A Agência de Notícias da Aids publicou nesta terça-feira (3) a reportagem O Mopaids (Movimento Paulistano de Luta Contra Aids) emitiu, na tarde desta quarta (4), nota de repúdio às declarações da coordenadora do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids) de São Paulo, Maria Clara Gianna, no caso envolvendo morte de paciente no local. Na reportagem, o ativista Júlio César denuncia que viveu momentos desumanos no CRT na hora em que precisou liberar o corpo de seu companheiro, Dagoberto Veja, morto no hospital do serviço na véspera da Sexta-Feira Santa. Veja, a seguir, a nota de repúdio do Mopaids e também o que diz Maria Clara Gianna sobre o documento.
Nota de Repúdio do Mopaids pela morte de Dagoberto Vega
“O Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids – Mopaids vem, por meio desta, manifestar repúdio pela falta de humanização, respeito e pela falta da dignidade na morte do Sr. Dagoberto Vega na sexta-feira (22 de abril).
Após a notificação de morte no dia seguinte, os profissionais de saúde não prestaram a devida atenção e proteção ao Sr. Júlio Cézar, companheiro do falecido para os procedimentos de liberação do corpo.
Entendemos que a resposta dada pela direção do CRT não se atenta aos cuidados de humanização e sentimentos vividos pelo parente que lhe causou trauma emocional pelo descaso, que é doloso.
Esta é mais uma expressão lamentável da falta de humanização e da incompetência dos profissionais de saúde deste órgão.
Sobretudo, a resposta pela direção do CRT faz luz de que o fato ocorreu no final de semana e feriado. Isto nos deixa mais indignados, então as pessoas devem escolher dia para morrer? Em momento algum a carta relata sobre o ambiente (necrotério) sobre a má conservação e higiene do local.
Repudiamos veementemente os fatos ocorridos que ferem a Declaração dos Direitos Fundamentais da Pessoa Portadora do Vírus HIV/Aids.
Pedimos respeito, dignidade por Dagoberto Vega, Júlio Cesar e pelas pessoas que vivem com HIV/aids.
Manifestamos, ainda, nossa solidariedade aos familiares e amigos.”
Mopaids
Declaração de Maria Clara Gianna, do CRT
“Reafirmo tudo o que já dissemos sobre o caso e que foi publicado na reportagem da Agência Aids. Já tomamos todas as medidas consideradas cabíveis, falamos com a empresa de segurança, com os funcionários. O mais importante é ouvir o Sr. Júlio César, o que vamos fazer amanhã (quinta-feira, 5 de maio), às 10 horas. Demoramos a marcar porque não estávamos conseguindo contato com ele. Felizmente, conseguimos falar com ele hoje e dizer que estamos de portas abertas para ouvi-lo sobre o que mais podemos fazer nesse caso.”
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