quarta-feira, 20 de abril de 2016

Difícil acesso à cura das hepatites é debatido no Encontro Regional de Inovações na Prevenção, em Santos

Difícil acesso à cura das hepatites é debatido no Encontro Regional de Inovações na Prevenção, em Santos
19/04/2016 - 16h
Nesta segunda-feira (18), o acesso ao tratamento das hepatites foi destaque no Encontro Regional de Inovações na Prevenção de DST/Aids e Hepatites Virais. O evento começou nesta segunda-feira (18) e acaba hoje  (19), no Sindipetro (Sindicato dos Petroleiros), em Santos, litoral de São Paulo. Durante a palestra “Panorama das DSTs, Aids e Hepatites Virais no Estado de São Paulo”, Sirlene Caminada, da Divisão Estadual de Hepatites, mostrou que o estado tem 9.264 pacientes elegíveis para receber o tratamento da doença, porém 5.831 ainda não receberam. Ainda, dos 55.012 casos de hepatite C de SP, 5.692 vivem com HIV. Já no caso da hepatite B, dos 31.663 casos, 2.698  estão  coinfectados. 
“O acesso ao tratamento é o que temos de mais novo, mas também o que temos de mais complicado. Esse tratamento [sofosbuvir, simeprevir e daclatasvir], além de ter a capacidade de cura, tem efeitos colaterais menores. Os pacientes têm expectativas, mas vivemos em um momento muito critico financeiramente”, disse Sirlene (foto esquerda).
O ativista Jeová Fragoso, do Grupo Esperança, que estava na plateia, elogiou a compra dos 30 mil tratamentos realizados pelo governo federal, mas não se absteve de aprofundar a discussão: “Eu fiz o tratamento e fui negativado em 30 dias. Mas o que fazer com a fila de espera? E os casos cirróticos? Já tentamos quebra de patente e procuramos caminho para ampliar o acesso, mas precisamos de ajuda. Precisamos recorrer a uma medida judicial? Afinal, existe um remédio que oferece a cura, mas não temos acesso a ele.”
Atraso na entrega
Sirlene explicou que apenas 1/3 dos pacientes que estão com todo o processo pronto no estado receberam tratamento, pois os remédios, que deveriam chegar no início de abril, não chegaram. “Agora, no dia 20 de abril, vamos receber só o sofosbuvir, mas não era o que a gente esperava. Estamos com atraso de cinco mil tratamentos. O Ministério precisou negociar a diminuição do preço. O dólar mais que dobrou e vivemos uma crise em todos os níveis”, comentou.
 “O orçamento do Ministério para a compra dos remédios era de R$ 700 milhões. Um tratamento de 12 semanas, para hepatite C, custa US$ 6 mil. Ainda temos de cumprir o protocolo, uma medida de saúde pública para atender o maior número possível de pessoas. É tudo novo e ainda estamos aprendendo”, justificou.
Rebatendo as justificativas de Sirlene, Jeová (foto direita) afirmou que o protocolo é o que a saúde tem de mais simples. “Quantos pacientes [com hepatite C] estão afastados de seu trabalho? Quanto custa para o estado uma internação? Por que os estados não procuram negociar também? O que é gasto com a falta de medicamento podia ser usado para comprá-los” sugeriu. “Estamos apelando uma solução. Precisamos de acesso”, concluiu.
No debate sobre outras DSTs e aids, o tom não foi diferente. “Vivemos momentos de avanços tecnológicos, mas o grande desafio é fazer com que as pessoas tenham acesso a esses benefícios. Nós, profissionais, precisamos refletir sobre o que fazemos no nosso dia a dia”, alertou Sandra Filgueiras, da gerência de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria Estadual da Saúde do Rio de Janeiro, também na mesa de abertura.
“Precisamos falar de prevenção porque ela trás resultados efetivos e é uma medida muito mais barata”, disse Tânia Justos, presidente da ASPPE (Associação Santista de Pesquisa, Prevenção e Educação em DST/Aids), promotora do evento, que reúne  gestores e especialistas das áreas saúde, educação e assistência social, do sudeste do país..
O secretário municipal de saúde de Santos, Marcos Calvo (no centro da mesana foto principal) , afirmou que o encontro, realizado pela ASPPE, acontece em um momento muito importante para a área. “Aqui, podemos dialogar sobre o que tem acontecido no campo das DSTs e trocar experiências”, disse, relembrando  o pioneirismo que o município já ocupou no combate às DST/aids.
Gionave (Gil) Casimiro, coordenador nacional de Prevenção às DSTs, Aids e Articulação Social, do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais se comprometeu a levar as demandas apresentadas no encontro para o departamento com o objetivo de responder e solucionar os problemas apresentados.

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