da mesma forma, o país faz muito melhor uso da tecnologia, com registros médicos eletrônicos e consultas telefônicas mais rápidas, mais acessíveis e mais baratas para os pacientes.
O Programa Saúde da Família (PSF) no Brasil está praticamente estagnado. É um erro?
O PSF é mencionado em meu livro como um dos 11 exemplos de melhores práticas no mundo. Cuidar pró-ativamente das famílias e das comunidades é bom para a promoção da saúde e para a prevenção de doenças. O
PSF tem inspirado países no mundo, especialmente na África e na Ásia. É uma falsa economia cortar programas de cuidados primários, porque a doença vai aparecer na sala de emergência. É pior para o doente e para o contribuinte.
Na sua opinião, qual é o principal desafio do SUS?
Qualquer sistema de saúde universal, como o SUS, precisa de uma economia forte e transparente para apoiá-lo. O congelamento federal do orçamento da saúde vai colocar uma enorme pressão sobre o SUS, mas isso não pode enfraquecer o sistema. Ele tem sido uma inspiração para muitos países.
O Brasil já gasta cerca de 10% de seu PIB na saúde, mas seu desempenho, qualidade e expectativa de vida podem ser melhorados. Os EUA gastam quase 18% do PIB em um sistema com cuidados de saúde universais limitados.
Boa saúde nacional, em última instância, leva a uma melhor riqueza nacional. A cada US$ 1 gasto em cuidados de saúde, US$ 4 são gerado na economia.
No Brasil, parcerias entre o público e o privado costumam inspirar desconfiança. O sr. argumenta que elas podem ser uma saída para o setor de saúde. Como avançar?
Os setores público e privado da saúde no Brasil parecem estar indo em direções diferentes e isso não é bom para o país, para a coesão social e para a eficiência. Em muitos países de renda média, há vários exemplos bem-sucedidos de parcerias público-privadas de longo prazo.
Esses relacionamentos poderiam resultar em escolas médicas conjuntas, novos centros de atendimento ambulatorial conjuntos, pacientes públicos sendo tratados em estabelecimentos particulares a preços determinados.
A corrupção tem prejudicado contratos nos setores público e privado e isso precisa ser passado a limpo para melhorar o valor do dinheiro, a confiança e o investimento de longo prazo.
Planos de saúde no Brasil têm discutido a transição de um modelo de pagamento por serviço. Como os outros países estão lidando com isso?
É correto afastar-se do modelo de pagamentos por serviços, pois eles são inflacionários. É o caso dos Estados Unidos, onde agora estão tentando mover-se para pagamentos por pacotes em até 80% dos procedimentos.
Na Europa, muitos países estão usando pagamentos agrupados ou baseados em valor para reduzir a inflação dos custos em saúde e melhorar a qualidade.
Consultas virtuais são proibidas pelo conselho médico brasileiro. Outros países têm feito mais progressos nesta área?
Eu realmente acho que o Brasil está perdendo uma oportunidade aqui, pois poderia ser um líder global em tecnologia de alto valor aplicada aos cuidados de saúde. Na Índia, smartphones são agora utilizados pelos pacientes para chamar remotamente um médico ou uma enfermeira num call center, que usam a melhor base de evidência clínica e algoritmos para fazer um diagnóstico por telefone. Em seguida, a receita é enviada eletronicamente para a farmácia mais próxima do paciente.
Diante dos desafios remotos e rurais no Brasil, acredito que isso pode funcionar aqui também. E nas áreas urbanas é especialmente popular entre os jovens que não querem perder tempo em fila para ver um médico.
O envelhecimento populacional é visto como um dos principais desafios para os sistemas de saúde. Como torná-lo mais sustentável?
Quase todos os países estão falando sobre o envelhecimento da população e alguns poucos-como Japão, Holanda e Cingapura-estão começando a tomar medidas. No Japão, há uma das melhores práticas que eu vi. Trata-se de um sistema integrado de cuidados baseados na comunidade que presta serviços como bem-estar, cuidados de saúde, cuidados de longa duração e medidas preventivas. Esse tipo de abordagem evita os riscos de se criar "guetos de idosos".
A tecnologia também tem papel importante no gerenciamento do paciente idoso. Os sistemas remotos de monitoramento ajudam o pessoal clínico a intervir apenas quando necessário, permitindo-lhes responder a um problema antes de se tornar uma emergência hospitalar.
Reconhece-se cada vez mais o valor dos programas de prevenção dirigidos aos idosos, como o aumento da atividade física, o uso eficaz dos medicamentos e a redução do risco de quedas. 

Fonte : Folha de S. Paulo

Programa “Encontro com Fátima Bernardes” discute a discriminação das pessoas vivendo com HIV



Nesta segunda-feira (6), o programa “Encontro com Fátima Bernardes”, da TV Globo, lançou a nova campanha publicitária do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) a favor do respeito e pelo fim da discriminação. Intitulada #EseFosseComVocê, no vídeo frequentadores de um cinema são colocados diante de atitudes preconceituosas de um vendedor contra pessoas vivendo com HIV, pessoas com deficiência, negros e nordestinos.  
Segundo publicado no site do Unaids Brasil, a iniciativa tem quatro filmes que são apoiados pela Globo. Eles serão exibidos nos intervalos da programação da emissora a partir desta terça-feira (7). O trabalho conta com a participação dos embaixadores de Boa Vontade da agência da ONU (Organização das Nações Unidas) — o ator Mateus Solano e a cantora Wanessa Camargo.
Além do lançamento da campanha, comandado por Fátima Bernardes, o programa matinal teve como tema a discriminação das pessoas vivendo com HIV. Contou ainda com a presença do jovem Giovanni Henrique, goiano que publicou um desabafo nas redes sociais sobre o viver com HIV; da ativista Silvia Almeida, consultora de prevenção à aids; e do psiquiatra Jairo Bouer.  O ator Lucio Mauro Filho, a atriz Maria Ribeiro e a dupla Anavitória também participaram da conversa que durou 35 minutos.
Geovanni contou que é portador do vírus HIV e ao revelar sua sorologia ao namorado o relacionamento acabou: “Ele foi a pessoa que diretamente me deixou para trás. Ele me mandou uma mensagem e disse que era pra apagar as nossas fotos, acabar a amizade e deixar de seguir nas redes sociais. Ele estava com medo da história chegar no trabalho e isso afetá-lo”.
“As pessoas se afastam…”, lamentou o rapaz. “Te achei bem gato. Depois vou te dar meu telefone. Se você quiser me conhecer melhor”, disse imediatamente Maria Ribeiro, arrancando risos de Giovanni e dos demais convidados.
Clique aqui e assista o programa na integra.

Daiane Bomfim (daiane@agenciaaids.com.br)

sábado, 4 de março de 2017

PNUD pede fim do estigma contra pessoas vivendo com HIV



Em 2017, a ONU celebrou o Dia Mundial de Zero Discriminação, lembrado em 1º de março, com o tema “faça barulho” contra o preconceito. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a data serviu para celebrar a importância da mobilização contra o estigma que isola pessoas vivendo com HIV. Mas o dia, segundo a agência, é também um lembrete de que só “barulho” não acabará com a epidemia.
“Hoje, homenageamos a comunidade LGBTI, pessoas vivendo com HIV e seus amigos, amantes, familiares e aliados que, corajosamente, mobilizaram-se para ultrapassar a indiferença crônica e o medo que caracterizaram os primórdios da epidemia de aids”, afirmou a diretora do Grupo de HIV, Saúde e Desenvolvimento do PNUD, Mandeep Dhaliwal, em artigo publicado na imprensa norte-americana.
“Esta defesa obstinada por parte deles possibilitou o cenário atual: hoje, há 18,2 milhões de pessoas sob tratamento capaz de salvar vidas, e as comunidades continuam a responsabilizar os governos, reivindicando os seus direitos à participação, à não discriminação, à informação, ao acesso a terapia e a novas tecnologias de prevenção, como a profilaxia pré-exposição (PrEP)”, acrescentou a especialista.
O “barulho” contra o preconceito, porém, ainda não conseguiu acabar com a discriminação que afeta desproporcionalmente certas parcelas da população, como mulheres, profissionais do sexo, pessoas que usam drogas, homens que fazem sexo com homens e indivíduos trans.
Para Dhaliwal, somente o respeito a essas pessoas e a outros grupos marginalizados garantirá o acesso pleno à assistência médica para HIV/aids.
“Quando o estigma e a discriminação não impedem que as intervenções de prevenção ao HIV alcancem as pessoas que usam drogas e as pessoas privadas de liberdade, e quando a lei não criminaliza o sexo adulto consensual, a orientação sexual e a identidade de gênero, os resultados da prevenção do HIV melhoram”, disse.
A representante do PNUD lembrou que, segundo o Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), nos países de média e baixa renda, apenas 0,13% do orçamento da resposta à epidemia é destinado a iniciativas de direitos humanos.
PNUD em ação
O PNUD atua em parceria com governos e a sociedade civil para eliminar o preconceito contra as pessoas vivendo com HIV. Em cooperação com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a agência da ONU desenvolveu o pacote de treinamento The Time Has Come (“Chegou a Hora”, em tradução livre).
O objetivo da formação é reduzir a discriminação contra os homens que fazem sexo com homens e pessoas trans nos ambientes de saúde. O curso já foi adotado em programas nacionais do Butão, Indonésia, Índia, Filipinas e Timor-Leste.
Na República Democrática do Congo, o PNUD apoiou a sociedade civil e os prefeitos de cinco municípios na realização de campanhas de conscientização sobre HIV e direitos humanos. A iniciativa contribuiu para que 3 mil profissionais do sexo, pessoas LGBTI e pessoas que usam drogas injetáveis tivessem acesso voluntariamente a testes de HIV.
Cerca de 60 mil congoleses, incluindo policiais, advogados, magistrados, profissionais de saúde, jornalistas, pessoas vivendo com HIV e outros grupos vulneráveis, foram informados sobre desafios de direitos humanos associados à epidemia.

Fonte : ONU Brasil

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