sexta-feira, 13 de maio de 2016

Necessidade de novos remédios para HIV e desafios do tratamento dão tom na abertura de seminário em São Paulo



A julgar pela abertura, na noite desta quarta-feira (11), o seminário promovido pelo Foaesp (Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo) e pela RNP+SP (Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids) vai marcar um passo fundamental na luta por melhores medicamentos antirretrovirais no Brasil. É isso o que os organizadores querem e a programação tem foco nas conquistas mas principalmente nos desafios que os 20 anos de terapia antirretroviral no Brasil impõem. “Temos o melhor tratamento?” é o tema de uma das mesas de hoje (12) e das discussões que  os ativistas vêm levantando há muito tempo.
“Não temos o melhor tratamento e é por isso que estamos aqui hoje, para discutir a atualização do consenso terapêutico”, disse o ativista William Amaral, do Rio de Janeiro, integrante do Comitê Comunitário de Pesquisas da Fiocruz, que estava na plateia.  “Lá fora, muitos remédios que usamos aqui já foram até tirados de uso.”
Sim, são os remédios menos tóxicos embora mais potentes. Segundo pesquisadores, médicos,  bulas e  pacientes que os usam, eles causam menos efeitos colaterais, como destacou, na mesa de abertura, Paulo Giacomini, da RNP+SP.
“Medicamentos com menos efeitos colaterais existem e precisamos ter acesso a eles, como as pessoas lá fora têm. O tratamento como prevenção só terá êxito se houver adesão e não haverá adesão se os remédios continuarem provocando efeitos colaterais horríveis, como os pesadelos e transtornos do efavirenz. Muitos jovens o abandonam, porque passam muito mal e precisam tomá-lo escondidos da família”, disse Paulo.
A infectologista Cáritas Basso, do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, também na mesa de abertura, falou do desafio de incluir a população marginalizada na linha de cuidados. “A terapia como prevenção trouxe evidências de que beneficia quem vive com HIV. Mas ela não terá efeito se não diagnosticarmos as pessoas”, alertou a médica.
Artur Kalichman, coordenador-adjunto do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, sugeriu uma reflexão intrigante para os participantes do encontro, que acaba nesta sexta-feira (13). “Como os serviços vão ter suporte para ajudar as pessoas a tomarem medicamentos?”
Kalichman lembrou o papel de destaque que o Brasil conquistou na luta mundial contra a aids ao bancar a decisão de tratar todas as pessoas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) . “O Brasil mostrou ao mundo que um país pobre podia reverter a epidemia. Vinte anos depois, o tratamento é estratégia de prevenção.”
Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp, se disse feliz com a sala lotada de pessoas, inclusive muitas vindas de outros estados.
 Representando a deputada Maria Lúcia Amary, presidente da Frente Parlamentar de Enfrentamento às DST/HIV/Aids  do Estado de São Paulo, Carolina Wab, se colocou à disposição para ajudar “no quer for preciso”.
Teatro, música e lançamento de campanha
Antes das falas, o grupo de teatro Adolescentes Protagonistas, da Appa (Associação Prudentina de Prevenção à Aids), de Presidente Prudente (SP) fez uma apresentação adaptada da peça “Se o preconceito é a doença, a informação é a cura”, sobre um casal de namorados que se descobre soropositivo.
No fim, a ONG internacional AHF (Aids Healthcare Foundation), que atua em 36 países,  lançou a campanha “Fund the Fund”.  A diretora da entidade no Brasil, Cristina Raposo, explicou que o objetivo é pressionar os países China, Alemanha e Japão a contribuírem com mais dinheiro para o Fundo Global, para investimentos na luta contra a aids nos lugares pobres . “É uma mobilização que está acontecendo nos 36 países onde temos sede”, explicou Cristina.
A diretora da AHF Brasil distribui camisetas da campanha e pediu às pessoas que assinem uma petição para ajudar a pressionar os dirigentes destes países – a petição pode ser acessada no site da AHF.  

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