Desde 2013, ONGs/aids têm levado testes rápidos de HIV por fluido oral a universidades, boates, praças, baladas e outros lugares de circulação de pessoas consideradas populações-chave para o HIV, como jovens gays, homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo, travestis e transexuais. As experiências, desafios e dificuldades que as organizações vem encontrando ao longo das ações foram debatidas nesta quinta-feira (28), no 11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais, em Curitiba.
O coordenador de projetos do Grupo Pela Vidda Rio, Márcio Villard, contou que no último ano a ONG, com apoio da AHF (Aids Healthcare Foundation), realizou 5.046 testes rápidos com 156 resultados positivos. "A nossa taxa de detecção foi de 3% e conseguimos vincular aos serviços de saúde 80% das pessoas que se descobriram soropositivas."
Segundo ele, as ações de testagem da ONG acontecem em espaços de concentração da população LGBT. Eles também já ofertaram o exame dentro de uma boate no Rio de Janeiro. "O trabalho é desafiador. Só na Olimpiadas, por exemplo, realizamos quase 500 testes com 13 resultados reagentes."
O teste de fluido oral não depende de infraestrutura laboratorial. A leitura e interpretação são simples e o resultado pode ser analisado a olho nu em até 30 minutos. O teste detecta anticorpos para o HIV-1 e HIV-2. O kit para a realização do teste foi produzido pelo laboratório Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
A AHF é uma organização sem fins lucrativos norte-americana que atua com foco na promoção do tratamento e cuidados para o HIV/aids no mundo. A ONG se instalou no Brasil em abril de 2015 e desde então desenvolve ações junto ao Ministério da Saúde, às ONGs/aids e às secretarias de Saúde.
Experiência de São Paulo
Em São Paulo, o Instituto Cultural Barong, em parceria com a AHF e os Programas Estadual e Municipal de DST/Aids, é uma das organizações não governamentais que ofertam testes de HIV fora dos serviços de saúde. As atividades acontecem em médias duas vezes por semana em diferentes regiões da cidade. Assim como o Pela Vidda, o Barong atua em locais de concentração de populações prioritárias para o HIV e oferece testes de hepatite B e C.
"Em um ano, já realizamos mais de 80 ações de testagem. São quase 4 mil testes de HIV e 29 resultados positivos. Desses, 25 pessoas foram vinculadas aos serviços de DST/aids", revelou Marta McBritton, presidente do Barong.
Ainda segundo Marta, a instituição conta com uma van-consultório e o diferencial das ações é a distribuição de preservativos. "Em parceria com a Prudence e a DKT do Brasil distribuímos gratuitamente camisinhas de sabores e texturas, além de gel lubrificante, materiais informativos e insumos do SUS. "
Para fazer o diagnóstico oral do HIV por fluido oral, é necessário que as pessoas evitem ingerir alimento ou bebida, fumar ou inalar qualquer substância, escovar os dentes e usar antisséptico bucal. Para as mulheres, recomenda-se que não usem batom. O fluido do teste oral é extraído do final da gengiva e do começo da mucosa da bochecha, com o auxílio de uma haste coletora. O aparecimento de uma linha vermelha significa que a amostra não é reagente. Duas linhas vermelhas indicam que naquela amostra há anticorpos anti-HIV, ou seja, o teste é positivo.
Amazonas
Representantes de Manaus, Parintins e Tabatinga, todos municípios da Amazônia, também falaram sobre suas experiências de testagem. Eles integram o projeto Viva Melhor Sabendo, do Ministério da Saúde, e atuam em parceria com a AHF. Da Rede Amizade, Maria Sineide, que atua em Manaus, destacou que além da testagem, a ONG alerta a população sobre a importância da PEP (profilaxia pós-exposição). "Já realizamos mais de 11 mil testes de HIV e a maior parte em populações-chave. A nossa grande dificuldade é na vinculação, muitos não querem aderir ao tratamento."
O ativista Murilo Luis Maquiné revelou que em Tabatinga já aconteceu até ação de testagem na escola. "Trabalhamos na tríplice fronteira com a Colômbia e o Peru. É comum realizarmos testes em indígenas e pessoas de outros países."
Da Associação de Gays, Lésbicas e Travestis de Parintins, o militante Fernando de Moraes, disse que desde 2016 sua equipe já realizou mais de 3 mil testes de HIV, com 12 resultados positivos.
Serviço:
11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais
De 26 a 29 de setembro
Expo Unimed (Rua Professor Viriato Parigot de Souza, 5300)
Saiba mais
Talita Martins, de Curitiba (PR) (talita@agenciaaids.com.br)
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