sábado, 4 de fevereiro de 2017

Pessoas com HIV podem se vacinar contra a febre amarela, mas CD4 deve ser maior do que 350, explica o infectologista Valdez Madruga


A busca pela vacinação contra a febre amarela aumentou consideravelmente no último mês. O motivo: algumas regiões silvestres, rurais ou de mata no Brasil vivem um surto da doença. O medo de contrair a febre amarela tem lotado os serviços de saúde no país. Até agora, casos da doença foram notificados nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, São Paulo, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Segundo o infectologista José Valdez Madruga, diretor da Unidade de Pesquisa de Ensaios Clínicos do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids) de São Paulo, as pessoas vivendo com HIV/aids podem se vacinar contra a doença, mas o CD4 (células de defesa) do paciente deve ser maior do que 350. "A vacina não é indicada para o paciente com baixa imunidade", explicou o especialista.
Valdez disse ainda que nem todas as pessoas vivendo com HIV precisam se vacinar neste momento. "A prioridade é vacinar quem mora ou vai viajar para as regiões onde se concentram os casos, como no leste de Minas Gerais, e Presidente Prudente [SP], por exemplo."
Vacinação
A imunização contra a febre amarela faz parte do calendário nacional e está disponível nos postos de saúde. Tomar a vacina é a principal forma de prevenção contra a doença.
A transmissão da doença ocorre pela picada dos mosquitos Haemagogus e Sabathes. O Aëdes aegypti também é transmissor da febre amarela, mas apenas em área urbana.
Vale lembrar que, em situações de emergência, a vacina pode ser administrada já a partir dos 6 meses. O indicado, no entanto, é que bebês de 9 meses sejam vacinados pela primeira vez. Depois, recebam um segundo reforço aos 4 anos de idade. A vacina tem 95% de eficiência e demora cerca de 10 dias para garantir a imunização depois da primeira aplicação.
Pessoas com mais de 5 anos de idade devem se vacinar e receber a segunda dose após 10 anos. Idosos precisam ir ao médico para avaliar os riscos de receber a imunização.
Por causar reações, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não recomenda a vacina para pessoas com doenças como lúpus e câncer, devido à baixa imunidade, nem para quem tem mais de 60 anos, grávidas e alérgicos a gelatina e ovo.
Sintomas
Os sintomas iniciais da febre amarela incluem febre de início, súbitos calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza.
Atualmente, no Brasil só há casos de febre amarela silvestre. A doença não é contagiosa, ou seja, não há transmissão de pessoa a pessoa. É transmitida somente pela picada de mosquitos infectados com o vírus.
Clique aqui e veja se o município onde você mora ou para onde vai viajar tem recomendação da vacina.
Além dos municípios que têm recomendação para a vacina, como medida de prevenção, 14 municípios do noroeste do Rio de Janeiro e 26 municípios do oeste do Espírito Santo estão vacinando a população que mora próximo à divisa do leste de Minas Gerais com casos suspeitos.
Os seguintes estados não estão na área de recomendação para a vacina: Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe.
História da febre amarela no Brasil
A febre amarela é uma doença existente há séculos. Na década de 1880, supôs-se que o agente causador da doença pudesse ser um microorganismo. O primeiro relato internacional que contestava a ideia de febre amarela como doença contagiosa foi feito por um médico da Ilha de Cuba, Juan Carlos Finlay, em 1881.
No Brasil, o famoso médico brasileiro Emílio Ribas era um dos que acreditavam em contágio, até que vivenciou uma experiência na cidade de Jaú (SP), em 1896. Naquele ano, uma epidemia assolou a cidade e ele, por falta de condições, viu-se obrigado a reunir crianças órfãs em um hospital de isolamento repleto de vítimas da febre amarela. Para sua surpresa as crianças não adoeceram.
Algumas alusões a pernilongos como transmissores começaram a surgir no Brasil ao final do século 19, mas como “um mal” que estaria nas águas. As primeiras observações mais cuidadosas e seguidas de testes para verificação, que evidenciavam o papel dos pernilongos na transmissão da doença, mas não a partir da água e sim de pessoas doentes, foram feitas por Finlay, em continuação aos seus estudos.
Uma descoberta feita em 1878, de que um mosquito era o responsável pela transmissão de uma outra doença, a filariose humana, serviu de apoio a Finlay , que testou a espécie Aëdes aegypti , conhecida primeiro como Culex fasciatus , depois Stegomia fasciata , na transmissão da febre amarela.
No entanto, experimentos com todos os testes rigorosamente planejados e conduzidos em Cuba só foram feitos em 1900, por uma equipe americana que se guiou pelos conhecimentos de Finlay. Os resultados foram apresentados em um congresso realizado em fevereiro de 1901, confirmando as descobertas de Finlay. A partir daí iniciou-se uma campanha radical em Cuba para o controle do Aëdes aegypti, que até outubro do mesmo ano livrou Havana de tantas mortes por febre amarela.
Em 1903, o médico Oswaldo Gonçalves Cruz é nomeado diretor geral de Saúde Pública. Poucos dias após assumir, ele apresenta medidas profiláticas que acreditava necessárias no controle da febre amarela. Oswaldo Cruz conhecia os trabalhos de Finlay e da equipe americana, cujos resultados divulgou no Brasil para os demais médicos.
Em 1903, ele consegue controlar a febre no Brasil. Seu feito foi mundialmente reconhecido. Em 1928, ela ressurge no Brasil e na África, quando novas facetas do seu ciclo foram descobertas. Neste ano, a doença causou 436 mortes no Brasil. Uma campanha nacional contra a febre começa no país, por meio de um contrato assinado com a Fundação Rockfelle.
Max Theiler e Henry Smith, da Fundação Rockefeller, pesquisavam um imunizante da doença. Em 1936, eles chegaram à cepa 17D da febre amarela, vírus atenuado por passagens em cérebro de ratos e em embrião de pinto. No ano seguinte, a vacina foi testada pela primeira vez no Brasil.
Em 1940, foi desenvolvido estudo de campo no sul de Minas Gerais, com a imunização de mais de 5 mil pessoas. A pesquisa deu subsídios para os últimos ajustes na forma final da vacina.
Após ampla campanha de combate ao Aëdes aegypti, em 1957, essa espécie foi declarada erradicada do Brasil, na XV Conferência Sanitária Pan-americana.
Depois dessa data, o país teve alguns picos da doença. Em 1993, foram 83 casos registrados e em 1999, 76. A última epidemia da doença no país aconteceu nos anos de 2008 e 2009, com 46 e 47 casos, respectivamente. No ano passado, foram sete registros, com cinco mortes.
Atualmente, o Brasil vive um novo surto, considerado o maior na história, desde 1980. Segundo o Ministério da Saúde, desde 2015, foram 921 notificações da doença; destas, 161 tiveram resultado positivo para o vírus e 702 ainda estão em investigação.

Dica de entrevista
CRT – Assessoria de Imprensa
Tel.: (11) 5087-9907
E-mail: imprensa@crt.saude.sp.gov.br
Redação da Agência de Notícias da Aids

Blog da Saúde: Fiocruz lança livro "Políticas de Controle do HIV/Aids no Brasil e em Moçambique"

Uma reflexão menos cuidadosa pode induzir à falsa impressão de que a epidemia de HIV/aids está sob controle a ponto de não chamar mais a atenção dos países como outrora. Entretanto, se o objetivo de acesso ao tratamento a 15 milhões de pessoas soropositivas até 2015 foi plenamente alcançado, novas metas se impõem. “O novo desafio é o chamado ‘90-90-90’, que inclui 90% das pessoas vivendo com HIV conhecedoras do seu estado; 90% de todas as pessoas com diagnóstico de infecção pelo HIV recebendo terapia antirretroviral; e 90% de todas as pessoas que recebem terapia antirretroviral atingindo a supressão viral”, afirmam Nair Teles, Jairo Jacques da Matta e Wanda Espírito Santo, pesquisadores do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e organizadores do livro “Políticas de Controle do HIV/Aids no Brasil e em Moçambique”, lançamento da Editora Fiocruz.
Apesar dos avanços no enfrentamento do HIV/aids, as disparidades entre as regiões permanecem significativas. A África subsaariana registrou conquistas importantes nos últimos anos, como aumento de cobertura com a introdução da terapia antirretroviral, redução do número de novas infecções e diminuição da mortalidade por HIV/aids. Contudo, “o continente do qual Moçambique faz parte continua sendo a área mais afetada pelo HIV, pois aí residem mais de dois terços das pessoas vivendo com a doença”, dizem os organizadores do livro. Moçambique é o terceiro país com maior taxa de soroprevalência estimada entre a população adulta, atrás apenas de Lesoto e Suazilândia.
Destaca-se que o enfrentamento do HIV/aids compõe os planos de combate à miséria do governo moçambicano, “pois os altos níveis de soroprevalência estão presentes em áreas onde a pobreza também apresenta elevados índices”. Além disso, as políticas de saúde precisam considerar as questões étnicas e tribais, com suas respectivas expressões culturais e religiosas, que constituem importantes elementos no cotidiano dos indivíduos. “Sobretudo no que diz respeito aos temas relacionados ao HIV/aids, que remetem a valores e comportamentos conjugais e sexuais, ensejando práticas sociais referentes a mitos e tabus que envolvem questões ligadas a gênero, relações intergeracionais e de trabalho”, assinalam os organizadores.
Quanto às iniciativas brasileiras voltadas para a redução do HIV/aids, elas são positivamente reconhecidas em âmbito mundial, contando com a participação do Estado, da sociedade civil e da comunidade científica. O país, por exemplo, disponibiliza a terapia antirretroviral para todos os pacientes assim que a doença é diagnosticada. No entanto, “o índice de novos infectados no Brasil subiu 6% entre 2005 e 2014, tendência contrária a verificada na maioria dos países”, alertam os organizadores.
Na passagem do século 20 para o 21, a epidemia de HIV/aids no país começou a adquirir diferentes contornos, expandindo-se nas regiões Norte e Nordeste; em indivíduos acima de 50 anos, notadamente heterossexuais masculinos; entre jovens de 15 a 24 anos; e também entre mulheres, atingindo, em particular, aquelas em situação de pobreza. Em 2014, o Brasil foi responsável por 43% do número de pessoas vivendo com HIV e por quase 40% das mortes relacionadas à aids no continente latino-americano.
Políticas de Controle do HIV/aids no Brasil e em Moçambique descortina os distintos contextos e experiências dos dois países, mas apresenta também as relações entre eles, que não são de agora. A Fiocruz tem um escritório regional em Moçambique, além de diversas parcerias com instituições do país africano. E o livro publicado pela Editora Fiocruz é mais um dos frutos dentro desse processo de colaboração mais amplo. A obra é resultado de uma das várias atividades previstas no âmbito de uma cooperação técnica entre a Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, de Moçambique, e a Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz).
Assinada por docentes de ambas as instituições, a coletânea aborda temáticas variadas consideradas relevantes pelas respectivas nações. Entre essas temáticas destacam-se as relações sociais e comunitárias, a participação social e as características dos sistemas e das políticas de saúde inerentes a Brasil e Moçambique. Os capítulos “proporcionam um panorama daquilo que em ambos os países é hoje prioritário e que, em certa medida, dialogam entre si. Em ambos há um eixo comum: a certeza de que a saúde é um direito humano inalienável”, resumem os organizadores.
Veja como comprar o livro aqui.

Fonte : Blog da Saúde - Ministério da Saúde

Por que fazer o teste de aids

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Saber do contágio pelo HIV precocemente aumenta a expectativa de vida do soropositivo. Quem busca tratamento especializado no tempo certo e segue as recomendações do médico ganha em qualidade de vida.
Além disso, as mães soropositivas têm 99% de chance de terem filhos sem o HIV se seguirem o tratamento recomendado durante o pré-natal, parto e pós-parto. Por isso, se você passou por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido ou compartilhado seringas, faça o exame!
O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue. No Brasil, temos os exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em até 30 minutos, colhendo uma gota de sangue da ponta do dedo. Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento - CTA (ver localização pelo país). Os exames podem ser feitos inclusive de forma anônima. Nesses centros, além da coleta e da execução dos testes, há um processo de aconselhamento, antes e depois do teste, para facilitar a correta interpretação do resultado pelo paciente. Também é possível saber onde fazer o teste pelo Disque Saúde (136).A infecção pelo HIV pode ser detectada com, pelo menos, 30 dias a contar da situação de risco. Isso porque o exame (o laboratorial ou o teste rápido) busca por anticorpos contra o HIV no sangue. Esse período é chamado de janela imunológica.

O QUE E A AIDS E HIV - tire suas duvidas

O que é HIV

HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. Causador da aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. E é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.
Ter o HIV não é a mesma coisa que ter a aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas, podem transmitir o vírus a outros pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações. 
Biologia – HIV é um retrovírus, classificado na subfamília dos Lentiviridae. Esses vírus compartilham algumas propriedades comuns: período de incubação prolongado antes do surgimento dos sintomas da doença, infecção das células do sangue e do sistema nervoso e supressão do sistema imune.


O que é a AIDS

A aids é o estágio mais avançado da doença que ataca o sistema imunológico. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, como também é chamada, é causada pelo HIV. Como esse vírus ataca as células de defesa do nosso corpo, o organismo fica mais vulnerável a diversas doenças, de um simples resfriado a infecções mais graves como tuberculose ou câncer. O próprio tratamento dessas doenças fica prejudicado.
Há alguns anos, receber o diagnóstico de aids era uma sentença de morte. Mas, hoje em dia, é possível ser soropositivo e viver com qualidade de vida. Basta tomar os medicamentos indicados e seguir corretamente as recomendações médicas.
Saber precocemente da doença é fundamental para aumentar ainda mais a sobrevida da pessoa. Por isso, o Ministério da Saúde recomenda fazer o teste sempre que passar por alguma situação de risco e usar sempre o preservativo.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Comitê reúne-se em Genebra para fortalecer modelo de programa da ONU sobre aids


Um comitê especial iniciou em Genebra, na Suíça, as deliberações sobre como fortalecer o modelo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) e alinhá-lo aos esforços internacionais para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até 2030.
O Comitê Global de Revisão sobre o Unaids inclui representantes dos Estados-membros da ONU, das populações-chave afetadas pelo HIV, das agências das Nações Unidas e de outras organizações multilaterais e fundações privadas.
O órgão é organizado por Helen Clark, presidente do Grupo de Desenvolvimento das Nações Unidas, e pelo diretor-executivo do Unaids, Michel Sidibé, e copresidido por Awa Coll Seck, ministra da Saúde do Senegal, e Lennarth Hjelmåker, embaixador sueco para a saúde global.
Na primeira reunião do comitê, realizada em 20 de janeiro em Genebra, Helen Clark convocou o painel para assegurar que o Unaids permaneça na vanguarda da reforma da ONU, enquanto Sidibé desafiou os integrantes a desenvolver ideias ousadas para o futuro do programa.
Hjelmåker cumprimentou o Unaids por sua liderança e papel central na resposta global ao HIV. Ele também enfatizou que alguns aspectos essenciais do programa precisam ser definidos e reforçados para garantir que os esforços conjuntos das Nações Unidas em relação à aids estejam completamente integrados à agenda de saúde e aos ODS.
Durante a reunião, os membros do comitê chegaram a um consenso sobre as principais questões que devem ser abordadas dentro dos três pilares fundamentais do programa: trabalho conjunto, governança, financiamento e transparência. Estas questões serão discutidas de forma mais profunda em fevereiro, após consulta virtual à sociedade civil.
O comitê se reunirá novamente em março, a fim de discutir e considerar os resultados desta consulta virtual, e decidir-se sobre um conjunto de recomendações.
“A natureza interligada da Agenda 2030 nos convoca a adotar abordagens integradas para o desenvolvimento sustentável. A resposta global à aids sempre exigiu que trabalhássemos desta maneira, especialmente no que se refere a enfrentar os fatos sociais e estruturais que contribuem para a propagação do HIV”, disse Clark na reunião.
“O programa conjunto é singular. Fomos capazes de demonstrar que podemos mobilizar diversas alianças, engajar-nos em diferentes formas de governabilidade, entregar resultados e assegurar que as pessoas não sejam deixadas para trás. É preciso preservar estes elementos fundamentais, ao mesmo tempo em que introduzimos mudanças que vão acelerar a resposta à aids”, disse, por sua vez, Michel Sidibé.

Fonte : ONU Brasil

PrEP é altamente efetiva quando tomada corretamente, afirma publicação do Unaids


Em meio ao debate nacional sobre a oferta da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no Brasil, o Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) destacou as recomendações para a utilização de PrEP reunidas na publicação Profilaxia Pré-exposição Oral: contextualizando uma nova opção de escolha, produzida em colaboração entre o Unaids, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a organização não governamental Global Advocacy for HIV Prevention (AVAC). O documento complementa as recomendações da OMS e oferece subsídios à utilização da PrEP oral na proteção de indivíduos e na contribuição para o fim da epidemia de aids.
A PrEP é o mais novo insumo entre os esforços de expansão das opções de prevenção combinada para pessoas sob alto risco de infecção pelo HIV. Os números e a cobertura da PrEP estão aumentando globalmente, mas com escala e cobertura ainda limitadas fora dos Estados Unidos. Em outubro de 2016, cerca de 100 mil pessoas estavam tomando PrEP, a maioria nos Estados Unidos. Um número significativo, mas não quantificável de pessoas tem acesso à PrEP através de meios menos regulados, como o de compras pela internet.
Segundo o Unaids, a implementação rápida de programas de PrEP regulamentados por governos irá melhorar o monitoramento e a avaliação do uso da profilaxia e seu impacto na epidemia. É necessário um esforço adicional considerável para atingir o novo objetivo global de alcançar e ofertar a PrEP a três milhões de pessoas com risco substancial de infecção pelo HIV até 2020.
PrEP é a utilização de medicamentos antirretrovirais por pessoas HIV negativas para evitar que contraiam o vírus. A OMS recomenda o uso da PrEP oral por todos os grupos populacionais sob risco substancial de infecção pelo HIV (incidência do HIV de aproximadamente de 3 em cada 100 pessoas ao ano ou mais). De acordo com o Unaids, a PrEP oral é altamente efetiva quando o medicamento é tomado regularmente. Pesquisas sobre outras formas de uso da PrEP estão em andamento.
A publicação conjunta do Unaids, OMS e AVAC apresenta, entre outras informações, quatro princípios essenciais sobre a PrEP: a PrEP tem efetividade; deve fazer parte da resposta geral ao HIV; é uma escolha de prevenção; e é para pessoas com risco substancial de infecção pelo HIV. A publicação completa está disponível em inglês aqui.

Quatro princípios essenciais para a PrEP oral

A PrEP tem efetividade
A PrEP tem efetividade na prevenção da transmissão do HIV, e não foram encontradas diferenças significativas em termos de sexo, idade ou meio de transmissão sexual. A PrEP oral foi avaliada entre gays e outros homens que fazem sexo com homens, mulheres trans, homens e mulheres heterossexuais e pessoas que usam drogas injetáveis. Em cada um desses contextos, os dados são claros: a PrEP funciona quando tomada corretamente e de forma constante.
PrEP deve fazer parte da resposta geral ao HIV
Para pôr fim à epidemia do HIV, é necessária sinergia em torno dos três zeros: zero nova infecção por HIV, zero discriminação e zero morte relacionada à aids. A implementação da PrEP deve aprimorar os programas de HIV, inclusive testagem e ampliação do tratamento, e sua disponibilização deve sempre fazer parte de uma abordagem baseada em prevenção combinada. A PrEP complementa outras abordagens de prevenção informadas por evidências, incluindo programas de preservativos e fortalecimento de capacidades para profissionais do sexo, redução de danos para pessoas que usam drogas injetáveis e esforços para mudar o contexto jurídico e social que aumenta, para muitas pessoas, o risco de contrair o HIV.
PrEP é uma escolha de prevenção
A decisão de utilizar a PrEP é do indivíduo. Quando apresentada junto com outras opções de prevenção do HIV em um ambiente livre de estigma, os indivíduos podem escolher a estratégia de prevenção mais apropriada para eles.
PrEP não é para todo mundo: é para pessoas com risco substancial de contrair o HIV
A oferta da PrEP é uma decisão que deve levar em consideração as necessidades e os benefícios (prevenção do HIV) por um lado e, por outro, danos (possíveis efeitos adversos), custos e viabilidade. As pessoas com risco substancial de contrair o HIV seriam as mais beneficiadas ao poder ter acesso à PrEP enquanto escolha adicional no leque de opções de prevenção.


Fonte : Unaids

Estadão: Temer nomeia três vice-presidentes para a Fiocruz


O presidente Michel Temer nomeou três novos vice-presidentes da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). De acordo com decretos publicados no Diário Oficial da União desta quinta-feira (02), foram nomeados Marco Aurélio Krieger, Marco Antônio Carneiro Menezes e Mário Santos Moreira.
Três vice-presidentes que ocupavam os cargos anteriormente foram exonerados: Jorge Antonio Zepeda Bermudez, Valcler Rangel Fernandes e Pedro Ribeiro Barbosa.
No início do mês, Temer nomeou a pesquisadora Nísia Trindade para o cargo de presidente da fundação. Nísia foi a mais votada em eleição interna na instituição, mas o ministro da Saúde, Ricardo Barros, trabalhou para indicar a segunda colocada, Tânia Cremonini de Araújo, o que quebraria a tradição de colocar o primeiro colocado na presidência.
Depois da notícia de que o ministro não seguiria a escolha interna, funcionários e entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) protestaram e organizaram um abaixo-assinado com mais de 6 mil assinaturas pela nomeação de Nísia, o que acabou ocorrendo.

  CNS discute desafios para garantir direito universal à Saúde em tempos de negacionismo, durante debate na UFRGS 14 de fevereiro de 2022 O ...