“Nós sabemos usar toda a tecnologia que temos a favor da saúde?”, questionou Chao Lung Wen, chefe da disciplina de telemedicina da USP. Ele fez palestra sobre “As Redes Sociais como Estratégia de Prevenção às DSTs/Aids e Hepatites Virais”, na tarde de terça-feira (19), em Santos, durante o Encontro Regional de Inovações na Prevenção de DST/Aids e Hepatites Virais.
No mesmo caminho esteve a fala de Leonarno Linconl, especialista em comunicação e saúde, que abordou o projeto A Hora é Agora, na segunda-feira (18). “Hoje, trabalhamos mais com o digital. Em um ano, o site recebeu mais de 50 mil acessos. Projetos assim precisam de estrategistas de comunicação para lidar com as informações.”
O evento, além de discutir os novos medicamento, as condutas dos profissionais de saúde e as estratégias a favor da prevenção, impressionou a plateia com as possibilidades de aproveitamento das redes sociais e novas tecnologias como mais uma ferramenta nessa tarefa.
Cho Lung está à frente do projeto Jovem Doutor, um programa que amplia o conhecimento de estudantes dos ensinos fundamental, médio e universitário, por meio dos recursos telemedicina, teleeducação interativa e educação à distancia sobre saúde. Segundo o médico, a tecnologia consegue reduzir os agravos da saúde, porém, ela continua precisando de vínculos sociais. Para ele, a mesma necessidade existe no campo da prevenção. “Prevenção não é folheto, é estratégia”, afirmou.
Segundo o médico, é necessário ampliar essas estratégias e trabalhar de maneira integral para obter sucesso. “Hoje, podemos falar de prevenção de maneira mais divertida. Usar mecanismos de realidade virtual para gerar interesse do jovem. O mundo também está caminhando para vídeos mais elaborados, com informação de boa qualidade. A abordagem do tema não precisa ser uma palestra. É possível criar canais que falem de prevenção com interatividade”, continuou.
O Jovem Doutor, além de vídeos e encontros presenciais, conta com jogos que fazem o aluno entender o que é vírus, bactérias, formas de transmissão, entre outros temas da saúde. “Como você pode falar de contracepção, se a pessoa não sabe o que é ciclo menstrual? Como falar de hepatite, se ela não entende como o vírus age? Com vídeos de três minutos, dá para explicar e gerar o interesse do aluno. Se você investe na educação e ensina pelas bases, o aluno vai aprender o caminho da doença e consequentemente como preveni-la”, disse o médico.
De acordo com dados apresentados por Cho Lung, o país tem 193.050 escolas com 57 milhões de alunos e o investimento nesse público proporciona um futuro melhor para o país. “Temos que encarar a nova realidade e refletir sobre o que podemos fazer pela prevenção. Criar ferramentas que cativam não precisa de muito dinheiro, mas de criatividade” concluiu.
O programa A Hora é Agora é um projeto de testagem de HIV realizado em Curitiba (PR) que já ofereceu mais de 2 mil testes em apenas 6 meses. Muito dessa conquista se deve às estratégias de comunicação usadas.
A plataforma online é a principal inovação do programa, mas o maior destaque é a estratégia de e-Testing, uma plataforma web, onde os usuários podem solicitar o kit de testagem para HIV pelo site e retirá-lo nos postos de autoatendimento dos Correios ou na Farmácia Popular do centro de Curitiba. Assim, os usuários podem realizar o autoteste em casa ou em outro local que preferirem. O teste oral é validado para o uso no Brasil, é rápido, confiável, confidencial e com execução simples.
O programa tem o objetivo de expandir a testagem de HIV entre as populações mais vulneráveis à infecção -- os jovens gays e outros HSH (homens que fazem sexo com homens). Leonardo Linconl contou que quando passou a fazer a comunicação do projeto precisou mapear a área que seria trabalhada e assim chegar ao público alvo. “Criamos várias campanhas dentro dos estabelecimentos frequentados pelo público gay. Sempre conversando com os proprietários sobre a necessidade do local.”
Os meios de divulgação do A Hora é Agora não foram produzidos em massa. De acordo com as explicações de Leonardo, a marca foi colocada em banner para self, flyers, folders, botons, bolacha de bar, copos personalizados, brindes, painéis e etc, além das postagens nas redes sociais, que atendem ao público de cada estabelecimento. “Durante um mês, eu fui a lugares frequentados pelo público gay, para saber o tipo de campanha que eu faria para eles. Quando você faz uma campanha, precisa estudar as pessoas a serem beneficiadas”, disse.
A primeira etapa do projeto termina em setembro. Nesse período, Leonardo já identificou as pessoas estão sendo alcançadas. “O pico de pedidos pelo teste sempre acontecem de terça a quinta-feira, pois quem vai para a balada só vai ler o nosso material na segunda. Mas ele lê, por isso é importante investir em algo que gere interesse dele.”
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