sexta-feira, 25 de março de 2016

Ala para pessoas com tuberculose é desativada no Hospital Júlia Kubitschek, em Minas Gerais


Na quinta, 24 de março, o mundo comemorou o Dia Internacional da Luta contra a tuberculose. E, longe de ser uma boa notícia para esse data, o fechamento temporário da ala de isolamento para pacientes com a doença no Hospital Júlia Kubitschek (HJK), referência no assunto, é motivo de preocupação. A Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) desativou nesta semana os 32 leitos de tuberculose na unidade para dar lugar aos infectados pela dengue no período crítico de proliferação do mosquito Aedes Aegypti.
Os sete pacientes que estavam internados com tuberculose na ala G do HJK foram transferidos para o Hospital Eduardo Menezes (HEM), que também é da rede Fhemig, especializado em doenças infectocontagiosas, como aids e hanseníase. Já o Júlia Kubitschek é conhecido pelo tratamento a enfermidades relacionadas ao pulmão, como a tuberculose. Segundo a assessoria de imprensa da Fhemig, a unidade continuará recebendo os pacientes e, caso haja necessidade de internação, irá encaminhá-los para o HEM.
No Eduardo Menezes, há 92 leitos disponíveis, e a média de ocupação é de 80% – sobrando 18 leitos em média. Não haverá aumento de vagas para receber os casos de tuberculose. A assessoria explicou que, no Júlia Kubitschek, os 32 leitos para tuberculose tinham uma ocupação “histórica” de 30%, o que significam dez leitos ocupados geralmente.
A promessa é que a alteração seja temporária e, assim que a “epidemia de dengue passar”, os pacientes voltarão para o HJK. No lugar dos leitos de tuberculose, foram abertas 20 vagas de internação para pacientes com dengue, que estavam todas ocupadas nesta quarta. A média de atendimento tem sido de 80 pessoas por dia desde a última sexta-feira, quando começou a funcionar na unidade o Centro de Atendimento à Dengue (CAD).
Mas a medida contrariou médicos e associações ligadas à tuberculose. O pneumologista do Júlia Kubitschek, Edilson Corrêa de Moura, em entrevista a uma rádio da capital, disse que acreditava que a mudança seria “desvestir um santo para vestir outro”. Ele ressalta que a tuberculose mata mais que a dengue, e continua sendo uma doença negligenciada. “Essa atitude reforça uma posição negligente histórica que os governos têm tido”, disse o médico.
Números
Em Minas Gerais, no ano passado, 67 pessoas morreram por dengue e 165 por tuberculose – 146% a mais, revelam os dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG). A taxa ideal de 5% de pacientes que abandonam o tratamento não é cumprida em Minas, que tem 10,9% de abandono. Assim como o índice de cura, que está em 72% no Estado, enquanto o recomendado é 85%.
Segundo o pneumologista, os pacientes precisam ser isolados no período crítico da doença, principalmente em um cenário de “multirresistência da bactéria”, e a ala do HJK garantia isso. A Fhemig afirma que os leitos do HEM podem ser isolados, mas o médico destacou à rádio que as condições dos pacientes no Júlia “são incomparáveis” às do HEM.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  CNS discute desafios para garantir direito universal à Saúde em tempos de negacionismo, durante debate na UFRGS 14 de fevereiro de 2022 O ...