terça-feira, 12 de abril de 2016

Rede que conecta mães soropositivas é lançada em SP



Foto à esquerda: logo da rede
A Rede Nacional de Mães Vivendo e Convivendo Positivamente foi oficialmente lançada no sábado (9), durante a Virada da Saúde, no Unibes Cultural, em São Paulo. A iniciativa visa conectar grávidas e mães soropositivas de todo o Brasil, além de cuidadoras de crianças e bebês (soropositivos ou não).
"O Brasil tem cerca de 37 mil mães soropositivas com filhos de até 6 anos de idade", diz Glória Brunetti, médica infectologista e coordenadora da rede. "Elas precisam estar muito bem psicologicamente, emocionamente, informadas sobre como lidar com o HIV, fazer a correta aderência ao tratamento com antirretrovirais, estar bem em relação ao CD4, ter carga viral baixa e seguir todos os protocolos para que a criança nasça bem”, continua a médica, também diretora administrativa da ONG Poder Jovem, que incorpora o novo projeto.
Os encontros presenciais acontecerão na capital paulista, na sede da Fundação Poder Jovem, mas a ideia é utilizar ferramentas onlines como Facebook e WhatsApp para conectar mães de todo o Brasil. "Devido ao preconceito, essas mães se sentem muitas vezes constrangidas em buscar informações em postos de saúde. Mulheres soropositivas também têm muitas dúvidas em relação à gravidez. Por isso, é importante uma rede como essa", afirma Sandra Santos, presidente da Fundação Poder Jovem.
Todas as atividades da rede focam na melhoraria da qualidade de vida da mãe e do filho. As ações incluem palestras com vários profissionais de saúde, debates sobre preconceito e produções de materiais motivacionais, como um webdocumentário e um e-book, para disseminar conhecimento sobre como lidar com o HIV.

Os encontros
Foto à esquerda: Glória Brunetti e Sandra Santos
São preocupações como essas que promoveram um grande encontro e a união de pessoas interessadas em suprir as necessidades dessas mulheres.
Sandra Santos, especialista em pedagogia hospitalar e presidente da Fundação Poder Jovem, contou que nos últimos oito anos de acolhimento no projeto ela vem percebendo que auxiliar só os jovens não leva ao resultado esperado. Porém a fundação ainda não tinha estrutura para acolher essas mães e cuidadoras com atividades específicas para fortalecê-las.
“Além disso, nossas adolescentes começaram a constituir família e engravidaram. Umas das mães que passou pelo Poder Jovem, a Natasha Laranjeira, também viveu esse processo e sentia necessidade de informação”, disse Sandra.

Mãe jovem
Foto à esquerda: Natasha Limeira, o filho Josué e amiga Micaela Cyrino
Natasha tem 23 anos, um filho de dois e está em um relacionamento estável há cinco. Desde os 13, milita em causas de direitos humanos. Ajudou a fundar a Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV e foi representante da RNAJVH na região sudeste. Participou do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas e do GIV (Grupo de Incentivo à Vida), trabalhou na Associação Civil Anima e hoje está no Projeto Bem-Me-Quer. Conheceu o Poder Jovem ainda na adolescência, quando o projeto funcionava dentro do Instituto Emílio Ribas, onde faz tratamento.
A jovem conta que, quando engravidou, mesmo sendo uma ativista, sentiu falta de informações para lidar com atividades simples do dia-a-dia. “Eu não sabia o que podia ou não fazer. Desde então, eu pensava num projeto voltado para as mães positivas”, contou.
Natasha apresentou essa vontade para Sandra, que também já pensava sobre o tema, alinharam as ideias e daí surgiu os primeiros passos do projeto de criar uma rede. “Foi um encontro”, disse Natasha.
Agora, a rede já conta com um número no WhatsApp (11 97545-9418) e página no Facebook para fazer o acolhimento das mães, além do espaço para encontros presenciais.  

Nenhum comentário:

Postar um comentário

  CNS discute desafios para garantir direito universal à Saúde em tempos de negacionismo, durante debate na UFRGS 14 de fevereiro de 2022 O ...