Felicidade é uma coisa de tal forma indefinível, que eu não sei como descrevê-la. Uma foto fala mais que mil palavras
Aqueles de vocês que acompanham meu blog sabem que eu estou na profilaxia pré-exposição (PrEP) para reduzir os riscos de infecção pelo VIH. E cada vez mais de meus pacientes também estão começando a tomar Truvada a pílula combinando medicamentos antirretrovirais tenofovir e emtricitabine) como PrEP para prevenir a infecção pelo HIV. E de todos os meus pacientes pedem-me explicações para as minhas recomendações, que são para que se use preservativos mesmo à luz dos dados sob PrEP.
Se você perguntar à maioria dos médicos, pesquisadores e autoridades de saúde pública, a resposta de costume é: “Bem, você deve continuar a usar preservativos porque, naturalmente, Truvada não protege contra DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis).”
O problema é que em verdade não é isso que meus pacientes estão pedindo!
Vamos encarar o fato de que todos odeiam os preservativos! Ouvimos falar muito sobre homens gays que não usam preservativos na atualidade, mas como fazer para convencer muitos homens heterossexuais a usarem preservativo com suas parceiras do sexo feminino que estão “no controle“ da natalidade? São aconselhamentos de muitos médicos de que todos os seus pacientes precisam usar um preservativo a cada vez e em cada situação, faça o uso do preservativo agora e para sempre, isso é viável? Você sabe que eles não estão usando. Mas essa era a única mensagem que tivemos para homens gays durante um longo período de tempo. E era uma mensagem vital nos dias em que não tínhamos outras ferramentas, haviam poucos testes fiáveis e não se compreendia bem a transmissão. Foi uma mensagem que salvou a vida de inúmeras pessoas. Mas agora é uma mensagem que patologisa o sexo gay e não consegue reconhecer que as pessoas estão fazendo escolhas razoáveis e racionais sobre risco. Agora temos PrEP e o tratamento como a prevenção (TasP).
As pessoas querem saber se usando PrEP poderiam efetivamente permitir a praticar sexo sem preservativos. Eles estão procurando seus médicos para orientação. Se queremos contornar o aspecto de falar sobre outras DSTs, deixamos (nós, os médicos norte-americanos) a ficarem “fazendo experiências para que cada um encontre o seu próprio caminho. PrEP abre a porta para falar de situações onde os riscos de infecção pelo HIV são tão baixos que talvez eles transem sem preservativos, e isso parece ser, para eles, uma escolha razoável. Vou partilhar com você a orientação dou meus pacientes.
Cintos de segurança além de Airbags
Se algumas pessoas querem tomar PrEP e ainda usar preservativos, saúdo a sua escolha. Elas estarão mais seguras entre nós. Alguns têm comparado esta associação à utilização de cintos e suspensórios. Eu não gosto dessa imagem porque ele implica que aqueles que escolhem tal opção sejam um bando de Nerds on Wheels (consulte Urkel). Eu prefiro a analogia do uso de cintos de segurança e dos Airbags nos automóveis. Ambos estão lá para nos proteger, mas funcionam em diferentes modos — e os resultados são melhores quando usamos ambas as modalidades.
Neste ponto, eu acho que a maioria das pessoas concorda que aqueles que estão numa relação monogâmica estável a longo prazo, onde ambos os parceiros são soroconvergentes, não há a necessidade de uso de camisinhas. (Nota do Tradutor: Traduzi literalmente e quero deixar minha posição bem clara aqui: Duas pessoas soropositiva são dois “Universos Virais” completamente diferentes e há o risco de, havendo aquilo que eu chamo de “troca de figurinhas”, que se transfiram algumas cópias de uma cepa resistente à medicação que você toma e eu não preciso ser mais claro que isso)
Vejamos os números
Se olharmos em diversos e diferentes cenários de encontros sexuais fora de um planeamento a longo prazo, numa relação estável monogâmica com parceiros de soropositividade convergente, podemos ver algumas áreas onde TasP (Treatmens as prevention – Tratamento como Prevenção em tradução livre) e PrEP e podem reduzir o risco de tal forma que a escolha de não usar preservativos pode parecer uma escolha racional.
Dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) calculou Traduzir O risco de transmissão do HIV para várias exposições sexual e outros. Os riscos para os indivíduos passivos (receptivos) no coito anal (percussão) é de 134 para 10.000 exposições. Apenas para ser claro, a partir de um ponto de vista de saúde pública, este é um risco elevado.
O Parceiro não detectável
Se um dos parceiros é HIV positivo e está em uso da medicação com carga viral indetectável (carga viral <40 cópias/ml) em alguns testes e <20 cópias/ml em outros), então a oportunidade de transmitir o HIV é reduzida em 97% ou tanto quanto (conservador).
Isto é, de acordo com um certo número de estudos — incluindo the PARTNER study, que mostrou ausência de transmissão entre mais de 700 casais sorodiscordantes. Os casais que não estavam em uso de preservativos e onde o parceiro HIV positivo estava sob TARV supressiva e o parceiro negativo não estava sob PrEP. Se o parceiro negativo está sob PrEP e tomar as medicações de forma fiável, então que o risco de adquirir o HIV está reduzido, digamos, entre 92% a 100% de acordo com diversos estudos. Com estas reduções de risco (97% e 95%), o risco se torna algo como 1 para cada 50.000 encontros. Se utilizarmos uma figura de PrEP com 99%, estaríamos no espectro de 1 a cada 250.000 episódios. Penso que podemos legitimamente perguntar: o que mais em termos de redução do risco de contágio por HIV que poderíamos obter a partir do uso de preservativos nesta situação?
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