Um novo estudo da Escola Fielding de Saúde Pública da Universidade da Califórnia (UCLA) sugere a modificação de diretrizes federais de saúde relacionadas ao uso de profilaxia pré-exposição para prevenir a transmissão do HIV, porque os padrões atuais podem deixar de incluir algumas pessoas que deveriam estar nele. A profilaxia pré-exposição, ou PrEP, é uma medida que provou ser altamente eficaz na prevenção da transmissão do HIV durante as relações sexuais desprotegidas. Embora não inteiramente infalível, estudos têm demonstrado que tomar doses diárias de tenofovir disoproxil-emtricitabina, ou Truvada, é 92 por cento eficaz na prevenção da infecção pelo HIV quando tomado correta e consistentemente.
Desde 2012, os Centros dos para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos têm recomendado a PrEP para homens gays ou bissexuais que tiveram sexo anal sem preservativo ou foram diagnosticados com uma infecção sexualmente transmitida nos últimos seis meses. O CDC também recomenda a PrEP para homens HIV-negativos que fazem sexo com homens (HSH) e que estão em um relacionamento com um parceiro HIV-positivo.
O estudo da UCLA, publicado na edição de janeiro da revista Sexually Transmitted Diseases, sugere que essas diretrizes não se aprofundam o suficiente, porque omitem características importantes que poderiam colocar alguém em alto risco de se infectar com o vírus que causa a aids. Trabalhando com o Centro LGBT de Los Angeles, os pesquisadores desenvolveram uma calculadora de avaliação de risco on-line, disponível hoje, que poderia preencher essa lacuna.
"Até onde sabemos, esta Calculadora PrEP é a primeira de seu tipo a ser baseada em dados do mundo real", disse Robert Weiss, co-autor do estudo e professor de bioestatística da Fielding School. "Esperamos que a calculadora da PrEP permita que mais HSH tomem uma decisão mais informada antes de decidir se a PrEP é ou não adequada para eles".
O Centro LGBT de Los Angeles é um dos maiores fornecedores de testes de HIV no Condado de Los Angeles para homossexuais, bissexuais e HSH, com aproximadamente 13.000 clientes individuais atendidos anualmente, contoue o principal autor Matthew Beymer, um pós-doutorando no departamento de medicina, divisão de doenças infecciosas, na Escola de Medicina David Geffen da UCLA.
Entre janeiro de 2009 e junho de 2014, o centro coletou dados sobre vários fatores comportamentais de risco para HIV entre os usuários em cada visita. O pessoal do centro usou dados comportamentais e resultados de testes de HIV para determinar quais características diferenciavam HSH que eram HIV-negativos quando o estudo começou e subseqüentemente testaram positivo para HIV durante uma visita de acompanhamento daqueles que permaneceram HIV-negativos no decorrer das visitas.
Usando esses dados os pesquisadores construíram um algoritmo de risco para HIV, que eles usam como um mecanismo padronizado para recomendar PrEP para usuários do Los Angeles LGBT Center. Ao contrário das diretrizes dos CDC, eles fizeram perguntas importantes sobre uma série de fatores que poderiam expor as pessoas a um maior risco de infecção, incluindo o uso de substâncias, o número de parceiros sexuais, idade e raça ou etnia e outros fatores de nível de parceiro.
Os pesquisadores descobriram que, se a PrEP tivesse sio dada a todos os indivíduos que tinham uma pontuação de risco maior ou igual a cinco na escala do teste - 51 por cento daqueles que usaram a calculadora -, então 75 por cento das infecções por HIV teriam sido evitadas durante o acompanhamento, considerando uma adesão adequada ao regime e uma eficácia quase completa.
Isso fez com que o modelo dos pesquisadores fosse melhor do que as diretrizes dos CDC, pois levava em conta comportamentos que não são considerados nas diretrizes atuais.
Com base nesses achados, eles desenvolveram a calculadora de risco. Os pesquisadores então avaliarão se os homens que têm relações sexuais com homens o consideram útil para determinar se devem começar a tomar PrEP. Mesmo até setembro de 2016, 20% dos usuários Centro LGBT de Los Angeles não tinham certeza se a PrEP seria adequada para eles, disse Beymer.
"As conclusões deste estudo permitirão aos HSH determinar o seu risco global para o HIV com base em seus próprios dados e dados anteriores recolhidos no Centro LGBT de Los Angeles”, disse Beymer. "Em última análise, esta pontuação de risco para o HIV pode ser usado pelo usuário para determinar se a PrEP é certa para eles."
Beymer disse que uma limitação desta calculadora é que ela pode não ser apropriada para indivíduos heterossexuais e trans, usuários de drogas injetáveis ??ou pessoas que vivem fora de Los Angeles. Além disso, não considera situações em que os homens HIV-negativos estão em relacionamentos de longo prazo com homens HIV-positivos.
Este trabalho foi apoiado pelo Centro de Identificação, Prevenção e Tratamento do HIV; pelo Instituto Nacional de Saúde Mental; pelo Centro para a Pesquisa da Aids da UCLA; e pelo Programa de Treinamento da Sociedade de Pós-Doutorado em Pesquisa Global de Prevenção em HIV da UCLA.
Os co-autores do estudo são Catherine Sugar, Linda Bourque, Gilbert Gee, Donald Morisky, Suzanne Shu e Marjan Javanbakht da UCLA e Robert Bolan do Centro LGBT de Los Angeles.
Fonte: UCLA Newsroom
Nenhum comentário:
Postar um comentário