Cerca de 100 representantes do movimento social de luta contra a aids de vários municípios de São Paulo e da região Sudeste ocuparam, na noite dessa quinta-feira (10), a calçada da Prefeitura de São Paulo, no viaduto do Chá (região central), em um ato de defesa da política de aids no Brasil. Com gritos de "fora, Temer", "nenhum direitos a menos" e "o SUS pira, mas não morre", os ativistas denunciaram a falta de kits para exame de carga viral - teste que calcula a quantidade de vírus HIV no sangue e o baixo estoque de remédios que compõem o tratamento contra a aids no país. "Estamos lutando para evitar o retrocesso, corremos o risco de não termos mais a garantia do acesso ao tratamento", desabafou o professor Veriano Terto, da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids). "Hoje, vivemos a epidemia da politicagem, estamos perdendo direitos conquistados, o Departamento de Aids tem nos ignorado e sucateado a nossa luta virando um departamento de amigos", completou José Araújo Lima, coordenador do Movimento Paulistano de Luta contra a Aids.
Em frente à Prefeitura, Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp (Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo) explicou: “A aids ainda é um problema de saúde pública, estamos aqui porque não admitimos o desmonte do SUS. O acesso a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, por isso, vamos cobrar dos governos federal, estadual e municipal que enfrentem com eficiência a aids e promovam melhor assistência e melhor prevenção.” Do Grupo Pela Vidda Rio de Janeiro, Márcio Villard concordou com Rodrigo. "A nossa luta maior é para manter o SUS."
Durante toda a passeata - que seguiu até o Teatro Municipal de São Paulo, os manifestantes entoaram palavras de ordem como “Tenho aids, tenho pressa, saúde é o que interessa”. E carregaram cruzes, faixas e cartazes com dizeres como "Não ao PL 195/2015! Não se combate a epidemia de aids com criminalização", “Não se fala sobre aids nas escolas”, “Não se fala da humanização dos serviços” e “Não se fala sobre PEP”.
O professor Jorge Beloqui, ativista do GIV, disse que os serviços de saúde vêm piorando, dia a dia, e que quase 15 mil pessoas morrem no Brasil todos os anos em decorrência da aids. "A ONU lançou metas para controlar a epidemia, mas queremos metas de redução da mortalidade. Só em São Paulo, cinco antirretrovirais estão com estoque crítico: etravirina, 3 em 1, biovir, kaletra e o tipranavir. A crise no SUS atinge a aids, não aceitaremos nenhum direito a menos." De acordo com os manifestantes, morrem no Brasil quase duas pessoas por hora em decorrência da doença.
Rodrigo Pinheiro disse que o Foaesp e a Anaids vão enviar um documento ao Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais e aos Programas Estadual e Municipal de DST/Aids com todas as demandas do movimento social. Entre outras reivindicações, os ativistas pedem a garantia do acesso ao tratamento e denunciam a falta de medicamentos e insumos no Brasil. "Não vivemos em nenhum país das maravilhas, o Brasil não é exemplo, muito ainda precisa ser feito para garantir um mínimo de qualidade de vida", diz o documento.
Os militantes encerraram o ato em frente ao Teatro Municipal de São Paulo e fizeram um minuto de silêncio em homenagem aos que morreram em decorrência da aids.
Atos como este aconteceram em várias capitais brasileiras, como Rio de Janeiro e Fortaleza. A mobilização nacional foi chamada pela Articulação Nacional de Luta Contra a Aids (Anaids) justamente na semana em que a morte de Herbert de Souza, o Betinho (1935-1997) completou 20 anos. Betinho foi um dos maiores combatentes na luta contra a aids e fundador da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA).
Dica de entrevista
Foaesp (Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo)
Tel.: 3334-0704
Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)
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