segunda-feira, 15 de maio de 2017

Casos de sífilis em Pernambuco quintuplicam em três anos


A sífilis, uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) mais antigas da humanidade, ainda desponta como um desafio à saúde pública de Pernambuco. Isso porque os novos casos não param de crescer no Estado. Apenas nos últimos três anos, o número de pessoas que adquiriram a enfermidade foi multiplicado por cinco, numa clara demonstração da escalada da ISTs. As notificações subiram 152% entre 2014 e 2015, e mais 103% se observamos 2015 e 2016. 

Essas estatísticas oficiais podem ser a ponta de um cenário ainda maior, já que muitas pessoas nunca se testaram para a doença e os dados sobre as formas adquiridas, gestacional e congênita apresentarem de forma muito desigual. Apesar das melhorias e agilidade no diagnóstico, um dos principais desafios está em tratar, curar e impedir que os pacientes voltem a se reinfectar ampliando a cadeia de contaminação.
“Saber que existem muitos outros casos a gente sabe, mas falta o diagnóstico”, destacou o gestor do Programa Estadual de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/Aids/Hepatites Virais), François Figueiroa. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) junto com várias prefeituras tem tentado expandir a testagem rápida de sífilis em todos os municípios, oportunizando a acesso. 
Numa próxima estratégia irá treinar 150 multiplicadores para atuar junto a população sobre a necessidade de realização do exame. Contudo, Figueiroa defende que um ponto chave no combate a proliferação de casos esta na prevenção. “Fico me perguntando porque as pessoas parecem que não se veem mais em risco. Não tem para onde correr: prevenção é com usos de camisinha”, comentou sobre o abandono o uso do preservativo entre casais que não realizaram testes para IST recentes. 
Além da proteção para evitar o contágio, o gestor acredita que se todos inserissem na rotina de check-up exames para a sífilis, a situação epidemiológica seria de melhor monitorada. Por falar em controle, outro alerta: “É possível curar a sífilis, mas você pode pegar de novo e muitas vezes. A pessoa não fica vacinada e havendo nova exposição há reinfecção. Podendo haver sequelas”, destacou. Entre esses danos irreversíveis à saúde estão problemas no nervo óptico, cardiovascular, ósseos e nervosos. Para compreender melhor a prevalência dos acometimentos cardíacos em pacientes que tiveram sífilis, o Departamento de IST/Aids/Hepatites Virais pretende iniciar um estudo de revisão de casos de pacientes.
No mapa da sífilis adquirida em Pernambuco há registro da doença em praticamente todo o território. Contudo, os municípios do Recife, Jaboatão dos Guararapes, Goiana, Ipojuca, Vitória e Camaragibe vêm se destacando nos últimos anos e juntos concentram, quase 80% dos diagnósticos pernambucanos. A Capital, que já chegou a receber o apelido pejorativo de “Recífilis”, vem perdendo em número de notificações para Jaboatão. Esta cidade teve nos últimos cinco anos um aumento de 636% na notificação de doentes. 
A superintendente de Vigilância à Saúde do município, Vânia Freitas, informou que a atual gestão verificou a explosão de casos dos últimos anos e criou recentemente um núcleo especifico para enfrentar a questão. Coincidentemente, o aumento de sífilis lá aconteceu no mesmo período de maior adensamento populacional na região provocado pelo ir e vi de muitos trabalhadores do complexo de Suape. “O ano de 2016 já foi reflexo de 2015, quando houve um grande boom na área de Candeias e Barra da Janga, quando realmente tínhamos muitas pessoas de fora”, disse.

Fonte : Folha de Pernambuco

Mapa de direitos LGBT e dados sobre violência mostram divisões e contradições, destaca "O Globo"


Dados sobre legislação e violência relacionada à comunidade LGBT mostram que o Dia Internacional Contra a Homofobia, celebrado na quarta-feira, 17 de maio, ainda tem muito contra o que lutar. No mundo, pelo menos 72 países, estados independentes ou regiões criminalizam a homossexualidade. Dentre esses, oito aplicam pena de morte a homossexuais, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira pela Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Pessoas Trans e Intersexuais (Ilga). Apesar de alguns países, como o Brasil, garantirem certa proteção e reconhecimento aos direitos dessa população, estatísticas sobre violência contra o grupo revelam contradições.

O mapa elaborado pela Ilga mostra uma divisão clara do mundo nesse assunto: Américas e Europa concentram os países com mais direitos aos LGBT, como reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo e adoção. África e Oriente Médio têm os países com as penas mais duras, como prisão e execução. Há particularidades em alguns países, tanto em relação aos direitos quanto à criminalização. Embora Iraque e Síria, por exemplo, oficialmente tenham penas de até dois e sete anos de prisão, respectivamente, e tenham sido classificados assim no mapa, a Ilga destaca que a pena de morte pode acabar sendo aplicada nesses países por pessoas que não representam o estado. Em nível federal, quatro países determinam a execução de homossexuais.
Brasil tem proteção parcial
Já o Brasil aparece no mapa como país que prevê proteção contra crimes de discriminação, permite a adoção e reconhece a união entre pessoas do mesmo sexo. Mas a Constituição brasileira não contém proibição explícita da discriminação baseada na orientação sexual. “Contudo, várias jurisdições no país têm. Isso inclui as constituições dos estados de Alagoas, Distrito Federal, Mato Grosso, Pará, Santa Catarina e Sergipe”, destaca o relatório. 
"Apesar de as leis que criminalizam práticas sexuais entre pessoas do mesmo sexo estarem diminuindo anualmente - com Belize e Seicheles sendo os mais recentes a revogar essas leis em 2016 - a perseguição e a vasta estigmatização persistem em muitos estados. Por outro lado, a promulgação de legislações específicas que nos protegem da discriminação e violência tem expandido significativamente nos últimos anos, e o verdadeiro teste que os estados enfrentam é a implementação significativa dessas leis", afirma Aengus Carroll, um dos autores do levantamento junto com Lucas Ramón Mendos, que destaca ainda que apesar de as leis que reconhecem os relacionamentos e famílias de pessoas do mesmo sexo estarem crescendo, menos de 25% dos estados mundiais reconhecem ou garantem proteção à comunidade LGBT. 
Mesmo com uma diminuição do número de países que criminalizam a homossexualidade, o relatório mostra preocupação e aponta avanços da violência contra LGBTs no mundo. Um caso recente citado no estudo é a perseguição a homens gays na Chechênia em março "que teve resultados fatais, uma questão que (no momento da elaboração do levantamento) foi registrado pela mídia, mas cinicamente negado pelos oficiais", diz o relatório. 
Apesar de o Brasil, na perspectiva mundial, estar no grupo de países que preveem certos direitos à comunidade LGBT, ainda que não estabelecidos na Constituição e não aplicados de forma homogênea no país, dados de outras organizações revelam o nível de violência contra o grupo em âmbito nacional. Como o Brasil não tem leis específicas que combatem a homofobia, esse tipo de violência é registrado em outros tipos de crimes, como discriminação, injúria ou agressão, por exemplo. Por isso, não há dados oficiais sobre a violência contra a comunidade LGBT, mas associações ligadas ao tema fazem levantamentos próprios que ajudam a mensurar a violência cometida em âmbito nacional.  
A associação Transgender Europe, por exemplo, coloca o Brasil como um dos países com o maior número de assassinatos de transexuais em números relativos no mundo, entre 2008 e 2016. O levantamento completo, entretanto, não tem dados de alguns países que têm leis duras contra homossexuais.
Os dados do Disque 100, serviço telefônico que recebe denúncias de violações mantido pela Secretaria de Direitos Humanos, mostram que em 2016 mais da metade das imputações que têm como vítimas LGBTs aconteceram na rua ou na casa da própria vítima. Esses dados têm relação com o perfil do suspeito da violação. A maior parte é de parentes próximos (irmão, mãe, pai, tio ou primo) da vítima, seguido de vizinhos e desconhecidos.
'Homofobia mata diariamente'
Segundo o levantamento realizado pelo Grupo Gay da Bahia, 347 LGBTs foram mortos por causas violentas no Brasil em 2016. A pesquisa foi feita de forma hemerográfica, ou seja, com base em notícias publicadas em veículos de imprensa. Os dados da entidade já foram usados como referência para elaboração do Relatório de Violência Homofóbica no Brasil, da Secretaria de Direitos Humanos, em 2013 e trazem informações como a idade das vítimas. No gráfico abaixo é possível observar que o maior número de mortes ocorre na faixa dos 21 a 30 anos.
Para Carlos Tufvesson, estilista e militante pelos direitos humanos, a violência é a pauta mais urgente a ser contemplada no que diz respeito aos direitos dos LGBT. Ele reconhece que o Brasil avançou nas garantias civis a estas pessoas, mas aponta para a escalada da violência e o "apedrejamento moral" que fazem vítimas diárias no país.
"Chegamos ao nível do "homocausto" das chacinas de cidadãos e cidadãs. O governo possui os dados dessa violência. Mas não só não há uma lei que criminalize a homofobia no Brasil, como, na tramitação de um projeto legislativo sobre o tema em 2013, o governo cedeu sua continuidade a uma base dita religiosa", denuncia Tufvesson. "Precisamos pensar uma maneira rápida de agir contra a violência. Não podemos esperar dez anos no Legislativo, enquanto as famílias estão perdendo seus entes queridos. A homofobia mata diariamente no Brasil."

quinta-feira, 11 de maio de 2017

STF equipara herança de união estável homossexual com a de casamento



O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quarta-feira (10) equiparar os direitos sucessórios de uma união estável homossexual com a de um casamento civil.
Assim, um indivíduo que mantinha relação homossexual em união estável com outro falecido terá direito à metade de seus bens, como no casamento, e não apenas a um terço, como previsto no Código Civil.
No julgamento, os ministros analisaram o caso de um homem que viveu por mais de 40 anos com seu companheiro e disputava a parcela da herança com a mãe do falecido.
Por 6 votos a 2, a maioria dos ministros entendeu que, apesar de serem institutos distintos, a união estável homossexual e o casamento devem ter o mesmo tratamento em relação à herança. O mesmo entendimento foi aprovado para uniões estáveis entre heterossexuais.
Votaram nesse sentido os ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux e Cármen Lúcia.
Pela diferenciação na herança votaram o relator da ação, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski. Não participaram do julgamento os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Celso de Mello, ausentes na sessão.
Autor do voto vencedor, Luís Roberto Barroso lembrou que, em 2011, o próprio STF reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo. Posteriormente, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também permitiu o casamento civil entre homossexuais.
“As pessoas têm o direito de colocar seu afeto e sua sexualidade conforme seu desejo e serem colocadas em igualdade de condições com as demais pessoas”, afirmou.
Relator do caso, o ministro Marco Aurélio Mello argumentou que casais hétero ou homossexuais têm direito de escolher entre a união estável e o casamento civil.
Ele votou pela diferenciação das regras de herança, como previsto no Código Civil, para dar aos casais o direito de escolha sobre como pretendem dividir seus bens após a morte de um companheiro ou cônjuge.
“Embora todas as entidades familiares mereçam proteção, isso não significa que devam ser tratadas exatamente da mesma maneira [...]Não cabe ao Judiciário após as escolhas legítimas dos particulares, sabedores das consequências, suprimir a manifestação de vontade, com promoção de equiparações”, afirmou o ministro.

Fonte : G1

HIV pode alterar memória e aprendizado de pacientes sem tratamento, revela pesquisa



Um estudo indica que pessoas infectadas com o HIV que não recebem tratamento adequado apresentam alterações cerebrais que podem diminuir o desempenho cognitivo, ou seja, a memória e o aprendizado.
A descoberta foi feita por pesquisadores das universidades de Missouri, Washington, Califórnia do Sul e Brown, nos Estados Unidos, e também da Universidade Cape Town, na África do Sul. Os dados foram publicados no periódico Brain Connectivity.
Com ajuda de exames de ressonância magnética e testes neuropsicológicos, a equipe analisou diferenças entre as conexões cerebrais de 29 jovens adultos soropositivos que nunca tinham sido tratados, ou que tiveram acesso limitado ao tratamento, e de 16 indivíduos sem o HIV, todos sul-africanos.
O trabalho, financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental, nos Estados Unidos, reitera a importância do diagnóstico e do tratamento adequado dos infectados pelo vírus da aids. Sem contar que a medida também é fundamental para evitar novas infecções.

Dezembro Vermelho é aprovado pela CCJ na Câmara. Gestores esperam que a proposta dê mais visibilidade as ações de combate a aids



Aprovado em caráter conclusivo pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, nessa terça-feira (9), o PL 592/15, que cria o Dezembro Vermelho, uma mobilização com atividades direcionadas ao enfrentamento do HIV/aids e outras infecções sexualmente transmissíveis, durante o mês de dezembro, tem sido comemorado por ativistas e parlamentares, conforme publicado nesta quarta-feira (10), pela Agência Aids. (Leia aqui)
Gestores como a dra Adele Benzaken, diretora do Departamento de IST/HIV/Aids do Ministério da Saúde, parabenizaram a iniciativa. De autoria dos deputados Jean Wyllys (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF) e Paulo Teixeira (PT-SP), caso não haja recurso para a discussão e votação no plenário da Câmara, a proposta deve seguir para apreciação do Senado.
Veja a seguir a opinião dos gestores sobre o PL:
Adele Benzaken, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais: "Parabenizamos os deputados Jean Wyllys (PSOL/RJ), Erika Kokay (PT/DF) e Paulo Teixeira (PT/SP) pela iniciativa. Há quase 30 anos, o Dia Mundial de Luta Contra a Aids é celebrado no dia 1º de dezembro, por uma decisão da Assembleia da Organização Mundial de Saúde, realizada em 1987, com apoio da ONU (Organização das Nações Unidas). No Brasil, a data passou a ser adotada, a partir de 1988. O objetivo principal, na época, foi o de sensibilizar governos e a própria sociedade para a solidariedade em relação às pessoas vivendo com HIV/aids, que sempre foram estigmatizadas em decorrência da sua condição. Passados os anos, as respostas ao HIV e à aids evoluíram muito em todo o mundo, inclusive no Brasil, que se tornou referência global pela sua resposta à epidemia –fruto do conjunto das iniciativas feitas tanto pelo governo, no âmbito do SUS, quanto pela sociedade civil e os movimentos de pessoas vivendo com HIV. Entretanto, apesar de todas as conquistas, ainda são necessárias iniciativas como esta para lembrar aos gestores, profissionais de saúde e toda sociedade o compromisso que necessitamos manter para combater o vírus, eliminar o estigma e o preconceito ainda existentes. Também, promover a solidariedade e a colaboração entre todos esses agentes. Cabe lembrar aqui o compromisso do qual o Brasil se fez um dos países signatários: o de eliminar a aids até 2030. Por fim, é importante frisar que, apesar de termos a partir de agora o Dezembro Vermelho, todo dia é dia de renovar o nosso compromisso com a resposta ao HIV/aids."


Artur Kalichman, coordenador-adjunto do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo: "O Brasil comemora o Dia Mundial de Luta Contra a Aids, em 1ª de Dezembro, há muito tempo. A oficialização do mês de luta contra à aids é também uma homenagem as pessoas que morreram em decorrência da doença. A lei vai dar força para que mais ações de prevenção e diagnóstico precoce aconteçam."


Robinson Fernandes de Camargo, coordenador da Assistência do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo: "Toda ação que traga visibilidade sobre o tema 'aids' é bem-vinda. Esperamos que nesse mês, assuntos como o risco de contrair uma IST (infecção sexualmente transmissível), a sexualidade, o preconceito e os direitos humanos, que permeiam o dia a dia das pessoas que vivem e convivem com HIV/aids, sejam amplificados, contribuindo dessa maneira, para o enfrentamento do HIV e outras ISTs."

terça-feira, 9 de maio de 2017

BOA NOTÍCIA: Edição genética em DNA de ratos indica caminho para cura do HIV


Um estudo conduzido por cientistas da Universidade Temple, da Filadélfia, e da Universidade de Pittsburgh, ambas nos Estados Unidos, dá passos em direção a uma possível cura permanente para a infecção causada pelo vírus HIV. Publicada no jornal Molecular Therapy na segunda-feira (1º), a pesquisa mostrou ser possível a remoção de parte do genoma do HIV de células de ratos vivos, eliminando a reprodução de células.

De acordo com o estudo, a replicação do HIV-1 (retrovírus humano tipo 1) pode ser desligada por meio de uma tecnologia de edição genética chamada de CRISPR/Cas9.
A pesquisa aponta uma "cura funcional" da doença em camundongos, ou seja, o fim da reprodução do vírus dentro do corpo dos animais, segundo Ricardo Diaz, consultor do Comitê de HIV/Aids da Sociedade Brasileira de Infectologia.
Experimento com ratos
O estudo foi feito com três diferentes modelos de animais, incluindo um modelo em que células imunitárias humanas foram transplantadas em ratos, sendo posteriormente infectadas com o vírus.
Em um estudo anterior, os cientistas haviam utilizado ratos com DNA de HIV-1 incorporados no genoma de todos os tecidos do corpo do animal. O experimento mostrou que eles poderiam apagar alguns fragmentos do HIV-1 na maioria dos tecidos dos animais cobaias.
Agora, a equipe conseguiu inativar geneticamente o HIV-1 em camundongos, reduzindo a expressão de RNAs com genes virais em até 95%. O sistema também foi testado em ratos infectados com EcoHIV, o equivalente do HIV-1 humano em ratos --com o Crispr tiveram 96% de eficiência para bloquear a replicação viral e potencialmente prevenir a infecção sistêmica.
"Cura funcional"
Para Diaz, é possível no futuro que com a técnica de edição genética "seja retirado o vírus inteiro do DNA". Ele afirma que neste estudo específico, isso não ocorreu, mas foi possível extrair até 95% do vírus em alguns casos.
"Quando isso ocorre, quando ele fica 'aleijado', ele não pode se reproduzir. É alcançada, então, a chamada 'cura funcional'".
Para Diaz, o fato de o experimento possibilitar que seja feita apenas uma "intervenção" e acabe com a reprodução das células infectadas é algo significativo, já que o tratamento com os coquetéis antirretrovirais traz, muitas vezes, efeitos colaterais e deve ser feito regularmente.
Quão longe estamos da cura?
O próximo passo será repetir o estudo em primatas, "um modelo mais adequado, onde a infecção pelo HIV induz a doença", disse Kamel Khalili, da Universidade Temple. Só depois de sucesso nesta fase, é que a técnica poderá ser testada em humanos. 
"É um artigo com uma ideia muito interessante, no entanto, pelo menos por esta técnica, e baseado neste artigo, estamos muito longe de estar falando da cura da aids", considera Alexander Birbrair, pesquisador da UFMG. 
O uso da técnica de edição de genes é uma das apostas para o futuro do tratamento do vírus. Nos últimos três anos, dezenas de estudos têm explorado essa possibilidade. Contudo, um artigo publicado na revista Cell Reports em abril indica que o HIV seria capaz de se readaptar após o uso do Crispr e voltar a se reproduzir. 
O vírus HIV é conhecido por ser capaz de resistir a diferentes formas de tratamentos com drogas antivirais.
O especialista em sexualidade Jairo Bouer frisa que "uma coisa é os estudos laboratoriais, outra é a viabilidade clínica, de fato". Para ele, ainda há muito caminho a percorrer na almejada cura da aids.
Para Bouer, caso se mostre possível que a técnica seja replicada em humanos, objetivo final do estudo, será mais uma medida "complementar" às tentativas de busca pela cura da doença. 

Fonte : UOL

Atores participam de beijaço contra a LGBTfobia, destaca "Diário de Pernambuco"


Leandra Leal, Mariana Ximenes, Guilherme Weber, Taís Araújo, Paolla Olveira, Cauã Reymond, Monica Martelli e outros atores aderiram à campanha virtual contra a LGBTfobia e a repressão promovida pelo governo russo. Um dos primeiros foi Weber, que compartilhou uma imagem com Wagner Moura, extraída do espetáculo Os solitários, na sexta-feira (5), e convocou seguidores para o beijaço. A hashtag #Kiss4LGBTQRights contou com apoio de famosos e anônimos.

"No dia do silêncio, holofotes contra quem tenta silenciar o amor! Sejamos nós, o país que mais mata LGBT no mundo, ou o governo russo, que tenta calar com prisões, campos de concentração e tortura física e psicológica. Não se cale! Poste você também um beijo e marque o Kremlin na localização do Instagram com as hashtags da campanha. O amor é livre! #NãoSilencieOAmor #Kiss4LGBTQRights. Nessa foto do filme O uivo da gaita, estou com a @marixioficial, minha amiga incriveland", escreveu Leandra Leal, na legenda.
A atriz carioca estreou na direção com o longa-metragem Divinas divas, sobre oito travestis paulistas e as lutas enfrentadas por elas ao longo de mais de 50 anos de carreira. Rogéria, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Marquesa, Brigitte de Búzios, Eloína dos Leopardos e Jane Di Castro iniciaram o trabalho durante a ditadura militar, quando a atividade era alvo de censura. O filme contempla depoimentos delas e trechos da peça homônima, encenada no Teatro Rival, espaço mantido pela família de Leandra e administrado por ela desde o fim do ano passado.
A atriz Bárbara França publicou a imagem de um beijo em Aline Dias, protagonista de Malhação: Pro dia nascer feliz. "E no #DiaDoSilencio não vamos silenciar o amor ! Não a qualquer forma de preconceito, não à homofobia, não ao ódio, não ao desrespeito , mas SIM a todas as formas de amor! #NaoSilencieOAmor #Kiss4LGBTQrights", defendeu.
"Amar é lindo. Amar é livre! Mas em alguns lugares do mundo essa é uma condição limitada. Na Rússia, existem leis que proíbem a homossexualidade e qualquer manifestação em defesa da liberdade sexual. Em locais como a Chechênia há relatos de campos de concentração, para onde gays são levados e torturados. Hoje, no dia do silêncio, vamos mandar muito amor para essas pessoas que não podem ser quem são. Poste uma foto de um beijo, marque Kremlin na localização e use as tags #Kiss4LGBTQrights e #NãoSilencieOAmor, grite para e com o mundo que amar é tudo de bom. Essas maravilhosas na foto são a @lelagomes e @giordannaforte".

Fonte : Diário de Pernambuco

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