Observando os estereótipos e preconceitos relacionados às pessoas que vivem com HIV, o fotógrafo Dy Soares criou a exposição Reflexos Positivos. O trabalho, segundo o autor, busca alertar a população de que “hoje as pessoas com HIV não têm mais a cara da epidemia dos anos 80” e muito avanço foi conquistado desde o período. O projeto é baseado na estética do nu artístico com modelos homossexuais, transexuais, heterossexuais, religiosos e soropositivos e negativos ao vírus. A exposição pode ser vista gratuitamente, a partir da próxima segunda-feira (7) até sexta-feira (11), das 14h30 às 20h, no GIV (Grupo de Incentivo à Vida), em São Paulo.
“Ela acontece dentro de uma estrutura de vidro reflexivo. O espelho é para que as pessoas se vejam e assim possam refletir sobre a formação dos estereótipos direcionados aos portadores do vírus. Os mais diversos corpos e pensamentos foram inseridos nesse projeto para mostrar que todos somos vulneráveis à infecção”, explica Soares.
O fotógrafo conta que já presenciou e ouviu muitos relatos de preconceitos sofridos pela população LGBT e soropositiva. Por este motivo, ele desejava fazer um trabalho que apresentasse um aspecto social. “Eu já vi professor discriminar aluna porque ela é homossexual. Eu queria mostrar que nós LGBTs estamos aqui. No entanto, quando você digita homossexual numa pesquisa a primeira coisa que aparece é o HIV. E para o HIV são corpos fragilizados como nos anos 80. Eu quis trabalhar esse olhar”.
Estrutura da exposição/Dy Soares
A campanha Um Cartaz HIV Positivo, realizada pelo GIV e ganhadora de um Leão de Bronze em Cannes (2015), foi uma das inspirações do artista. A frase “Se o preconceito é uma doença, a informação é a cura”, tema desta campanha é central no trabalho de Dy Soares: “Eu me emociono ao falar dessa campanha e sou apaixonado por ela. Assisti no final de 2015 e mexeu comigo. Eu pesquisei mais sobre HIV e acabei com meus preconceitos por causa dela. Depois, eu queria saber o que era o GIV e virou uma relação de amor. Eu usei a frase porque pensei ‘se as pessoas buscassem informação, outras não sofreriam preconceito’”.
Soares espera um dia poder expor em um lugar grande, onde pessoas que não convivem com o HIV possam ter acesso. “Eu queria poder conversar com essas pessoas e tentar vencer esse preconceito. Eu não quero ser visto só como um fotógrafo, mas como quem se importa e quer que mais pessoas se importem também.”
Dy Soares trabalha com fotografia há três anos. A exposição faz parte de um projeto de conclusão de curso. São 38 fotografias de 16 modelos. O trabalho Reflexos Positivos já esteve na ETEC de Carapicuíba (onde fez o curso) e no Espaço Vivarte. Agora segue para o GIV.
Dy Soares, autor da exposição
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