segunda-feira, 28 de março de 2016

Continente americano avança contra tuberculose, mas está longe de erradicá-la


O continente americano conseguiu reduzir pela metade a prevalência e a mortalidade por tuberculose desde 1990, mas persiste o desafio de combater fatores associados a esta doença, como a pobreza, razão pela qual as autoridades sanitárias propuseram na quinta-feira (24) que a região atue unida para erradicá-la.
Por ocasião do Dia Mundial da Tuberculose, a Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu a governos, comunidades, sociedade civil e setor privado que atuem "unidos para pôr fim" a esta doença, que causou a morte de 23.000 pessoas no continente durante 2014.
No mesmo ano, na região, que conseguiu reduzir a incidência - casos novos em um período de tempo -, a prevalência - casos totais em um período de tempo - e a mortalidade à metade desde 1990, 280 mil pessoas adoeceram, 65 mil doentes não foram diagnosticados e 22 mil portadores do HIV contraíram tuberculose.
O Brasil registra o maior número de novos casos de tuberculose no continente, com 73.970 em 2014, seguido por Peru (30.008), México (21.196), Haiti (15.806), Colômbia (11.875), Argentina (9.195) e Bolívia (8.079).
No Brasil, único país do continente que aparece na lista das nações mais castigadas pela tuberculose da OMS em nível mundial, cerca de 4.600 pessoas morrem a cada ano por essa infecção e 70.000 novas casos são notificados.
No entanto, segundo dados do governo, nos últimos 10 anos o número de novos casos caiu 22,8%, a taxa de mortalidade diminuiu 20,7% e a incidência se situou em 33,5 casos por cada 100 mil habitantes.
Para a OMS, que busca reduzir o número de mortes por esta doença em 90% até 2030, terminar com a epidemia implica em alcançar uma taxa de menos de 10 casos por 100 mil habitantes.
A tuberculose é ainda a principal causa de morte em pessoas com HIV nos países com rendas baixas e médias, entre eles vários latino-americanos.
Por isso, a Organização Pan-Americana da Saúde e autoridades de saúde pediram nesta data que se melhore o acesso aos tratamentos, especialmente para pessoas que têm tuberculose associada à infecção pelo HIV.
"A pobreza condiciona a aglomeração que facilita a transmissão, o acesso reduzido aos serviços de saúde, e pode levar à desnutrição, um importante fator de risco uma vez infectado o indivíduo", disse à Agência a Efe Marisa Vescovo, coordenadora da Seção de Tuberculose da Associação Argentina de Medicina Respiratória.
Ariel Pablos-Méndez, administrador adjunto para a Saúde Global da Agência de Desenvolvimento dos Estados Unidos (Usaid), acrescentou que a tuberculose, que afeta geralmente os pulmões, se transformou na principal causa de morte por doença infecciosa do mundo "e requereria pelo menos o esforço de outra geração acabar com ela".

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