sábado, 11 de fevereiro de 2017

Estadão: 'Maioria dos novos médicos terá dificuldade em diagnósticos básicos'


De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, 9, pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), mais da metade dos médicos recém-formados no Estado de São Paulo em 2016 foram reprovados no exame da instituição. A aprovação, no entanto, não é exigida para o exercício da profissão.
Em entrevista ao Estado, o presidente do Cremesp, Mauro Aranha, afirma que os médicos reprovados terão dificuldades para fazer diagnósticos e tratamentos para as doenças mais comuns. Ele afirma que o Cremesp luta pela obrigatoriedade da aprovação no exame e explica como a instituição pretende fazer isso sem agravar o problema de escassez de médicos no País.
De acordo com o Cremesp, de 2.677 formados em cursos de Medicina que prestaram o exame no ano passado, 1.511 (56,4%) foram reprovados, por acertar menos de 60% das 120 questões da prova. O problema tem se perpetuado na última década. Leia, a seguir, trechos da entrevista.
O que representa esse alto índice de reprovação nos exames do Cremesp?
Esse resultado significa que mais da metade dos médicos egressos das faculdades de Medicina no Estado de São Paulo terão dificuldades para diagnosticar e tratar as condições clínicas mais comuns na população paulista. O exame do Cremesp tem complexidade de média a baixa e contempla os diagnósticos e terapêuticas atuais sobre as doenças mais encontradas na população. 
A população terá que lidar com médicos despreparados?
Alguns desses médicos, se conseguirem entrar em instituições de referência médica, vão suprir parte dessas deficiências, corrigindo-as na residência com um melhor treinamento. A princípio, todos eles podem ter acesso a um programa do Cremesp, feito em parceria com o Hospital Albert Einstein, que oferece educação médica gratuita nos temas em que eles tiveram dificuldades no exame. Mas tudo isso são medidas paliativas.
O que seria o ideal?
O ideal é que as escolas médicas estejam preparadas para formar bem os profissionais de saúde  e médicos - especialmente naquelas condições clínicas e de patologias que são epidemiologicamente mais relevantes. Se isso acontecesse, de 70 a 80 % dos casos seriam resolvidos apenas com uma boa história clínica, um bom exame físico e um conhecimento básico sobre terapêutica. É isso o que esperamos das escolas.
Pode-se dizer que os resultados das escolas privadas puxaram o desempenho geral para baixo?
Não. Se observarmos as 16 melhores colocadas - aquelas em que o total dos alunos tiveram mais de 60% dos acertos -, 10 são públicas e 6 são privadas. As escolas públicas ainda são, na média, melhores que as privadas. Mas ambas tiveram queda de rendimento.
Existe algum interesse, ou alguma iniciativa voltada para tornar o exame do Cremesp obrigatório para o exercício da profissão, como ocorre com o exame dos advogados?
Há bastante tempo se fala em tornar o exame obrigatório para o exercício. Temos nos empenhado em reincidir nessas tentativas. Nosso último contato foi com o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), para quem enviamos um anteprojeto de lei. Tivemos uma reunião institucional com o senador, que nos deu boas esperanças. Temos também o apoio formalizado da OAB-SP para que o exame seja obrigatório. Defendemos isso. E também que os egressos não aprovados só recebam o registro após sanarem essas deficiências. 
Se a aprovação no exame se tornasse obrigatória imediatamente, mais de 50% dos novos médicos ficariam sem condições de atuar. Isso não agravaria a escassez de médicos no País?
Além do exame de egressos, que tem sido feito, defendemos exames seriados. Os alunos seriam avaliados por um exame após os dois primeiros anos do curso e teriam um outro exame para avaliar o terceiro e quarto anos. Dessa forma, as escolas teriam maior oportunidade para corrigir as necessidades dos alunos. Mas isso leva um tempo. Tanto que vamos oferecer para escolas esses exames seriados já neste ano. Se isso efetivar uma melhora dos cursos, poderemos estabelecer regras de transição para que a população não fique privada de médicos e, ao mesmo tempo, para que haja um compromisso desses médicos em se requalificarem conforme as suas necessidades.

Fonte : Estadão

Exonerado, coordenador de políticas LGBT do Rio teme extinção de programas, publica Agência Brasil


O  ex-superintendente de Direitos Individuais, Difusos e Coletivos, Cláudio Nascimento, que teve a exoneração publicada na quinta-feira (9) no Diário Oficial do estado, disse nesta sexta-feira (10), em entrevista exclusiva à Agência Brasil, que se preocupa com os rumos do órgão. Ele ficou dez anos à frente da superintendência e diz que ajudou a construir a política LGBT  (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) no estado.
Nascimento disse que, desde o ano passado, o Programa Estadual Rio Sem Homofobia, uma das principais ações da superintendência, vinha funcionando graças a uma verba de R$ 2 milhões repassada pela Assembleia Legislativa do Estado (Alerj), e que ainda há cerca de R$ 500 mil para dar continuidade aos trabalhos este ano.
“É uma política pública referência, reconhecida como a melhor da América Latina, que poderia ser aplicada em qualquer país europeu. Começamos o programa do zero, não tinha nada desenhado dentro do estado e conseguimos construir o maior programa de política pública da América Latina para a comunidade LGBT. Agora, a minha grande preocupação é que o estado possa dar continuidade a essa política”.
Nascimento disse que foi avisado da demissão por um ex-secretário, que ligou para ele ontem bem cedo. Ele diz que não houve nenhuma conversa sobre os motivos da saída do cargo, nem antes nem depois da publicação, e que não houve nenhum desentendimento nem problema político com o secretário de Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Pedro Fernandes.
Ações
De acordo com Nascimento, o Programa Rio Sem Homofobia é um legado para a sociedade e conta, atualmente, com uma relação “extremamente forte” com a Secretaria de Segurança Pública, com a Defensoria Pública e com diversos municípios. “Desde 2010, quando foi lançado de fato, ultrapassou a casa de 85 mil atendimentos realizados, entre ações de formação e capacitação e atendimento de pessoas vítimas de preconceito e discriminação, atendidas pelos centros de cidadanias LGBT”.
O programa implantou, ainda, o primeiro serviço telefônico especializado da América Latina, o Disque Cidadania LGBT, “de ligação gratuita de abrangência estadual, para suporte emocional, informações de direitos e registro de denúncias de casos de violência”, e quatro Centros de Cidadania regionais, para atendimento presencial encaminhados pelo disque cidadania. “A gente entende que isso mudou o processo de participação e busca de direitos da comunidade LGBT, antes não tinha um lugar para chamar de seu e com a criação desse serviço a comunidade LGBT passou a procurar e se empoderar na busca por seus direitos e cidadania”, diz.
Nascimento também destacou a integração com outras áreas do governo, com um programa de formação continuada que capacitou, até o ano passado, 12 mil policiais civis e militares e 8 mil servidores públicos municipais na temática LBGT para lidar com este público, legislação e prática de atendimento. Também foi aprovada, em 2015, a Lei 7.041, que estabelece infrações administrativas a condutas discriminatórias motivadas por preconceito de sexo ou orientação sexual praticadas por agentes públicos.
Cláudio Nascimento agradeceu o apoio da comunidade LGBT e informou que, mesmo exonerado, está elaborando os relatórios de gestão e prestação de contas e se coloca “totalmente à disposição” para fazer a transição e repassar para o próximo gestor a situação das políticas do Programa Rio Sem Homofobia. Também disse que participará da próxima reunião do Conselho, marcada para terça-feira (14), onde deve entregar o cargo de coordenador executivo do colegiado e apresentar informes e dados da gestão “para que o movimento e o conselho possam acompanhar a implementação da política pública”.
Atualmente, ele diz que prepara, junto com a equipe de coordenadores, uma apresentação de balanço que será feita na quarta-feira (15) “de como está a gestão e quais são as necessidades agora”.
Secretaria
Em nota, a Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, informou que o Programa Rio sem Homofobia é “uma das prioridades” da pasta “pelo seu histórico de luta pelos direitos da população LGBT e a sua visibilidade social”. “Sua equipe dará continuidade ao trabalho fundamental no combate à violência e ao preconceito. A reestruturação faz parte do novo modelo de gestão mais racional de recursos do estado. Para isso, foram realizadas fusões dentro das superintendências e subsecretarias. O objetivo é criar uma estrutura mais enxuta para fazer frente a nova realidade econômica do estado”.

Fonte : Agência Brasil

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

“Estadão”: Hoje, juízes estão prescrevendo medicamentos mais do que médicos, diz Alckmin


O ministro da Saúde, Ricardo Barros, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, fizeram nesta quarta-feira (8), duros discursos contra a “judicialização da saúde” e disseram que é preciso combater o excesso de medicamentos liberados pela Justiça e que não são contemplados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O ministro antecipou algumas medidas do governo neste sentido, como a mudança no padrão da receita médica. Já o governador cobrou mudanças e disse que atualmente os juízes prescrevem mais medicamentos que os próprios médicos.
“Com a judicialização, gastamos R$ 1,2 bilhão no ano passado, os juízes estão prescrevendo mais que os médicos”, disse Alckmin durante discurso no ato de assinatura de um convênio de R$ 54 milhões entre o Ministério da Saúde e o Instituo Butantan.
Para Alckmin, montou-se uma máquina judicial para tirar dinheiro público. Ele classificou a estrutura de médicos e laboratórios para pedir remédios via judicial como “criativa” e prejudicial para o sistema.
Para o ministro da Saúde, a judicialização da distribuição de remédios virou um “business”. “E nem sempre tem objetivo de resolver os problemas da pessoa que necessita de um atendimento especializado. Reconhecemos que há doenças raras, mas o que está no SUS é bastante suficiente”, disse.
Atualmente, 844 medicamentos estão na lista a ser oferecida pelo SUS. Em prescrições médicas com demanda de outros remédios, os pacientes tentam distribuição do governo pela via judicial.
Como medida, o ministro anunciou que o padrão de receituário médico será alterado. Se o médico receita um remédio que não está na lista da Relação de Medicamentos Essenciais (Rename), ele terá de explicar por que os medicamentos oferecidos pelo SUS não servem e ao final prescrever o medicamento que ele acha necessário.
“Nós aprovamos uma versão de modelo na Comissão Tripartite e o modelo está sendo finalizado”, disse. Ele também afirmou que um acordo já assinado com o Conselho Nacional da Justiça oferece aos juízes uma opinião médica sobre cada demanda de medicamento que seja criada nos tribunais. “Com isso, esperamos que possamos reduzir o número de decisões que no ano passada custaram R$ 7 bilhões aos cofres dos municípios, Estados e União.”

Saiba mais

Fonte : O Estado de S. Paulo

Infecção pelo HPV aumenta risco de transmissão do vírus da aids, aponta Unaids


Cerca de 500 mil mulheres são diagnosticadas anualmente com câncer do colo de útero. Metade dessas pacientes morrem por causa da doença. Nove em cada dez vítimas fatais desse tipo de tumor são de países de média e baixa renda. Entre a população dos países em desenvolvimento, há um grupo ainda mais vulnerável — o de mulheres vivendo com HIV, que têm até cinco vezes mais chances de desenvolver a patologia do que as que não têm o vírus.
Os números são do Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids), que alertou na semana passada para os riscos específicos da população feminina que vive com o HIV.
A agência da ONU lembrou que a maioria dos casos de câncer do colo de útero são causados pelo papilomavírus humano (HPV). O tumor é o segundo mais comum entre mulheres de nações em desenvolvimento.
Pessoas com sistemas imunológicos saudáveis têm grande probabilidade de eliminar a infecção pelo HPV ao longo do tempo. No entanto, as mulheres vivendo com HIV geralmente têm as defesas de seu organismo fragilizadas — o que dificulta a cura do HPV. O Unaids alerta que a infecção pelo papilomavírus aumenta significativamente o risco de transmissão do HIV, tanto para homens quanto para mulheres.
O programa da ONU fez um apelo à comunidade internacional para que invista em educação sobre saúde, na vacinação de meninas adolescentes contra o HPV e em serviços de testagem.
Estratégias de saúde pública também devem incluir aconselhamento e disponibilização de tratamento, quando necessário. O Unaids acredita que as iniciativas já existentes para combater o HIV poderiam desempenhar um papel vital na expansão da prevenção do câncer do colo de útero.

Fonte : ONU Brasil

Instituto Butantan receberá R$ 54 milhões para retomar produção de 4 vacinas, informa o G1


O Ministério da Saúde firmou uma parceria com o Instituto Butantan para fornecer uma verba de R$ 54 milhões que deverá ser aplicada na modernização das fábricas do instituto que produzem vacinas contra difteria, tétano, coqueluche (pertussis) e hepatite B.
A produção dessas vacinas estava interrompida desde o final de 2012 por causa da necessidade de readequações das fábricas às novas exigências de Boas Práticas de Fabricação pela Anvisa, estabelecidas em 2010.
Com as obras de readequação, o instituto deve retomar a produção de quatro vacinas: de difteria e tétano adulto (dT); difteria e tétano infantil (DT); difteria, tétano e pertussis (DTP) e hepatite B.
Desenvolvimento de novas vacinas
Foto à esquerda: Mariana Lenharo/G1
Além de retomar a produção de vacinas já existentes, a parceria também vai permitir a produção de doses para testes em humanos de uma vacina inédita desenvolvida pelo Butantan: a vacina de coqueluche celular de baixa toxicidade, que vem sendo chamada de pertussis low.
Hoje existem dois tipos de vacina contra coqueluche: celular e acelular. No Brasil, crianças recebem a acelular, que tem menos efeitos colaterais, e adultos recebem a celular. A Europa usa a versão acelular também para adultos. Mas ela tem se mostrado ineficaz a longo prazo.
O diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, explica que a vacina atualmente em desenvolvimento será tão eficaz quanto a vacina celular hoje disponível, mas terá menos efeitos colaterais associados. "O que fizemos foi um processo industrial em que a gente diminui a toxicidade da bactéria e pode utilizá-la tanto para criança quanto para adulto, conferindo proteção por muito tempo." Segundo Kalil, esta vacina é inédita no mundo e é aguardada pela comunidade internacional.
A verba também vai permitir a retomada de um projeto de desenvolvimento de uma vacina nacional pentavalente - contra difteria, tétano, coqueluche, e Haemophilus influenzae tipo b (Hib) - em parceria com Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Fonte : G1

Unaids recebe sugestões do público para fortalecer combate ao HIV


O Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) recebe até 10 de fevereiro ideias e recomendações sobre como a agência pode melhorar suas estratégias de combate à epidemia. Qualquer pessoa interessada pode participar da consulta, que registrará as sugestões em meio online. Iniciativa é do Painel Global de Revisão do organismo internacional.
Com a chamada virtual, o painel espera dar voz aos parceiros do Unaids e a indivíduos que desejam compartilhar suas opiniões sobre o programa. Propostas e argumentos enviados pela internet serão o ponto de partida de um relatório que o painel vai encaminhar à Junta de Coordenação, o principal organismo de governança da agência da ONU.
Os fóruns de discussão da consulta são organizados em torno dos três pilares da Junta: trabalho conjunto; governança; e financiamento e transparência. Também há um fórum geral para a discussão sobre o valor agregado do Unaids.
Para o o ministro da Saúde do Senegal e atual copresidente do Painel Global de Revisão, Awa Coll-Seck, é fundamental escutar o que as pessoas vivendo com HIV ou morando nos países mais afetados pela epidemia têm a dizer. “Eu quero encorajá-las, e também outras populações mais vulneráveis e afetadas pelo HIV, a compartilhar suas ideias sobre como o Unaids pode ser fortalecido para melhor ajudá-las”, afirmou.
“Nós estamos interessados na perspectiva dessas pessoas com quem o Unaids trabalha e a quem o Unaids serve cotidianamente – incluindo pessoas vivendo e afetadas pelo HIV, a sociedade civil, o setor privado e autoridades nacionais, bem como parceiros bilaterais, iniciativas globais e a própria família das Nações Unidas”, ressaltou o embaixador especial da Suécia para Saúde Global e também copresidente do painel, Lennarth Hjelmåker.
Quer participar da consulta e levar sua opinião até os dirigentes do Unaids? Clique aqui. A plataforma conta com um recurso de tradução automática para o português, fornecido pelo Google Tradutor. Procure pela barra de tradução no canto superior direito da página.

Fonte : ONU Brasil

Goiano publica desabafo sobre viver com HIV e texto viraliza na internet

"É, eu sou portador do vírus HIV." É assim que o jovem goiano Geovanni Henrique (na foto) começou um texto que chamou a atenção nas redes sociais. Ao contar sobre sua história como soropositivo, ele explicou como sua vida se alterou ao receber o diagnóstico, mas não como ele estava pensando. Segundo Geovanni, o incômodo maior vem da reação das pessoas quando ele revela ser portador do vírus.
"As pessoas pedem tanto pela verdade, mas não sabem lidar quando a ouve. A gente tem que ficar se escondendo como se fosse criminoso. Tudo no sigilo, parece que voltei para dentro do armário novamente", conta. "Viver com o HIV tem me permitido conhecer pessoas bem legais, livres de preconceitos, ainda mais no "meio" gay, onde tanto pedem por igualdades, mas na primeira oportunidade já estão lá, te apontando como o 'aidético'".
O jovem, atualmente mora em Caxias do Sul (RS). Ele conta que contraiu o vírus em relacionamentos sem proteção. O desabafo, que já recebeu cerca de 23 mil curtidas no Facebook, foi uma maneira para Geovanni tirar "o segundo maior peso da vida", de acordo com o relato. "Vou poder ser quem realmente sou. Estes que irão, realmente, não vieram para ficar. O mais importante é que eu tive e tenho o apoio da minha família."
Confira a postagem completa clicando aqui



Fonte : UOL

  CNS discute desafios para garantir direito universal à Saúde em tempos de negacionismo, durante debate na UFRGS 14 de fevereiro de 2022 O ...