terça-feira, 8 de novembro de 2016

Departamento faz primeira reunião do GT de certificação para eliminar HIV e sífilis via transmissão vertical


Realizada nesta segunda-feira (7), no auditório Lair Guerra, a primeira reunião do GT de Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical (TV) do HIV e/ou sífilis no Brasil reuniu representantes do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais (DDAHV), do Ministério da Saúde, e de entidades ligadas ao HIV/aids e à sífilis. Foram discutidos o cenário epidemiológico nacional atual da TV no Brasil e a formação do Grupo de Trabalho (GT). “Precisamos ouvir a opinião dos especialistas sobre a certificação dos municípios, e adiantamos que os convidados para a primeira reunião vão integrar o comitê que irá avaliar o relatório dos municípios interessados em participar desse processo”, afirmou a diretora do DDAHV, Adele Benzaken. 
O comitê será dividido em quatro grupos: avaliação de respeito aos direitos humanos; avaliação de laboratórios; avaliação de serviços e programas; e avaliação do sistema de vigilância e monitoramento.
Também ficou definido que a próxima reunião será realizada entre meados de janeiro e início de fevereiro de 2017. 
Outras propostas de trabalho são a composição e a formalização dos comitês estaduais; a redução da subnotificação, cujo objetivo é melhorar a qualidade dos dados; a busca por informações dos serviços públicos e privados; e a avaliação de área, nos municípios, com os piores indicadores.
Participaram da reunião representantes da Universidade de Fortaleza (Unifor); do Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas (SAS/MS); do Departamento de Atenção Básica à Saúde Indígena (Sesai); da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas); da Coordenação Estadual DST/Aids de São Paulo; da Sociedade Brasileira de DST; da Unicamp; da Coordenação Estadual de DST/Aids do Amapá; da Coordenação Estadual de DST/Aids do Espírito Santo; Coordenação Nacional da Saúde do Homem; da Coordenação Nacional da Saúde da Criança; e do Conselho Federal de Enfermagem.



Fonte : Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais

sábado, 5 de novembro de 2016

“Época” traz reportagem especial: O desafio dos novos prefeitos na Saúde


Com investimento federal insuficiente, os municípios brasileiros financiam mais de 30% da Saúde no país. Faltam recursos para a atenção básica
Era começo de tarde quando Aparecida Lima da Silva bateu palmas diante do portão da casa azul. Do lado de dentro, Alice de Oliveira gritou que ela esperasse um minuto – ia buscar as chaves. Acostumada à visita, já imaginava do que se tratava. Desde 2014, Aparecida frequenta a casa onde Alice e o marido, Alfredo de Oliveira, vivem há 40 anos, no município de Américo Brasiliense, interior de São Paulo. O casal – ela com 68 anos e ele com 79 – vive a três ruas de uma das Unidades Básicas de Saúde da cidade. Mas quem reserva um momento para ouvir a história deles sai com a impressão de que, para os dois, a saúde sempre esteve a muitos quilômetros.
O distanciamento tem efeitos visíveis – como a mão paralisada de Alfredo. Ele nasceu na Bahia e conheceu Alice no interior de São Paulo. Criaram sete filhos, trabalhando no campo. Nunca houve tempo para cuidar da saúde. Oliveira passara anos cuidando da pressão arterial alta apenas quando tinha uma crise e passava mal. Criou uma bomba-relógio, detonada em três ocasiões. Sofreu três acidentes vasculares. O mais recente, há cinco anos, paralisou sua mão direita.
Os problemas de Oliveira não surgiram por simples desatenção dele com a própria saúde. Nem por falta de esforço do município. No ano passado, o município de Américo Brasiliense aplicou 35% de sua receita na Saúde. É uma parcela alta. A lei determina que os municípios reservem, no mínimo, 15% para o setor. Em valores absolutos, em 2015, Américo aplicou na Saúde R$ 21 milhões, cerca de R$ 550 por habitante.
Rosana, a cidade paulista com melhor nota no acesso e qualidade dos serviços públicos de saúde, investiu R$ 927 por habitante no mesmo período. Cercada por canaviais, a 80 quilômetros de Ribeirão Preto, Américo é uma cidade calma, de 40 mil habitantes, com casas térreas e ruas vazias. A economia é fraca e a arrecadação de impostos também. Depende, em grande parte, de uma solitária usina de álcool e açúcar.
Como proporção da receita da prefeitura, o investimento de Américo em Saúde é significativo. Mas insuficiente. Américo lidera a lista dos 100 municípios do país que mais investem em proporção à receita e têm os piores resultados no Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde (IDSUS). Numa escala de 0 a 10, está junto com municípios que tiveram notas entre 2,5 e 3,9 (o governo não divulga as notas individuais de cada município). A média nacional é 5,47.
O diagnóstico do sistema de saúde de Américo Brasiliense revela sintomas de uma doença que afeta todo o Brasil. Estamos pouco preparados para oferecer cuidados básicos – e preciosos – à população. Eles ajudam a prevenir quadros crônicos incapacitantes, como os acidentes vasculares de Oliveira. Quadros assim exigem internação, deixam sequelas, são devastadores para o cidadão e para as contas públicas, por exigir cuidados caros. O caso de Oliveira poderia ter sido evitado se Aparecida – a visitante regular de Oliveira e Alice, como contado no início da reportagem –  tivesse surgido antes.
Aparecida é uma das agentes comunitárias de saúde que, há quatro anos, começaram a visitar Oliveira e Alice. Agentes vão às casas entender a vida e os problemas dos cidadãos, a fim de prevenir doenças ou evitar que se agravem. Uma conversa com o casal bastou para que Aparecida e suas colegas percebessem que Oliveira e Alice não conseguiam ler as letras apertadas nas bulas e caixinhas de medicamentos. Aparecida resolveu o problema reorganizando os medicamentos da casa. Colocou os comprimidos em saquinhos identificados com desenhos. O remédio da manhã identificou com um sol. O da hora do almoço com um prato de comida.
Oliveira passou a tomar os medicamentos na hora certa  e com disciplina. Os saquinhos desenhados poderiam ter ajudado a evitar o AVC – e a mão paralisada de Oliveira. Um problema de Américo Brasiliense é que há poucas Aparecidas, o suficiente para atender apenas um quinto da população. Apenas uma das duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) oferece esse tipo de acompanhamento. Uma terceira está em construção.
Como resultado, o atendimento de urgência drena uma fatia polpuda dos recursos da Saúde. “Em média, 30% do meu gasto mensal vai para o pronto atendimento e 50% para a atenção básica”, diz William Martins, um pediatra magro e sorridente, secretário municipal de Saúde de Américo Brasiliense. Pelo único pronto-socorro da cidade passam, mensalmente, entre 5 mil e 7 mil pessoas. Em seis meses, o equivalente a toda a população da cidade passa pelo atendimento de urgência. Na maioria das vezes, em busca de alívio para problemas que poderiam ser prevenidos na assistência básica – como dores de coluna ou crises de hipertensão.
Um círculo vicioso consome recursos e a saúde da população. Para rompê-lo, Américo – como todos os governos do país – teria de trabalhar simultaneamente em três frentes: facilitar negócios, a fim de estimular a atividade econômica e, como consequência, a arrecadação; reorganizar o gasto público, a fim de investir o máximo possível e com a máxima eficiência nas áreas fundamentais, como Saúde; e aumentar a parcela do gasto com saúde preventiva. Com o atendimento de emergência lotado,  tendo de escolher entre tratar e prevenir, Américo escolhe a primeira opção. Uma decisão tomada por muitos municípios.
O cenário ideal seria aumentar os recursos da Saúde para fazer os dois: tratar e prevenir. No momento, não dá. “Não consigo aumentar meu investimento”, diz Martins. “Se fizer isso, faltará dinheiro para outras áreas.” O dilema é partilhado pelos demais municípios. Em média, as cidades no país investem 23,2% das receitas próprias no setor. “As cidades estão sobrecarregadas”, diz Fernando Monti, diretor do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems). Essa realidade dura aguarda a nova leva de prefeitos que assumirá em janeiro.
Quando o SUS começou a ser implementado no Brasil, no fim dos anos 1980, decidiu-se que o sistema se basearia na prevenção. “Isso significava que a população seria mapeada, para saber como a pessoa vivia e quais riscos tinha de desenvolver algum problema”, diz Nelson dos Santos, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp. A Constituição de 1988 determinou que esse tipo de cuidado seria garantido a todo brasileiro. E que o financiamento do sistema era responsabilidade compartilhada entre municípios, estados e União.
Em 28 anos de SUS, no entanto, diminuiu a parcela que o governo federal planejava, originalmente, destinar à Saúde. Em 1988, a Constituição previa que fossem usados, na Saúde, 30% do orçamento da Seguridade Social (formado pela soma de contribuições como o PIS, Programa de Integração Social, e o Pasep, Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público). Em 1992, durante o governo Collor, essa determinação foi descumprida. Desde então, o percentual de 30% nunca foi aplicado. “Em 28 anos de SUS, nunca tivemos financiamento adequado”, diz Arthur Chioro, professor da Universidade Federal de São Paulo e ex-ministro da Saúde durante o governo Dilma Rousseff. A participação federal no financiamento da saúde pública minguou. Em 1991, a União respondia por 73% e os municípios  por 12%. A população aumentou e envelheceu, os gastos aumentaram, mas o investimento federal não cresceu no mesmo ritmo. Em 2015, a União respondeu por 43% do investimento público em saúde e os municípios por 31% .
O baixo investimento federal compromete o sistema de saúde. O Brasil aplica na área o equivalente a 3,8% do PIB. É pouco, se comparado a outros países com sistemas universais de saúde. É pouco também na comparação com vizinhos latino-americanos. E quando a saúde falta, é da prefeitura que o cidadão cobra. “Todo mundo me conhece”, diz Martins, o secretário de Saúde de Américo. “E me procuram na rua, para reclamar.” Sem fechar o sorriso, enumera os problemas com que lida. Dois têm lugar central. O primeiro são as ordens judiciais que chegam a sua mesa, cobrando que o município forneça tratamentos caros a poucas pessoas.
“Por mês, gasto cerca de R$ 25 mil com ordem judicial. É quanto eu usaria na compra de remédios para a população toda”, diz Martins. O segundo problema é a dificuldade para contratar profissionais. Faltam médicos no pronto-socorro: “Abri concurso, mas ninguém quer trabalhar pelo valor que a gente pode pagar”, afirma.
Apesar das dificuldades, Américo se esforça para estruturar a atenção básica porque sabe que, no longo prazo, é a alternativa mais barata. Compreender isso é importante para os novos secretários municipais que assumirão a partir de 2017. Eles trabalharão em um momento de receita baixa. Entidades como o Conasems temem os possíveis efeitos da Proposta de Emenda Constitucional 241. Se aprovada, a PEC mudará as regras que regulam o investimento federal em saúde. A partir de 2018, há chances de o valor mínimo destinado (o investimento de 2017 corrigido pela inflação) ser inferior àquele que seria aplicado pelas regras atuais. O governo poderá destinar à Saúde mais que o mínimo legal, mas não é a tradição: nos últimos 16 anos, só aconteceu em 2013, 2014 e 2015.
Num cenário de grandes necessidades e parcos recursos, os novos gestores terão de ser eficientes. Isso pode significar mudar como o trabalho em saúde é organizado. “Precisamos melhorar o jeito como a gestão do SUS se encontra com os usuários”, diz Laura Macruz, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. O atendimento preventivo é peça central para mudar o sistema de saúde e a vida de pessoas como Manuelina Cassimiro, de 75 anos. Ela chamou a atenção de Maria Lúcia Seixas, técnica de enfermagem de uma UBS de Américo Brasiliense. “A Manuelina parecia muito fraca e muito tristinha”, diz Maria Lúcia. Por três meses, Maria Lúcia  foi à casa da cidadã semanalmente. Descobriu que Manuelina não tomava com regularidade o remédio para controlar seu hipotireoidismo, que pode causar fraqueza e depressão. Maria Lúcia lhe ensinou. Manuelina ganhou saúde – e uma nova amiga. “Eu ainda apareço para bater um papo”, diz Maria Lúcia. “Quando é que a gente vai beber aquele chope, dona Manuelina?”

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

“Época”: Por que o Brasil vive uma epidemia de sífilis?


O Brasil vive uma nova epidemia de sífilis, uma doença sexualmente transmissível que parecia existir, para a maior parte da população, apenas nos livros de história. A doença, causada por uma bactéria, se não tratada, pode levar a problemas de fertilidade e até a morte. A maior preocupação é com a transmissão de mulheres grávidas para os fetos. Os bebês podem sofrer malformações no sistema nervoso, perder a visão ou a audição e até mesmo morrer. O Ministério da Saúde divulgou dados recentes mostrando que o número de pessoas infectadas no Brasil aumentou 32,7% entre 2014 e 2015. "Esse aumento não está acontecendo só no Brasil, é um problema global", afirma Adele Benzaken, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. A notícia pode causar espanto – não entre os especialistas em saúde, que há tempos percebem o aumento de casos –, mas entre a população. Por que uma doença de antigamente voltou a ser uma ameaça em 2016?
A sífilis, de fato, é uma doença antiga. No século 15, causou uma das primeiras epidemias globais, com milhares de mortes por toda a Europa. A penicilina, o antibiótico usado para exterminar a bactéria, não havia sido descoberto à época. Eram feitos tratamentos a base de mercúrio. A descoberta da penicilina, em 1928, contribuiu para diminuir a disseminação da doença nas décadas seguintes. Um reforço importante ao combate à doença foram as campanhas para aumentar o uso do preservativo, que ganharam força com a descoberta do vírus da aids, na década de 1980. No Brasil, a sífilis saiu dos holofotes a ponto de nem ser obrigatório que serviços de saúde avisassem o Ministério da Saúde quando encontrassem um caso. A notificação só passou a ser obrigatória em 2010.
As causas para o aumento recente dos casos ainda estão em investigação. Mas algumas mudanças comportamentais ajudam a entender por que a bactéria voltou a assustar. Um dos principais motivos, segundo a revista “Época” é, ironicamente, o fato de a aids ter deixado de assustar. Com o sucesso dos tratamentos antirretrovirais, que afastaram da doença o rótulo de fatal, as gerações mais jovens se preocupam menos com os hábitos de prevenção. Os jovens de 13 a 15 anos estão se protegendo menos na hora do sexo, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2012, 75% dos entrevistados usaram preservativo em sua última relação sexual. No ano passado, apenas 66% fizeram uso da camisinha.
“Quando a aids surgiu, a estratégia empregada para a prevenção foi a de terrorismo, para promover o uso da camisinha pelo medo”, afirma a educadora sexual Lena Vilela, diretora do Instituto Kaplan, entidade de São Paulo que promove educação sexual. “O medo acaba sendo uma estratégia que, às vezes, funciona por um período limitado. Quando o temor passa, a doença reaparece.” Para reverter esse quadro, será preciso investir mais do que em campanhas que elucidem sobre os perigos do sexo sem camisinha, mas que contemplem a prevenção nas diferentes formas de exercer a sexualidade. A camisinha, seja masculina ou feminina, ainda é o único método contraceptivo capaz de impedir a transmissão de DSTs. “Os adolescentes estão transando. O objetivo é apostar em conhecimento, e não no medo, como foi feito anos atrás”, diz Lena.
A diminuição do uso do preservativo é uma tendência global e está causando o reaparecimento em massa de antigas DSTs nos Estados Unidos e na Europa. Além da sífilis, a clamídia e a gonorreia, também infecções bacterianas, voltaram a ser registradas em maior escala. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, a agência de vigilância epidemiológica do governo americano, em 2015 os casos de sífilis aumentaram 19%, os de gonorreia 13% e os de clamídia em 6% em comparação com 2014. Os dados se contrapõem à tendência de queda vista nos últimos anos. Em 2009, a gonorreia atingiu a taxa mais baixa da história nos EUA, com apenas 98 casos por 100 mil pessoas. Em 2015, o número saltou para 124 casos por 100 mil pessoas, um aumento de 26%. Enquanto isso, as taxas de sífilis em 2000 e 2001 foram as mais baixas desde os relatórios feitos em 1941: 2,1 casos por 100 mil pessoas. Mas o número subiu quase todos os anos desde então e está, agora, em 7,5 casos por 100 mil pessoas.
Existe a suspeita de que os aplicativos que promovem encontros sexuais, como o Tinder e o Grindr (voltado para o público gay), possam dar sua contribuição na disseminação das doenças de antigamente. “As pessoas parecem que se previnem menos quando utilizam esses aplicativos”, diz Jairo Bouer, médico psiquiatra. É por isso que as campanhas de prevenção devem focar nas novas formas de exercer a sexualidade, dando abertura para que as pessoas possam discutir abertamente com seus médicos seus comportamentos e as melhores formas de se prevenir. “As pessoas têm um número maior de parceiros sexuais hoje”, afirma Adele, do Ministério da Saúde.
Outro fator apontado pelos especialistas para justificar o aumento de casos de sífilis foi o desabastecimento da penicilina benzatina, principal antibiótico para o tratamento da doença. Desde 2014, países de todo o mundo sofreram com a pouco distribuição do medicamento devido à falta de matéria-prima para a sua produção. Para controlar a situação, o Brasil conseguiu comprar 2 milhões de frascos no ano passado. A distribuição do antibiótico para os estados e os municípios terminou em julho. O Ministério da Saúde afirma ter comprado mais 700 mil unidades, que ainda não foram distribuídas.
A escassez do medicamento pode ter contribuído para aumentar o nascimento de bebês com sífilis congênita, segundo especialistas. Existem outras alternativas de tratamento, mas elas acabam não sendo eficazes para evitar que a bactéria seja transmitida para o feto. “Na gravidez, é possível realizar tratamento com outros remédios, como o antibiótico azitromicina”, afirma o ginecologista e obstetra Ricardo Luba, de São Paulo. “O problema é que essa droga só trata a mãe, e não o bebê, porque não passa pela placenta.” No ano passado, aumentaram os casos de sífilis congênita. Em 2015, foram 6,5 casos a cada 1.000 nascidos vivos, número 170% maior que do o registrado em 2010. O número é 13 vezes maior do que a meta estabelecida para 2015 pela Organização Mundial da Saúde, dentro da política de combate a doenças negligenciadas e infecções relacionadas à pobreza.
O Ministério da Saúde diz ter aumentado a realização de exames para detectar a bactéria – não só em gestantes, mas na população em geral. Só diagnosticar não é o suficiente: as pessoas precisam se sentir acolhidas para se engajar no tratamento – e nas formas de prevenção. O alerta provocado pela divulgação dos novos dados da epidemia pode ser o primeiro passo para que as novas gerações se preocupem novamente com a sífilis.

"ISTOÉ": Estudo com anticoncepcional masculino mostra 96% de eficácia


A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou na semana passada resultados bastante expressivos na produção de um anticoncepcional masculino. Em um estudo multicêntrico que envolveu 320 participantes, a combinação de duas injeções hormonais mostrou eficácia de 96%. Um dos maiores índices de efetividade, obtidos ao longo dos últimos 40 anos de pesquisas em busca de uma alternativa de contracepção que possa ser usada pelos homens, além da camisinha e da vasectomia. A taxa de gravidez de 1,57 por cem usuários é comparável à da pílula feminina, de menos de uma gestação por cem mulheres.
O contraceptivo consiste em duas injeções, cada uma com hormônios diferentes. A primeira carrega um tipo sintético de progesterona de longa duração. A substância bloqueia a produção de espermatozoide pela glândula pituitária, localizada no cérebro. A segunda, de testosterona, repõe o hormônio – responsável pelas características masculinas – cuja fabricação acaba atingida pela primeira injeção.
O remédio foi testado sob a coordenação da OMS (veja abaixo). O resultado deixou os coordenadores entusiasmados. “As injeções foram efetivas para supressão da produção de espermatozoide, induzindo a um elevado efeito contraceptivo”, à “ISTOÉ” disse o médico Doug Colvard, um dos líderes do experimento, cujos detalhes foram publicados na última edição do Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, a publicação mais importante da área de endocrinologia.
A nota preocupante foi a ocorrência de alguns efeitos colaterais mais sérios. Entre os amenos, estavam o ganho de peso e o surgimento de acne, mas registrou-se casos de mudança de humor – depressão, principalmente -, arritmia cardíaca e hipertensão. Apesar das ocorrências, três em cada quatro participantes disseram que continuariam usando o medicamento se já estivesse disponível.
A próxima etapa é reduzir os efeitos colaterais e trabalhar para que o contraceptivo esteja pronto para uso dentro de dois anos. A chegada ao mercado de um produto do gênero será mais um divisor de águas na história da sexualidade humana, a exemplo do que representaram a pílula feminina e as drogas para tratar a disfunção erétil. A pílula revolucionou as relações homem-mulher ao permitir, pela primeira vez, que elas tivessem total controle sobre a decisão de engravidar ou não. Surgido nos anos 1960, o medicamento foi uma resposta da ciência a um anseio que ganhou força vinte anos antes, quando a Segunda Guerra Mundial mudou definitivamente o papel da mulher na sociedade ao tirá-la de dentro de casa para o mercado de trabalho. A chegada do Viagra, em 1998, e depois dos outros remédios da mesma categoria, trouxe para a discussão aberta a impotência, um dos principais tabus masculinos.
Segundo a “ISTOÈ”, o anticoncepcional masculino trará mais igualdade nas relações em um momento no qual homens e mulheres desejam mais equidade. Elas, na responsabilidade pela contracepção. Eles, no poder de evitar gestações indesejadas. “A possibilidade de decisão fica também com ele”, afirma o urologista Carlo Passerotti, coordenador do Centro de Cirurgia Robótica do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.
Há um caminho ainda extenso até o uso se tornar cotidiano. Em primeiro lugar, o homem precisa entender que suspender a capacidade reprodutiva nada tem a ver com perda de virilidade. “Muitos fazem essa confusão. Vários, por exemplo, não se submetem à vasectomia por causa desse entendimento equivocado”, diz a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade da Universidade de São Paulo. “O procedimento continua sendo um tabu”, concorda o urologista Marcelo Gava, do Hospital e Maternidade São Cristóvão, de São Paulo.
Outra questão é conciliar a liberdade de controlar diretamente a hora de ter um filho com a responsabilidade de não transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. O contraceptivo não exclui a necessidade do preservativo, especialmente em um momento no qual se observa o recrudescimento de enfermidades como sífilis e Aids. Esses aspectos levam a uma ponderação muito pertinente. “Será que o mundo está preparado para essa nova revolução?”, indaga a psiquiatra Carmita.

Alta eficácia
OBJETIVO
Testar a segurança e a efetividade da injeção
PRIMEIRA ETAPA
*Envolveu 320 homens entre 18 e 45 anos que mantinham relações monogâmicas com parceiras entre 18 e 38 anos há pelo menos 1 ano.
*Não tinham doenças sexualmente transmissíveis e apresentavam contagem normal de espermatozoide.
*As mulheres não apresentavam problemas reprodutivos.
*Os casais foram instruídos a ter relações sexuais pelo menos 2 vezes por semana.
*A cada dois meses, os homens receberam duas injeções: uma com 200 miligramas de progesterona de longa duração e outra, com 1 mil miligramas de testosterona.
*O esquema foi aplicado ao longo de 26 semanas para reduzir a taxa de espermatozoide.
*Amostras de sêmen foram obtidas depois de 8 e 12 semanas nessa fase de supressão e, depois, a cada 2 semanas até que contagem de espermatozoide de cada participante atingisse a concentração de menos de 1 milhão por mililitro em 2 testes seguidos.
*Até essa etapa, os casais foram orientados a usar outros métodos contraceptivos não hormonais.
SEGUNDA ETAPA
O objetivo foi medir a eficiência do produto
Por isso, os casais usaram apenas as injeções como forma anticoncepcional.
Os homens receberam o remédio a cada 2 meses por mais de 14 meses.
Amostras de sêmen foram coletadas a cada 8 semanas para que os cientistas se certificassem que a quantidade de espermatozoide continuava baixa.
RESULTADOS
Entre os 320 voluntários que receberam pelo menos uma dose, houve diminuição da contagem de espermatozoide para 1 milhão por mililitro ou menos em 274 homens ao final de 24 semanas.
O contraceptivo foi efetivo em 96% dos que continuaram sua utilização, com total de apenas quatro gestações antes da 16ª semana da segunda fase do estudo.
EFEITOS COLATERAIS
20 participantes saíram do experimento devido aos efeitos colaterais. Entre eles, surgimento de acne, mudança de humor, arritmia cardíaca e hipertensão.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Novembro Azul fica mais abrangente e foca na saúde integral do homem


Nesta terça-feira (1) até o dia 30, prédios de várias partes do mundo se iluminam de azul para chamar atenção dos homens sobre o câncer de próstata, o segundo que mais causa mortes no Brasil, atrás do câncer de pele não-melanoma, segundo o Inca (Instituto Nacional do Câncer). Em 2016, mais de 61 mil novos casos da doença serão registrados. Por ano, são mais de 13 mil mortes, uma a cada 40 minutos. A prevenção da doença foi o que motivou, em 2011, o Instituto Lado a Lado Pela Vida a criar o Novembro Azul.
O mês acabou virando, também, uma boa oportunidade para alertar os homens sobre os cuidados com a saúde no geral.  Por isso, a edição deste tem o mote "De Novembro a Novembro Azul - Movimento permanente pela saúde integral do homem".
"Com o Novembro Azul consolidado em todo o país, passamos este ano a alertar sobre os cuidados com a saúde integral do homem. Queremos mobilizar a população masculina para que se torne protagonista da sua história e responsável por sua qualidade de vida em diferentes fases", explica a presidente do Instituto Lado a Lado pela Vida, Marlene Oliveira.
O Instituto Lado a Lado pela Vida apresentará uma pesquisa inédita sobre saúde integral do homem que terá dados sobre: frequência que procura o médico, motivo e especialidade; realização de exames preventivos, ocorrência de câncer de próstata na família ou entre amigos; alimentação, atividade física, uso de bebida alcoólica e cigarro; entre outros.
Durante o mês de novembro, serão feitas, em todo país, atividades de orientação sobre o câncer de próstata e saúde do homem e ações para estimular a atividade física. Haverá ainda a distribuição de material informativo e prédios serão iluminados de azul, como Viaduto do Chá, em São Paulo, e Congresso Nacional, em Brasília. No Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata (17), o Cristo Redentor será iluminado.
Um dos destaques da programação é o 2º  Fórum Ser Homem no Brasil, que ocorrerá no dia 7, em Brasília. Com apoio do Senado Federal, o evento reunirá profissionais de saúde, parlamentares, governantes, representantes do Ministério da Saúde e a população para debater prevenção e combate ao câncer de próstata e a outros tipos de câncer, como de pênis e testículo.
Nas redes sociais a campanha vai tratar da saúde integral do homem e usará as hashtags: #NOVEMBROAZUL #DENOVEMBROANOVEMBROAZUL #MENOSPRECONCEITO #MAISVIDA.
O Instituto Lado a Lado pela Vida vai disponibilizar para download folders informativos com dados, além de fascículos sobre as doenças e prevenção em cada fase da vida do homem. A programação completa do Novembro Azul pode ser conferida no portal do Instituto Lado a Lado.
Sobre o Novembro Azul
O Instituto Lado a Lado pela Vida iniciou uma abordagem pioneira sobre a saúde do homem no Brasil, em 2008, quando criou a campanha Um Toque, Um Drible. Em 2011 nasceu a campanha Novembro Azul, com a missão de alertar os homens sobre a prevenção do câncer de próstata.
O Instituto Lado a Lado pela Vida tem a missão de ampliar o acesso às novas tecnologias e humanizar a saúde de norte a sul do Brasil por meio do diálogo, do acolhimento e da promoção do bem-estar físico e emocional. Para isso, percorre o país propagando a importância da prevenção, do autocuidado e da autoestima, levando para homens, mulheres e crianças essa conscientização de que a saúde é o nosso bem mais valioso e merece atenção especial.

 

Revisão de auxílio-doença preocupa pacientes com HIV


Pessoas com HIV beneficiadas com auxílio-doença no estado estão preocupadas com a ação promovida pelo INSS para corrigir distorções. Com as novas perícias, previstas pela medida provisória 739, os soropositivos temem a possibilidade do fim do pagamento do benefício e a dificuldade natural para voltar ao mercado de trabalho. Afastados há muitos anos dos empregos, acreditam que podem ser preteridos por outros profissionais com mais experiência. Além disso, pesa contra eles na hora da recolocação o preconceito dos empregadores e, ainda, sintomas provocados pelas medicações, como insônia, depressão, dormência e dores de cabeça.
Em Pernambuco, já foram emitidas 2.256 cartas para pessoas beneficiadas pelo auxílio-doença. No primeiro momento, serão revisados os auxílios-doença. Depois serão revistas as aposentadorias por invalidez. A ONG Gestos prepara uma denúncia ao Ministério Público Federal na intenção de frear a possibilidade de suspensão dos benefícios para as pessoas com HIV.
Outra queixa dos beneficiados é quanto ao prazo para se apresentar no INSS: cinco dias. Muitos alegam não conseguirem a tempo a documentação necessária para ser apresentada, como laudos médicos. “São necessários exames atuais e nem sempre eles conseguem marcar as consultas, seja porque demora ou porque os médicos estão de férias, por exemplo. Muitos pacientes estão desesperados”, disse Giselli Caetano dos Santos, assistente social do Hospital Correia Picanço, referência em tratamento de pessoas com HIV. Mesmo como paciente crônico e com a doença controlada, existe o preconceito do empregador na hora de voltar ao mercado de trabalho, diz ela. “Com a pauperização da aids, há pacientes com baixa escolaridade e sem qualificação profissional que terão dificuldade para recomeçar”, completou.
Segundo a advogada Kariana Guerios, da Gestos, muitas pessoas com HIV estão procurando a ONG para saber como proceder. “É preciso verificar a questão da saúde e a questão social. Se a pessoa não tem como se inserir, por preconceito, isso tem que ser levado em conta. Também há beneficiados com a idade avançada, sem falar no contexto atual político e econômico difícil do país”, alerta Kariana. A advogada diz, ainda, que o mutirão não pode atrapalhar o andamento dos outros serviços do INSS. “As pessoas que desejam ter o benefício pela primeira vez somente estão conseguindo para meses depois. Quando se trata da revisão, a data é marcada até para o dia seguinte à ligação do beneficiado”, critica.
Júnior (nome fictício), 39 anos, tinha o benefício desde 2006, mas passou pela revisão e perdeu o repasse de um salário mínimo. “Alegaram que posso trabalhar. Faço terapia uma vez por semana, tomo medicação controlada, não me sinto em condições de ser empregado.” O último pagamento foi feito em setembro. Júnior diz estar com dificuldades para pagar suas dívidas.
Chefe do Serviço de Saúde do Trabalhador do INSS, Adriana Veloso informou que o prazo é um ato normativo, ou seja, é força de lei e as agências do INSS não têm como mudá-lo. O agendamento, diz ela, pode ser feito dentro de cinco dias, então seria possível o segurado ter mais dias disponíveis. “Na perícia, além de apresentar laudo médico, o beneficiado tem que apresentar exames. O médico não vai ficar limitado ao laudo, o laudo não é soberano. É vista toda a história médica, exames laboratoriais. Se for necessário, o médico pede esclarecimento”, explica.

Bom Dia Brasil’ leva ao ar reportagem sobre aumento da sífilis


O jornal matinal da Globo mostrou  dados sofre o aumento da sífilis, especialmente a sífilis congênita, no Brasil. Ouviu uma garota que deu à luz há cinco dias e descobriu ser portadora da doença e ter transmitido ao bebê. A irmã dela, segundo a reportagem, também tem sífilis.
Adele Benzaken, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais falou à reportagem que o governo, nesse momento, está priorizando o tratamento a gestantes e seus parceiros, com a penicilina adquirida em caráter emergencial..

  CNS discute desafios para garantir direito universal à Saúde em tempos de negacionismo, durante debate na UFRGS 14 de fevereiro de 2022 O ...