Com a chegada da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) no Brasil, um dos maiores desafios é entender quais são as maneiras possíveis de fazer esse tipo de prevenção chegar até as populações que precisam. Para isso, Demetre Daskalakis, do Departamento de Saúde e Higiene Mental de Nova York, veio até o Brasil mostrar como aconteceu a implementação da PrEP nos Estados Unidos e como essas experiências podem ajudar os profissionais de saúde nacionais a colocar esse trabalho em prática.
A PrEP surgiu da necessidade de encontrar uma forma de prevenção para pessoas que têm dificuldades em utilizar o preservativo. Assim, o estado de Nova York se engajou na missão de acabar com novas infecções do vírus HIV até o ano de 2020, já que os números do estado mostravam que um a cada 69 homens que faziam sexo com homens tinham se infectado com o vírus, o que configurava uma emergência de saúde.
Demetre explicou, então, que a primeira medida a ser tomada para que a PrEP começasse a ser aderida foi a produção de grandes campanhas por todo o estado, junto com a distribuição de kits, batizados de “Play Sure”. Foram distribuídos 150 mil mini estojos que continham camisinha, lubrificante e comprimidos PrEP. “A intenção foi fazer parecer que prevenção é algo divertido, fazendo as pessoas sentirem que querem se prevenir e não ficarem com a sensação de que são obrigados.”
O segundo passo da implementação da PrEP foi contratar e treinar pessoas para levar os
comprimidos até médicos e outros profissionais de saúde. “Era preciso incentivá-los a prescrever a PrEP, mas, principalmente, fazê-los entender para quem esse tipo de prevenção é o mais adequado. Se não sabem os que seus pacientes estão fazendo, não sabem qual a forma de prevenção mais adequada para eles”, explica.
Além disso, Demetre mostrou que é importante descentralizar o acesso a esse tipo de informação, deixando de ser um conhecimento que diz respeito apenas aos médicos especialistas. “Outros profissionais de saúde como clínicos gerais e enfermeiros são fundamentais para fazer a PrEP se difundir”, diz. Por isso, também foram realizados uma série de workshops para médicos de diferentes áreas, donos de clínicas e hospitais com a intenção de mostrar as vantagens da profilaxia.
Mas as ações práticas não param por aí. Após o primeiro contato do paciente nas clínicas e postos de atendimento é preciso retê-los para que continuem fazendo um acompanhamento contínuo que também inclui o trabalho, não apenas de profissionais de saúde, mas também de assistentes sociais.
Por isso, a PrEP deixou se ser apenas uma forma de prevenir o HIV e passou a ser uma forma de prevenir e tratar outras ISTs que estão muito presentes, também nos Estados Unidos como clamídia, gonorreia e sífilis.
Para que resultados também possam ser positivos no Brasil, Demetre diz que o fato de termos um sistema único de saúde pode ajudar muito no mapeamento e "permitir que possam ser tomadas decisões a nível nacional, fazendo com que a prevenção chegue a mais pessoas".
A Diretora do Departamento de Aids DSTs e Hepatites Virais, Adele Benzaken, ressaltou que o Brasil é um dos países que mais compram preservativos no mundo. São mais de 2,5 bilhões de caminhas masculinas e 53 milhões de milhões de preservativos femininos. “Esse é o retrato de que é uma preocupação do nosso país e isso também se reflete na nossa intenção de trabalhar a prevenção combinada”.
Serviço:
11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais
De 26 a 29 de setembro
Expo Unimed (Rua Professor Viriato Parigot de Souza, 5300)
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