Na tarde dessa sexta feira, foram encerradas as atividades do 11º Congresso de HIV/Aids e do 4º Congresso de Hepatites Virais. Emocionada, a diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken, fez um breve discurso agradecendo a todos os membros da organização e ressaltou os desafios que foram enfrentados para que o evento acontecesse. "As aparições públicas em um país como o nosso, que tem enfrentado o que chamo de crise moral, tem sido cada vez mais difíceis e enfrentar isso, desse lugar... Às vezes eu acho que essa baixinha aqui tem coragem", disse ao som dos aplausos.
Os melhores trabalhos apresentados foram premiados e os ganhadores receberam bolsas de inscrições para apresentar projetos em outras conferências nacionais e internacionais. Durante a última semana, foram apresentados 240 trabalhos dentre conferências, rodas de conversas, mesas redondas, painéis e experiências práticas bem sucedidas. Confira as avaliações de alguns dos 3.500 participantes que estiveram no evento: Diogo Atrux, Secretaria Estadual de Saúdo do Paraná: "Eu gostei muito porque, pra mim, trouxe muita novidade. Muita informação nova, muita atualização, pra gente atuar cada vez mais apoiados em artigos científicos e estudos. Foi a primeira vez que vim ao congresso e, com certeza, vai fazer a diferença."
Betinho Pereira, Projeto Bem Me Quer: "Achei que foram muito bem distribuídas as mesas. Mas minha expectativa era que o tema Prevenção Combinada traria várias alternativas de prevenção como intransmissibilidade por carga indetectável, mas acho que ficou muito no campo da PrEP. Acho que a medicalização da prevenção é importante, mas ela não deve ser a ponta de lança porque corre o risco de elas se flexibilizarem e se colocar em risco pra outras doenças"
Carla Silva, enfermeira Universidade Federal de Goiás: "Gostei muito do congresso, está bem estruturado, porém acho que a avaliação dos artigos que foram selecioniados poderia ser melhor. Acho que alguns projetos deixaram a desejar, mas também houveram trabalhos interessantes. Acho que para o próximo pode ser mais abordada a questão das opções sexuais, que foram abordadas, mas acredito que precisa ser mais falado e espero voltar nos próximos."
Maria da Silva, Centro de Atenção Básica de Curitiba: "Foi excelente, com uma organização muito boa, foi muito dinâmico e essa vivência foi muito positiva para nosso trabalho. Estamos, inclusive, pensando em orgnizar um seminário no nosso município utilizando o conhecimento que foi adquirido aqui."
Iyá Lúcia, Rede Nacional de Religões Afro-Brasileiras e Saúde: "O congresso está sendo muito importante. Foi muito interessante colocar as questões das prostitutas, das mulheres trans, de terem mesas separadas e a gente poder estar escutando separadamente cada uma para entender as suas lutas, os direitos já adquiridos e os que ainda estão por vir."
Vanessa Borges, pediatra: "Quando cheguei aqui o que achei de mais interessante foram as práticas integrativas que o SUS já implementou, mas não tem em todas as unidades de saúde. E é bom já começar a ser ampliado porque a gente já sabe que funciona. Até sugiro que tenha alguém que saiba fazer, por exemplo, a meditação guiada pro pessoal usufurir disso e perceber os benefícios. Seria interessante que, no próximo congresso, eles colocassem mais pessoas dessas práticas integrativas, fazendo exercícios pra que mais pessoas conheçam esse serviço porque ele não atua só no tratamento. Ele também atua na prevenção."
Maria de Lourdes, Secretaria Especial de Saúde Indígena: "É a primeira vez que venho e estou adorando. É muito participativo e acredito que o fato de os movimentos sociais estar presente é um diferencial e um exemplo muito bom para o SUS, para os outros departamentos e outros programas e o quanto as representações da população pra quem tudo isso realmente é feito, estarem aqui falando, estarem aqui fazendo é realmente um grande diferencial. Estou levando muitas lições."
Marilene Costa, Secretaria Especial de Saúde Indígena: "Foi muito importante a participação nesse congresso até mesmo pelo espaço que tivemos para entender e trabalhar melhor as questões que são mais direcionadas aos indígenas e ao nosso trabalho como um todo. Sem dúvida levaremos todo esse aprendizado até essas populações."
Renato da Matta, presidente da Articulação Nacional de Saúde e Direitos Humanos: "Uma grande evolução do congresso foi a vila social.Ficou muito interativa porque no último congresso as coisas ficaram muito distantes. Além disso o nível de debate foi muito bom. Nesse ano nós congregamos mais, as pessoas ficaram mais próximas e isso trouxe uma harmonia muito bacana."
Ayrton Sampaio, Coordenação Nacional de Saúde do Homem: "Saímos muito motivados. Realizamos uma oficina durante o pré-congresso e ficamos felizes porque o evento abriu esse espaço pra gente. Além disso, participamos de duas mesas redondas, então nosso trabalho pôde ser melhor divulgado e nossos objetivos foram alcançados."
Michelle Leite, Coordenação Nacional de Saúde do Homem: "Foi a primeira oportunidade que nos deram de ter tantos espaços para falar sobre o nosso trabalho, que se trata da saúde do homem. Falar de paternidade, cuidado e parceiro é um desafio e, com certeza, estamos voltando muito mais motivados."
Marta McBritton, presidente do Instituto Cultural Barong: "Vivemos hoje um momento delicado politicamente, com forte influência dos conservadores. O Congresso em Curitiba refletiu justamente a resistência a essa situação e trouxe debates importantes sobre as novas tecnologias de prevenção e as populações invisíveis. Vi muitas mesas sobre especificidades da população trans, também fiquei feliz de saber que o Brasil está acolhendo pacientes soropositivos da tríplice fronteira com o Peru e a Colômbia. O movimento social atuou brilhantemente na abertura do evento, com maturidade e elegância. As manifestações foram contundentes e bem orquestradas. Já participei de vários Congressos e este foi um dos mais ricos que vi. Também quero elogiar o Departamento de Aids pela organização do evento, estava tudo impecável."
Maria Clara Gianna, coordenadora-adjunta do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo: “É sempre positiva a possibilidade de encontros entre os profissionais de saúde e a militância de todo país. Neste evento discutimos bastante o tema prevenção, acho que avançamos no que diz respeito a PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV), tamvém acompanhei muitas discussões sobre a incorporação desta tecnologia nos serviços de saúde. Vimos em Curitiba o quanto é importante o Sistema Único de Saúde organizado para atender as pessoas vivendo com HIV/aids de uma forma integral. Volto para casa renovada, fortalecida e com a expectativa da incorporação de novas tecnologias no Estado de São Paulo. Quero lembrar que vários municípios não puderam participar deste evento por falta de verba, sinto muito por isso."
Domiciano Siqueira, redutor de danos: "Eu tive a felicidade de acompanhar desde o primeiro Congresso de Aids, este com certeza foi um dos mais afetivos. Acredito que o Departamento de Aids acertou quando investiu na Vila Social do evento. Desde o primeiro dia notei neste espaço a construção de vínculos e amizades. A qualidade de debates como este sempre foi muito boa e não seria diferente aqui em Curitiba."
João Marcos, da Rede de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids de Manaus: "Já participei de outros Congressos e notei que a juventude perdeu espaço neste evento. Em João Pessoa, por exemplo, tínhamos a tenda da juventude e participamos de mais debates sobre novas tecnologias. Isso não quer dizer que os jovens deixaram de fazer seu protagonismo em Curitiba. Fizemos intervenções em de rodas de conversas e dialogamos com outros movimentos sociais.”
Heliana Moura, da secretaria política do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas: "Fizemos neste Congresso tudo que pretendíamos fazer, tivemos espaços de falas e participamos de várias intervenções. Também deixamos o nosso recado na abertura do evento com um manifesto silencioso e segurando cartazes com as nossas reinvindicações. No último dia de evento repetimos o ato, dessa vez com a presença do ministro da Saúde, o Ricardo Barros. Ao longo desses dias trocamos experiências com outros movimentos sociais e com gestores públicos."
Esdras Gurgel, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids: "Percebi neste Congresso que a proposta das discussões ainda está ligada ao que o Departamento de Aids quer nos convencer a assumirmos como política pública. A minha sugestão é para que o diálogo entre governo e movimento social volte a acontecer, queremos respeito. Já avançamos, mas ainda e muito pouco."
Jeová Fragoso, do Grupo Esperança: "Estamos vivendo um momento em que tudo parece estar bom para as hepatites virais, temos novos medicamentos e a cura da hepatite C. No entanto, há muitos detalhes que este Congresso não vai eliminar. O preço das drogas estão muito altos, precisamos baixar com urgência para ampliar o acesso ao tratamento. Em contrapartida, temos que descobrir aonde estão os pacientes vivendo com hepatite C. Este evento foi bem importante, mas volto para casa com vários pontos de interrogação."
Dr. Ricardo Vasconcelos, infectologista da Faculdade de Medicina da USP: "Estar aqui foi maravilhoso, falamos sobre o que há de mais novo, eficaz e seguro no campo da prevenção do HIV. Se olharmos os dados epidemiológicos fica claro o quanto é preciso melhorar a prevenção. Quem esteve neste Congresso teve acesso a debates importantes sobre o leque de possibilidade que compõem a mandala da prevenção combinada."
Álvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redução de Danos: "O evento foi muito potente para nós do movimento de redução de danos, principalmente para a Aborda. Comemoramos aqui os 20 anos da associação com o lançamento de uma cartilha."
Veriano Terto, da Articulação Nacional de Luta contra a Aids e da ABIA: "Do ponto de vista a ABIA, do GTPI e da Anaids, que são entidades das quais estou muito ligado, eu acho que foi bom porque desenvolvemos uma série de atividade de marca política. Participamos também da programação cientifica do evento e na Vila Social. Quero reforçar ainda a participação da sociedade civil dentro de um Congresso cientifico, que vem orientar as políticas de aids nos próximos anos. Espero que este evento nos traga um reforço do debate interdisciplinar e intersetorial envolvendo a sociedade civil, academia e a gestão."
Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp (Fórum de ONG/Aids de São Paulo): "Este evento foi bem interessante porque nós, sociedade civil, conseguimos mesclar a participação junto aos debates técnicos. Mas tivemos pontos negativos. Na mesa de abertura, por exemplo, a representante do Conselho Nacional de Saúde - maior instância do controle social, não teve direito a fala, é lamentável." (Leia a nota do Foaesp sobre o ocorrido).
Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo: "Sou uma entusiasta de Congressos, é um momento bastante interessante de encontros para os municípios, trocamos experiências e até temos a oportunidade de conhecer novos modelos que podem ser adaptar a nossa cidade, vi muitas novidades por aqui. Também quero destacar a ampliação do debate sobre hepatites virais, temos desafios na cidade de São Paulo. Os palestrantes foram bons, muito bem escolhidos. Voltamos para casa com a certeza de que a prevenção combinada é uma estratégia que vai colocar o Brasil, nos próximos dez anos, na situação de eliminação da epidemia."
Evalcilene Santos, Associação Brasileira de Redução de Danos: A vila social foi um momento importantíssimo. Achei que ela deve ser ampliada, pode ser ainda mais dinâmica, com mais atividades para que a gente tenha ainda mais debate e possamos construir isso juntos. O congresso é importante para conhecermos essas experiências que tiveram êxito e tomara que os estados possam levar essas experiências, conhecimentos, apresentações e oficinas para trabalhar com suas comunidades."
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