"De 2014 para 2015 ampliamos de 3.646 para 10.419 o acesso à PEP [profilaxia pós-exposição]. Agora, imagine os números que poderíamos alcançar se não houvesse julgamentos morais nos serviços de saúde", disse Gilvane Casimiro, coordenador nacional de Prevenção às DSTs, Aids e Articulação Social, do Departamento, durante o Encontro Regional de Inovações na Prevenção de DST/Aids e Hepatites Virais. O evento começou ontem (18), em Santos, litoral de São Paulo, e termina hoje (19).
De acordo com Gil Casimiro, como é conhecido, 515 serviços da rede pública do país afirmam ofertar a PEP. “Um dia, resolvemos ligar nesses serviços, como se fossemos usuários, para perguntar da PEP e saber como seríamos tratados. Em algumas unidades, o atendente sequer sabia o que é PEP, ou seja, era mentira que aquela unidade ofertava o medicamento. Se o atendente não sabe o que é como alguém vai fazer uso?”, questionou.
O foco da palestra do coordenador foi o alerta aos profissionais de saúde sobre a importância de um atendimento humanizado nos serviços. “As travestis, homens e mulheres trans, jovens e demais pessoas marginalizadas e discriminadas pela sociedade não buscam os serviços de saúde por causa do preconceito que existe lá. Julgar o comportamento de alguém não é o papel do profissional de saúde”, garantiu.
Epidemia entre os jovens
Segundo o coordenador, os últimos dados do Ministério da Saúde apontam que a epidemia entre o adolescente de 15 a 19 anos triplicou de 2005 para 2014. No caso dos jovens de 20 a 24, duplicou. “Não tem um por quê para esses números, mas o jovem também se acha imune, acha que não vai acontecer com ele e não se preocupa com a prevenção”, disse Gil.
Por esse motivo, Gil defende que não basta falar apenas de camisinha. “É necessário trabalhar a prevenção combinada”, insistiu. “E investir no atendimento humanizado. Enquanto, nós, profissionais de saúde, não nos despirmos de preconceitos não ofereceremos aquilo que é direito do cidadão”.
PrEP
Questionado sobre o uso da PrEP (profilaxia pós-exposição) como política pública, o coordenador confirmou o que o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais tem anunciado: “Até o final de 2016 esperamos que ela esteja instituída. As últimas reuniões analisam o que é preciso ter na rede para que possamos ofertá-la.”
Sobre a venda do teste de HIV em farmácias, Gil Casimiro contou que as análises atuais focam nas informações necessárias para a bula e um contato disponível por 24h para quem comprar e fizer o teste. “A Anvisa já aprovou. Agora, a fase é de ajustes.”
Encontro Regional de Inovações na Prevenção de DST/Aids e Hepatites Virais
18 e 19 de abril (segunda e terça-feira)
Avenida Conselheiro Nébias, 248, Vila Matias, Santos – SP (No Sindipetro)
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