Nos últimos dez anos, o número de imigrantes no Brasil aumentou em 160%, segundo dados da Polícia Federal. No ano de 2015, 120 mil estrangeiros entraram com visto de permanência no país e esse ranking é liderado por haitianos que sofreram com furacões e terremotos fazendo com que muitos viessem ao Brasil em busca de novas oportunidades e um local mais seguro para viver.
Já morando no Brasil, eles começaram a procurar os centros de saúde por diferentes motivos, principalmente por gravidez, e foi então que os profissionais brasileiros se deram conta de que não estavam preparados para receber esse público.
Baseada em sua experiência no estado do Rio Grande do Sul, Simone Ávila, assesora da secretaria municipal de Porto Alegre, conta que o primeiro impacto foi a dificuldade com a língua. "Os profissionais de saúde não sabiam como conversar com eles, não conseguiam estabelecer uma comunicação."
Diante desse quadro, o ministério público começou a promover ações para preparar as unidades para receber e atender a demanda desses imigrantes. Dentre as principais barreiras estavam, além do idioma - que é o criolo ou o francês no caso dos haitianos, a documentação - porque os profissionais tinham dificuldades em fazer o cartão do SUS para estrangeiros, o isolamento da família, racismo, medo e insegurança dos pacientes.
Além disso, os profissionais de saúde precisam entender e se adaptar às diferenças culturais.
Simone conta que durante um treinamento para haitianos muitos ficaram constrangidos ou desconfortáveis devido ao fato de uma mulher estar falando sobre sexualidade com eles. "Esse desconforto só foi amenizado depois que um homem, que falava o idioma, conversou com eles. Não tenho ideia do que ele falou, mas depois disso começaram a prestar mais atenção e a interagirem, fazerem perguntas".
Em uma outra experiência, a assessora conta que esteve com um senegalês que era muçulmano e, de início, recusou a camisinha, devido às suas premissas religiosas, mas como a religião muçulmana permite relações poligâmicas (permite que o homem se case com até 4 mulheres) essa também se tornou uma preocupação.
Levar informação até o local de trabalho desses imigrantes, inclusive através de oficinas e semanas de prevenção de acidentes, é muito importante. "Porque até fazer o curso, os haitianos não iam aos posto de saúde. Os cursos fizeram com que nossa comunicação melhorasse e eles ficassem mais alegres também", disse Simone enquanto contava a experiência de um profissional de saúde que disse perceber o brilho no olhar de uma haitiana quando falaram sua língua.
Por isso, "nosso principal desafio é prestar um serviço de qualidade, conseguindo entender e atender a necessidade do pacientes, evitando erros de diagnóstico por não compreender o paciente".
Serviço:
11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais
De 26 a 29 de setembro
Expo Unimed (Rua Professor Viriato Parigot de Souza, 5300)
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