sexta-feira, 20 de maio de 2016

Atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas em HIV é tema de reunião entre especialistas e governo



Indicações de uso de medicamentos para terapia de terceira linha, os resultados de estudo de resistência transmitida do HIV e os critérios para indicação de genotipagem pré-tratamento. Estes foram os principais assuntos debatidos nesta terça-feira (18), em reunião do Comitê Técnico-Assessor de atualização do PCDT (Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas ) para manejo da infecção pelo HIV em adultos, no auditório Lair Guerra, em Brasília. Participaram da reunião os técnicos do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, profissionais na área de manejo da infecção pelo HIV e representantes da Sociedade Brasileira de Infectologia e da sociedade civil.
O primeiro protocolo para HIV em adultos foi lançado em dezembro de 2013 e essa é a primeira vez que o comitê se reúne para atualizá-lo. O diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita, lembrou que essa foi uma das primeiras iniciativas da atual gestão. “Debatemos o assunto em agosto de 2013; o PCDT em adultos era inovador e o Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a testar e a tratar pacientes com HIV.”
O diretor ressaltou os enfrentamentos para a aplicação do protocolo: “Na ocasião havia uma série de desafios, como a introdução da dose fixa combinada (três em um). Hoje, já são 185 mil pessoas sendo tratadas com dose fixa combinada, com aumento expressivo na adesão e consequente supressão da carga viral”.
Durante o encontro, o comitê definiu as indicações de uso do dolutegravir na terapia de resgate (de terceira linha), conforme já aprovado pelo Conitec. Também foram apresentados os resultados do Estudo Renic (Rede de Isolamento e Caracterização do HIV para a Vigilância Epidemiológica Nacional da Fármaco-Resistência do HIV), que verifica a resistência transmitida do HIV e é coordenado pelo pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro Amilcar Tanuri. O estudo permitiu discutir critérios para indicação de genotipagem pré-tratamento num cenário de recursos financeiros escassos e de utilização do efavirenz no esquema preferencial de primeira linha.
Por fim, foi discutida a perspectiva do futuro uso de inibidores de integrase em esquemas de primeira linha, o que pode aprimorar ainda mais o tratamento em curso no Brasil e reduzir a necessidade da realização de genotipagem pré-tratamento no país.
Segundo o coordenador-geral de assistência e tratamento do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Marcelo Freitas, a discussão das mudanças nos esquemas de primeira e de segunda linhas de terapia antirretroviral mostra a preocupação quanto à revisão dos processos de tratamento. “Nós reconhecemos a necessidade de revisar os esquemas e estamos realizando uma ampla conversa, baseada nas evidências científicas e nas principais recomendações internacionais de tratamento. Nossa preocupação em relação aos debates leva em consideração que os novos antirretrovirais ainda possuem preços exorbitantes e incompatíveis com a sustentabilidade à resposta ao HIV/aids no Brasil”, afirmou

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