O projeto Lá Em Casa, espaço de reabilitação física e convivência para pessoas vivendo com HIV, ganhou um presente especial no fim da semana em que comemorou um ano de existência. Nelson de Moura Júnior chegou neste sábado (30) à casa para fazer massagem, relaxamento e meditação com os usuários que vão ali em busca de mais energia e saúde. A ideia é fazer sessões quinzenais, sempre aos sábados. Ele é arquiteto (de “profissão”) e terapeuta corporal (“por amor”). Tem experiência em trabalhar com soropositivos pois, por cerca de 15 anos, fez isso como voluntário no GIV (Grupo de Incentivo à Vida), em São Paulo.
Por uma dessas incríveis coincidências, Nelson foi massagista do tradutor Sérgio Tardelli, a razão de o Lá Em Casa existir. Irmão de Roseli Tardelli, idealizadora do projeto e diretora da Agência de Notícias da Aids, Sérgio morreu em consequência da aids em 1994. De lá para cá, Roseli empreendeu uma jornada de combate ao HIV. Fundou esta agência, outra similar em Moçambique, na África, fez documentários, escreveu um livro e, em 25 de abril do no ano passado, abriu as portas da casa onde passou a infância com o irmão e os pais, na Casa Verde, para abrigar o projeto que conta com academia de ginástica especializada no combate à lipodistrofia e é um lugar de convivência.
“Não é que o Nelson me abordou na fila do cinema outro dia e contou que fez massagem no Sérgio?”, conta Roseli. “Começamos a conversar, eu perguntei se ele não queria trabalhar aqui como voluntário, ele topou.”
Nelson diz que passou a trabalhar com pessoas vivendo com HIV porque tinha amigos nessa situação, numa época em que o diagnóstico do vírus era praticamente uma sentença de morte. “Eu queria dar alguma coisa de bom para aqueles amigos e percebi que adoravam as massagens, que aquilo lhes trazia um bem-estar, daí levei a experiência para o GIV.”
Mas a descoberta do talento surgiu bem antes. Em 1976, ele massageava a avó, que estava num asilo. Outras pessoas pediam. Ele foi fazendo, se interessando, estudando, participando de encontros, cursos.
“No GIV eu atendia individualmente e havia sempre uma fila. Mas hoje a tendência é atuar em grupo”, diz Nelson.
Dar e receber
Quando a sessão começou, ele explicou para os cinco usuários da “aula” de estreia que ali aconteceria uma vivência com troca de experiências. “Todo mundo vai dar, todo mundo vai receber.”
Foi o que aconteceu. Em colchonetes espalhados pelo chão, as pessoas se revezam, tocando umas as outras segundo as instruções de Nelson. No fim, todos agradecem, falam das sensações boas que tiveram. O único homem do grupo diz que se sentiu como se estivesse “levitando”. Uma moça revela que, para ela, foi como se tivesse voltado ao útero. Outra, que não tossiu, como costuma fazer sempre que está em ambiente fechado. Outra, que a pressão na perna esquerda, em função de uma neurotoxoplasmose, desaparecera.
Nelson brinca que parece que todos ali fizeram botox. Não é exagero. Os semblantes estão suavizados, confirmando o que já mais do que comprovado cientificamente: esse tipo de atividade faz bem à saúde em geral. O massagista pede que se levantem. Acontece um abraço coletivo e todos garantem que não ver perder uma oportunidade de repetir a experiêmcia. “Mas da outra vez vai ser outro trabalho”, avisa Nelson, que mistura várias técnicas em seu trabalho, como a milenar jin shin jitsu, aplicada nessa sessão e que você pode fazer. Veja como.
Dica do massagista
De origem japonesa, o jin shin jitsu se baseia no princípio de que cada dedo corresponde a um órgão e cada órgão, a um sentimento. Você pode ativar esses órgãos tocando o dedo equivalente a ele, durante o tempo que achar necessário. O ideal é envolver, um a um, todo o dedo. Comece com o mínimo (do coração, responsável pela ansiedade), passe para o anular (correspondente aos pulmões, tristeza) e siga até o polegar (estômago, do sentimento preocupação). Você pode fazer quantas vezes quiser, na hora que quiser, por exemplo, no ônibus ou quando sentar para ver a novela. Comece sempre pelo mínimo e repita nas duas mãos, tanto faz começar pela direita ou a esquerda.
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