sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Estoque crítico de penicilina benzatina em São Paulo preocupa ativistas e governo





A ameaça de falta da penicilina benzatina no estado de São Paulo é cada vez mais eminente. Atento a isto o Programa Estadual de DST/Aids está se movimentando para garantir que o medicamento, usado no tratamento da sífilis, não falte. Na capital, a falta da penicilina já se faz sentir, foi o que afirmou o diretor da área de apoio técnico do CRT, Alexandre Gonçalves, na manhã dessa quinta-feira (10), durante reunião ordinária do Foaesp (Fórum de ONG/Aids do estado de São Paulo). Segundo ele, existem em estoque 5 milhões de doses da forma cristalina e 1,5 milhão da benzatina.
O técnico foi questionado pelos ativistas sobre os motivos deste desabastecimento e as medidas que estão sendo tomadas para enfrentar o problema. Segundo ele, a busca de estoques do Ministério da Saúde, o aguardo de liberação da Anvisa para o lote vindo da China e a possibilidade de compra direta via Secretaria Estadual de Saúde estão nas alternativas pensadas.
O presidente do Foaesp, Rodrigo Pinheiro, considera que o Brasil é dependente de outro país na elaboração do sal para o medicamento,. "Precisamos ampliar os estudos para fabricação local da matéria-prima, assim, poderemos colocar fim nesta situação." Rodrigo destacou ainda que o baixo preço do medicamento tem desestimulado os laboratórios privados a investir na fabricação. " O compromisso social destas empresas é praticamente inexistente", afirmou.
"Fora Adele"
Outro tema debatido na reunião do Foaesp foi sobre a mobilização pela saída da atual diretora do Departamento de IST/Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken. Rodrigo contou que a manifestação "Fora Adele" está sendo organizada por alguns jovens vivendo com HIV/aids de São Paulo e que este grupo procurou o Fórum e pediu apoio.
O professor Jorge Beloqui, do GIV (Grupo de Incentivo a Vida), destacou a importância de pontuar questões a serem tratadas pelo Departamento de Aids e pelo Ministério da Saúde como: regularização do fornecimento de kits para carga viral, ampliação do acesso a insumos de prevenção, garantia de direitos humanos e outros pontos. Para ele a defesa desta e outras bandeiras é maior do que a personalização em cima de nomes de dirigentes.
A ativista Margarete Preto, do Projeto Bem Me Quer, comentou que pela experiência como representante na Cams, o diálogo se ampliou nesta gestão, inclusive com a inclusão da Anaids na Cnaids, o que ela considera positiva.
Rodrigo Pinheiro também se posicionou afirmando que "não cabe a sociedade civil indicar pessoas, assim como também não cabe personalizar os problemas, temos que exigir perfil comprometido e cobrar soluções para os problemas, independente de quem for o titular."
A plenária decidiu não aderir ao movimento, mas entrará em contato com seus organizadores para saber mais detalhes da inciativa.
Coinfeção
A realidade das coinfecções envolvendo as hepatites virais e a aids também foi tratado na reunião a partir de debates ocorridos recentemente em evento satélite do Congresso da IAS, na França, e de ações já desenvolvidas pelo Projeto Bem me Quer, GIV e Foaesp.
Segundo Jorge Beloqui, a OMS estabeleceu uma meta de erradicação da hepatite C até 2030, com redução de 65% na mortalidade. Ele explicou que atualmente no Brasil existem perto de 3800 pessoas coinfectadas com HIV e hepatite C tratadas, sendo que 78% são no estado de São Paulo. Para ele, este dado mostra que o acesso para o tratamento da hepatite C continua dificultado.
A médica Leda Jamal, do CRT, apresentou dados de coinfecção TB/HIV em São Paulo e suas características sociais. Segundo ela, o estado registrou 5664 casos novos de tuberculose, em 2016, sendo 86,4% realizado exame anti-HIV e 536 diagnosticados como coinfectados (9,5%). Destes, menos de um terço estão em tratamento antirretrovirais. A intersecção com o uso problemático de álcool e outras drogas foi um dos destaques da discussão, exigindo maior sensibilização no acolhimento e tratamento por parte dos profissionais de saúde.

Dica de entrevista
Foaesp (Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo)
Tel.: 3334-0704
Liandro Lindner, especial para Agência Aids

Erong Sudeste: Redes, movimentos e Fóruns afinam parceria para uma agenda comum na luta contra a aids



A falta de diálogo entre movimentos, redes e fóruns tem enfraquecido a luta contra a aids no Brasil. A conclusão é dos ativistas que participaram na tarde dessa quinta-feira (10), em São Paulo, do debate "Diálogo para uma agenda em comum", no Erong (Encontro Regional de ONGs/Aids) Sudeste. Por quase duas horas, representantes da sociedade civil refletiram sobre o papel deles na luta contra a aids.
"Não vamos conseguir dialogar com outros movimentos enquanto não dialogarmos entre nós. A única coisa que temos em comum é a certeza de lutarmos pelo fim da epidemia de aids", disse o jovem Matheus Emilio, do Foaesp (Fórum de ONGs/Aids do Estado de São Paulo.
Representando o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas, a militante Fabiana de Oliveira criticou a ausência de pessoas vivendo com HIV/aids nesta luta. "Onde estão as pessoas soropositivas, somos tão poucos lutando por todos. É preciso desmistificar a ideia de que a aids está controlada, muitos ainda morrem em decorrência da aids todos os dias. Sem diálogo será impossível avançar.”
A falta de união também incomoda o jovem Carlos Henrique, da Rede São Paulo Positivo. "Se não dermos as mãos, seremos destruídos, vamos nos afogar. Precisamos lutar juntos pelas pautas coletivas e cobrar o nosso direito a saúde plena, o acesso à medicação, temos que construir narrativas não hegemônicas. Às vezes, a melhor defesa é o ataque."
Da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, o jornalista Paulo Giacomini também não acredita em uma agenda comum entre os movimentos sem diálogo. Paulo criticou, por exemplo, a decisão do governo de mudar a nomenclatura ‘pessoa vivendo com HIV/aids (PVHA)’ para ‘pessoa vivendo com HIV (PVHIV)’. "O Departamento decidiu mudar o nome e teve o apoio da Rede Nacional de Jovens Vivendo com HIV e das Cidadãs. Nós, da RNP, não vamos deixar o governo tirar a aids de nós. É impossível não lembrar que nos primeiros anos da epidemia só tinha acesso a medicação as pessoas com aids. Não aceitamos a justificativa de que a palavra aids causa estigma."
Paulo disse que só será possível avançar na luta se houver capacitação e se as pessoas se posicionarem politicamente. "São Paulo já está avançando na agenda comum entre os movimentos. Este ano, aconteceu o primeiro encontro da Articulação Paulista da Luta Contra a Aids."
A mudança na nomenclatura também foi criticada por outras pessoas do Erong. O ativista Márcio Villard, do Rio de Janeiro, considera que o Departamento de IST, Aids foi antidemocrático. "Eles deveriam ter feito uma chamada pública e consultado todas as pessoas vivendo com HIV/aids e não meia dúzia de movimentos."
Do Mopaids, Américo Nunes acredita que é preciso pregar humanização no próprio movimento social. "Somos sociedade civil e precisamos levantar a bandeira. Não dá mais para lutar por especificidades, a nossa luta é por prioridades."
Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp, também considera que movimento social está fragmentado. "Há pessoas que se vendem por passagens, não somos reféns do governo, o momento é de fortalecimento."
Ao fim do debate os ativistas se comprometeram em dialogar mais entre si. Mais de 100 pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas gerais participam do Erong Sudeste, na capital paulista. A delegação do Espirito Santo não está presente e justificou a ausência por falta de apoio.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

AVIP - ASSOCIAÇÃO VIDAS POSITIVAS - NESTE FIM DE SEMANA FEZ PREVENÇÃO NA PRAIA DO MEIO

                                      

  NESTE ULTIMO DOMINGO 06/08/2017 A ONG AVIP - ASSOCIAÇÃO VIDAS POSITIVAS FEZ UM TRABALHO DE PREVENÇÃO SOBRE  AS DST/AIDS E HEPATITES VIRAIS JUNTAMENTE COM SUA EQUIPE VOLUNTARIA. E ASSOCIADOS  NA PRAIA DO MEIO EM NATAL. A ONG VEM FAZENDO TRABALHO DE PREVENÇÃO HA 10 ANOS, O OBJETIVO DESSE TRABALHO E CONSCIENTIZAR A POPULAÇÃO DO USO CORRETO DO PRESERVATIVO E A IMPORTÂNCIA  QUE O PRESERVATIVO TEM EM NOS PROTEGE DAS DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS.   

Afrangel arrecada doações para crianças com HIV em Campo Grande



A Associação Franciscanas Angelinas (Afrangel), que cuida de crianças com HIV, iniciou no sábado (5) uma ação para arrecadar doações em Campo Grande.
Além de produtos de limpeza, higiene e alimentos para 47 crianças, os religiosos pedem roupas, calçados e eletrodomésticos, que serão vendidos em bazares.
O dinheiro vai custear as despesas do lar e pagar os profissionais que cuidam das crianças.
Quem mora fora de Campo Grande também pode ajudar. É só encaminhar as doações à instituição. Contribuições em dinheiro também são aceitas.
A Afrangel vai abrir as portas todo primeiro sábado do mês pra receber doações e para que as pessoas conheçam o trabalho da entidade.
Serviço
Afrangel fica na rua do Seminário, 2170 no jardim Seminário. O horário de atendimento é das 8h às 17h. Telefone para contato (67) 3365-0590.

Fonte : G1

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

França lança novo estudo de PrEP para avaliar o impacto da profilaxia sobre a epidemia de HIV



A França está lançando um novo estudo que irá envolver 3 mil novos usuários de PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV) nos próximos três anos, contou Jean-Michel Molina na 9ª Conferência Internacional em Ciência do HIV), que aconteceu no final de julho, em Paris. Enquanto estudos anteriores, incluindo o próprio estudo Ipergay de Molina, provaram o benefício da PrEP para quem faz uso da medicação, o novo estudo estabeleceu um objetivo ambicioso em relação ao benefício da PrEP para a saúde pública.  A ideia é mostrar que ter mais de 3 mil pessoas utilizando a PrEP resultará em uma queda acentuada nos diagnósticos de HIV entre os homens que fazem sexo com homens na região parisiense.
O estudo também reunirá dados sobre as melhores formas de fornecer a PrEP e sobre como envolver migrantes e outros grupos sociais que atualmente têm informação relativamente baixa da PrEP. A França foi o primeiro país europeu a aprovar a profilaxia, em janeiro de 2016. Ela está disponível através de hospitais, centros de testagem do HIV e médicos de clínica geral. O custo é totalmente reembolsado pelo sistema de saúde do país.
Uma análise de 2774 pessoas que tomaram PrEP até fevereiro de 2017 mostrou que 98% eram homens que fazem sexo com homens. Números significativos demonstraram ainda infecções sexualmente transmissíveis (36%), quimioterapia (23%) e uso prévio de PEP (11%).
O novo estudo, chamado Prévenir, vai sem concentrar na Île-de-France, no subúrbio. O HIV está concentrado na região da capital.  Dos  6 mil novos diagnósticos de HIV na França em 2015, 2500 ocorreram na Île-de-France. Os homossexuais são particularmente afetados. Uma pesquisa de 2015 descobriu que 16% dos homens em bares, clubes e clubes sexuais gay parisienses eram HIV positivos.
Houve um investimento considerável na testagem de HIV nos últimos anos e o efeito em cascata é forte - na mesma pesquisa, 92% dos homens soropositivos estavam cientes de seu status e 95% dos homens diagnosticados estavam em tratamento. No entanto, novos diagnósticos de HIV em homens homossexuais não caíram nos últimos anos. Parece que será preciso algo mais - talvez um uso maior da PrEP - para novas infecções e diagnósticos caírem.
O Prévenir está aberto a pessoas de todos os gêneros e sexualidades com alto risco de contrair o vírus da aids. No entanto, os pesquisadores esperam que homens gays sejam a grande maioria dos participantes e a medida de resultado primária do estudo diz respeito apenas aos homens que fazem sexo com homens.
Os pesquisadores querem demonstrar que a ampliação da PrEP no país reduzirá a taxa de novas infecções em homens que fazem sexo com homens na Île-de-France em 15%. A análise comparará a incidência (a taxa anual de novas infecções) em 2020 com os números atuais de incidência, combinada com alguns modelos de como a epidemia poderia evoluir ao longo do tempo.
“Ter a maior parte da distribuição da PrEP acontecendo no contexto de um estudo irá garantir que os dados sejam coletados e o lançamento possa ser monitorado”, disse Stephan Morel da Aides, ao site aidsmap.com.
Por exemplo, será possível acompanhar os esforços para envolver os migrantes, minorias étnicas, pessoas trans e profissionais do sexo com a PrEP. O número de pessoas que iniciam a PrEP seguindo diferentes tipos de atividades de divulgação e promoção será medido.
Os pesquisadores também reunirão mais dados comportamentais para dar informações sobre como as pessoas encaixam a PrEP em suas vidas sexuais e suas estratégias de redução de risco. Eles irão registrar informações sobre números de parceiros, onde eles se encontram com parceiros, uso de preservativos, infecções sexualmente transmissíveis e bem-estar sexual.
O Prévenir é um estudo de um único braço, no qual todos os participantes tomam a PrEP. No entanto, eles poderão escolher seguir o cronograma de administração "on-demand" ou "evento conduzido" para a PrEP, que foi validado em França no estudo Ipergay e que mais da metade dos usuários atuais da PrEP seguem,  ou usar a dosagem diária, como acontece em outras partes do mundo.
Conselheiros de pares da Aides ajudarão os participantes a descobrir quais os horários de dosagem melhor para eles e como eles podem por em prática. Isso é semelhante ao estudo Ipergay, no qual os treinadores de saúde sexual com base na comunidade estavam prontamente e frequentemente disponíveis aos participantes do estudo, para ajudá-los a compreender a PrEP, a adesão, o esquema de tratamento e a saúde sexual de forma mais ampla. No entanto, no Prévenir, o aconselhamento será fornecido com menos frequência e um dos objetivos do estudo é avaliar se isso tem algum impacto sobre a adesão e a eficácia da PrEP.
O projeto de demonstração será capaz de examinar se as diferenças na forma como o PrEP é fornecida têm impacto no seu sucesso. Em vários locais de estudo, o aconselhamento não será fornecido pelos conselheiros de pares da Aides, mas por equipe médica, como enfermeiras ou psiquiatras. Diferenças como essas têm um impacto na satisfação dos participantes, na retenção no estudo ou nas infecções por HIV?
O estudo está sendo conduzido pelo ANRS, a agência francesa de pesquisa sobre aids e hepatite viral, em parceria com a organização comunitária Aides. Daniela Rojas Castro, diretora de pesquisa da rede comunitária Coalition Plus e uma das principais pesquisadoras do estudo, disse ao aidsmap.com que ter integrantes da comunidade envolvidos no processo de pesquisa era importante para assegurar que novos modelos de prevenção do HIV se encaixem na vida das pessoas.
Texto: Roger Pebody
Tradução: Mauricio Barreira

Comissão de Seguridade aprova projeto que cria normas para garantir sigilo sobre portadores de HIV




A Comissão de Seguridade Social e Família aprovou o Projeto de Lei 7658/14, do Senado Federal, que proíbe a divulgação de informações que permitam a identificação da condição de portador do HIV em vários âmbitos, inclusive em processos judiciais.
Segundo o texto, hospitais, escolas, locais de trabalho, serviço público, órgãos de segurança e de Justiça e a mídia não poderão divulgar informações que permitam identificar a condição de portador de uma pessoa.
A relatora na comissão, deputada Erika Kokay (PT-DF), recomendou a aprovação da matéria. Ela disse que o projeto vem ao encontro do respeito à dignidade da pessoa vivendo com HIV, assegurando o direito inalienável à sua intimidade.
“A propositura explicita no texto da lei a obrigação de todos os trabalhadores que tomam conhecimento do estado sorológico de um indivíduo. A regra já vigia para os profissionais médicos, mas agora se torna clara para os demais profissionais da saúde e de diversos outros âmbitos”, afirmou Kokay.
Ainda segundo o projeto, serviços de saúde e planos de saúde também precisam garantir o sigilo. Nesses casos, todos os profissionais de saúde e trabalhadores da área de saúde serão responsáveis pela manutenção do sigilo da informação e poderão ser punidos com a sua divulgação.
No caso da Justiça, se durante um julgamento não for possível manter o sigilo sobre a condição de portador de HIV, apenas os advogados e interessados poderão participar da audiência. Além disso, inquéritos e processos deverão garantir o sigilo da informação.
Pela proposta, o sigilo profissional só poderá ser quebrado por justa causa ou se a pessoa quiser se identificar. No mesmo sentido, Erika Kokay apresentou emenda que autoriza também a quebra do sigilo a fim de permitir a troca de informações entre profissionais envolvidos no atendimento multidisciplinar do paciente soropositivo e, assim, assegurar maior eficácia ao seu tratamento e acompanhamento.
Quem descumprir as normas previstas no projeto, caso ele vire lei, poderá ser punido pelos crimes de divulgação de segredo ou violação de sigilo profissional, com pena de detenção de um mês a um ano. As penas serão aplicadas em dobro quando a divulgação da informação for feita de forma intencional e com o intuito de causar dano ou ofensa.
Tramitação 
A proposta será analisada ainda pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ir a voto em Plenário.

Fonte : Agência Câmara


Homem transgênero dá à luz um menino e comemora: 'Não nos contam histórias assim sobre trans'



Após ter sua gravidez acompanhada por diversos veículos de comunicação mundo afora, o casal Trystan Reese e Biff Chaplow trouxe ao mundo o tão aguardado bebê depois de 30 horas de trabalho de parto, em 14 de julho. Após o nascimento, eles falaram pela primeira vez sobre a experiência ao "Washington Post", que publicou a reportagem nessa quarta-feira (2) em seu portal. Como qualquer outro, o casal está às voltas com fraldas, lenços umedecidos e roupinhas de criança. Mas o que atraiu tanta atenção para a história é que Trystan Reese, que ficou nove meses gestante, é um homem trans.
A vontade deles de ter um filho biológico veio após a adoção de dois sobrinhos de Chaplow, em 2011. Ele conta que sua irmã não tinha mais consições de cuidar dos meninos — o motivo não é explicado — e que ele e o parceiro resolveram assumir a guarda deles.
"Depois que a poeira abaixou, eu percebi o quanto eu amava nossos filhos e o quanto de espaço havia em nossas vidas para que a família crescesse", lembrou Reese, de 34 anos, ao "Washington Post".
Reese viveu como mulher até o final da adolescência. Após aconselhamento médico e psicológico, ele começou a tomar hormônios por volta dos 20 anos de idade e passou a se identificar como homem. Ele conheceu Chaplow há quase oito anos e disse que foi "amor à primeira vista". Quando eles decidiram ter uma criança biológica, procuraram conselhos médicos. Os especialistas em reprodução disseram que, uma vez que Reese só havia passado terapia hormonal em sua transição, preparar o corpo para conceber não seria muito diferente de uma mulher que havia passado por controle hormonal para não engravidar.
Reese engravidou cerca de cinco meses depois de parar de tomar testosterona.
"Ao mesmo tempo, eu fiquei feliz e assustado. Eu queria muito ter um filho, mas sabia que era difícil. A gravidez é difícil, o trabalho de parto é difícil, e eu esperava muito que pudesse lidar com tudo", recorda Reese.
Os dois documentaram a gravidez em um blog e nas mídias sociais, na esperança de desmistificar o que significa para um homem transexual dar à luz. Ele quiseram também criar um novo senso de normalidade para pessoas em situação semelhante.
"As pessoas têm a ideia errada de que este foi um experimento que nós iniciamos", comentou Reese, acrescentando que viu amigos trans passarem pelo mesmo processo de gravidez após a transição de gênero. "Este é um "terreno" já testado. Isso é algo que foi feito de uma forma muito segura e saudável. Não queremos nos colocar na categoria de pioneiros."
Uma série de homens transgêneros passaram por gestações bem-sucedidas nos últimos anos. Alguns deles há muito tempo, pouco após o início da terapia de reposição hormonal. Em um exemplo bem conhecido, o "Village Voice" publicou uma narrativa sobre Matt Rice, um homem transgênero que concebeu em 1999 por meio de inseminação artificial e deu à luz um bebê.
Reese destacou aos "Washington Post" que jamais imaginou que experimentaria isso quando ele começou sua transição de gênero, há 14 anos.
"Poder adotar dois filhos brilhantes, engraçados e fofos era algo com o qual nunca sonhei. O fato de tudo isso ter acontecido foi uma surpresa total para mim, porque não nos contam histórias assim sobre trans... que o amor é possível, que ser uma família amorosa é possível", comentou Reese.

Fonte : O Globo

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