quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Defensor dos direitos humanos e símbolo de resistência, Dom Paulo Evaristo Arns faz 95 anos


Cardeal emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns faz 95 anos nesta quarta-feira (14) com infindáveis contribuições à valorização da vida. Símbolo da resistência contra a ditadura militar no Brasil, Dom Paulo sempre se mostrou incansável na luta pelos direitos humanos e incluiu nela as pessoas vivendo com HIV/aids. Frente à disseminação da doença, em 1995, numa entrevista à "Folha de S. Paulo", ele defendeu o uso de preservativos, indo contra o que a Igreja recomendava aos fiéis. Em 2000, apoiou e compareceu ao histórico encontro "A Aids e os Desafios para a Igreja do Brasil", que aconteceu em Itaici (SP).  Foi a primeira vez que a Igreja Católica do Brasil  discutiu o controle da doença e o papel dos católicos diante da questão. Dom Paulo defendeu que a vida fosse escolhida. E recebeu dos ativistas o pedido para que contaminasse os outros líderes da Igreja com sua boa vontade.
Nascido Nascido em Forquilhinha, Criciúma (SC), numa família de 13 irmãos, ele se ordenou sacerdote em 1945. Sua opção sempre foi pelos pobres. Ele se declarava anticomunista mas, em 1964, ao tomar conhecimento das torturas nos porões da ditadura e do desaparecimento de pessoas que lutavam contra a instalação do regime, ficou do lado do povo. "Percebi que a ditadura realmente se faz à maneira hitlerista  no momento em que começaram a caçar as pessoas", declarou em entrevistas.
Em maio de 1971, ele viajou à Brasília, onde teve um encontro tenso com o general Emílio Garrastazu Médici, então na presidência. Pediu que parassem com as prisões arbitrárias, com a tortura e o desaparecimento de presos e militantes contra o governo. Dom Paulo contou que ouviu do general a seguinte resposta: "Nós não arredamos nem um milímetro. O senhor fique no seu lugar, na sacristia, que nós sabemos o que fazer."
O líder religioso conta que pensou: "Meu Deus, a Igreja está realmente na frente de uma pessoa que quer derrubá-la". Mas ele seguiu firme com seus princípios de respeito e defesa dos direitos humanos e essa história estará, até o fim do ano, nos cinemas, num documentário chamado "Coragem, as muitas vidas do Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns".
O filme foi feito pelo jornalista Ricardo Carvalho, que trabalhou durante muitos anos cobrindo a área de direitos humanos, e autor do livro "O Cardeal da Resistência, as muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns" . O autor/cineasta contou à TV Brasil que entrevistou o cardeal em junho e ficou impressionado com a sua lucidez.

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