A busca pela vacinação contra a febre amarela aumentou consideravelmente nos últimos meses. O motivo: algumas regiões silvestres, rurais ou de mata no Brasil vivem um surto da doença. O medo de contrair a febre amarela tem lotado os serviços de saúde no país. Até agora, casos da doença foram notificados nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo, Distrito Federal, Goiás, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) passou a recomendar que viajantes internacionais que queiram ir aos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo tomem a vacina contra a febre amarela. A nova recomendação é feita com exceção às áreas urbanas das cidades de Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), São Paulo (SP) e Campinas (SP).
Segundo o infectologista José Valdez Madruga, diretor da Unidade de Pesquisa de Ensaios Clínicos do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids) de São Paulo, as pessoas vivendo com HIV/aids podem se vacinar contra a doença, mas o CD4 (células de defesa) do paciente deve ser maior do que 350. "A vacina não é indicada para o paciente com baixa imunidade", explicou o especialista.
Valdez disse ainda que nem todas as pessoas vivendo com HIV precisam se vacinar neste momento. "A prioridade é vacinar quem mora ou vai viajar para as regiões onde se concentram os casos, como no leste de Minas Gerais, e Presidente Prudente [SP], por exemplo."
O médico Artur Kalichman, coordenador-adjunto do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, disse que independentemente da indfecção pelo HIV, a vacina apresenta risco para qualquer pessoa com baixa imunidade. "O CD4 acima de 350, a pessoa com o sem HIV, o risco é igual para os efeitos colaterais."
Ainda segundo Artur, "a vacina é in vitro, ou seja, feita do vírus vivo atenuado, e tem efeitos colaterais potencialmente graves. "Ela pode produzir a própria doença que ela justamente quer evitar, que é a febre amarela", explica.
Vacinação
A imunização contra a febre amarela faz parte do calendário nacional e está disponível nos postos de saúde. Tomar a vacina é a principal forma de prevenção contra a doença.
A transmissão da doença ocorre pela picada dos mosquitos Haemagogus e Sabathes. O Aëdes aegypti também é transmissor da febre amarela, mas apenas em área urbana.
Vale lembrar que, em situações de emergência, a vacina pode ser administrada já a partir dos 6 meses. O indicado, no entanto, é que bebês de 9 meses sejam vacinados pela primeira vez. Depois, recebam um segundo reforço aos 4 anos de idade. A vacina tem 95% de eficiência e demora cerca de 10 dias para garantir a imunização depois da primeira aplicação.
Pessoas com mais de 5 anos de idade devem se vacinar e receber a segunda dose após 10 anos. Idosos precisam ir ao médico para avaliar os riscos de receber a imunização.
Por causar reações, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a vacina para pessoas com doenças como lúpus e câncer, devido à baixa imunidade, nem para quem tem mais de 60 anos, grávidas e alérgicos a gelatina e ovo.
De dezembro de 2016 até 17 de março deste ano, o Ministério da Saúde recebeu 1.561 notificações de casos suspeitos de febre amarela no Brasil. Destes, 448 foram confirmados, 850 são investigados e 263 foram descartados.
Em Minas Gerais, o número de casos chega a 379. O Espírito Santo tem 93 e, São Paulo, 4. De acordo com o boletim desta segunda, a taxa de letalidade da doença é de 32,1% e 188 municípios brasileiros tiveram febre amarela. Desde o início do surto, 144 pessoas morreram devido à doença no país.
Os sintomas iniciais da febre amarela incluem febre de início, súbitos calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza.
Atualmente, no Brasil só há casos de febre amarela silvestre. A doença não é contagiosa, ou seja, não há transmissão de pessoa a pessoa. É transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus.
Clique aqui e veja se o município onde você mora ou para onde vai viajar tem recomendação da vacina.
Além dos municípios que têm recomendação para a vacina, como medida de prevenção, 14 municípios do noroeste do Rio de Janeiro e 26 municípios do oeste do Espírito Santo estão vacinando a população que mora próximo à divisa do leste de Minas Gerais com casos suspeitos.
Os seguintes estados não estão na área de recomendação para a vacina: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
Leia aqui a história da febre amarela no Brasil.
Dica de entrevista
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Redação da Agência de Notícias da Aids (imprensa@agenciaaids.com.br) com informações do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCS), portal da Unesp e Agências .
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