segunda-feira, 17 de julho de 2017

Corrimento é o principal sintoma da gonorreia, destaca Bem Estar



Mais de 70 milhões de pessoas no mundo estão infectadas pela gonorreia. A bactéria é transmitida durante a relação sexual e está mais resistente aos antibióticos. Até a dor de garganta pode estar entre os sintomas, mas existem outros sinais mais dolorosos.
O consultor e infectologista Caio Rosenthal explicou no Bem Estar desta segunda-feira (17) porque doenças como gonorreia e sífilis estão mais frequentes. O ginecologista e também consultor José Bento falou sobre uma doença bastante comum entre as mulheres: a candidíase.
A gonorreia é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria, que infecta especialmente a uretra. De acordo com a OMS, o tratamento se tornou mais complexo porque a bactéria está desenvolvendo resistência aos antibióticos. Dificilmente as pessoas desconfiam que estão com uma DST.
O sintoma mais importante da gonorreia é a presença de um corrimento purulento, cor amarelada, que mancha a calcinha ou a cueca. O diagnóstico pode ser feito clinicamente ou por um exame específico. O tratamento é feito com antibióticos.
A única semelhança da candidíase com a gonorreia é que ambas podem ser transmitidas sexualmente. Sintomas, complicações, tratamento e diagnóstico são diferentes. A candidíase é uma infecção provocada por fungos.
Os sintomas mais comuns na mulher são: coceira na região vaginal, corrimento branco, ardência no local e para urinar e dor durante as relações sexuais. No homem surgem pequenas manchas vermelhas no pênis, lesões em forma de pontos e coceira. O tratamento pode ser local ou via oral.

Fonte : Bem Estar

Congresso de DST e HIV: Pesquisa sobre experiências para redução da sífilis congênita é premiada como melhor pôster



O trabalho “Experiências exitosas para redução da sífilis congênita e as estratégias de ‘boas práticas’ para administração de penicilina em quatro municípios do Brasil”, da consultora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, Maria Vitória Ramos Gonçalves, foi considerado o melhor na categoria E-Poster no 11º Congresso da Sociedade Brasileira de DST e 7º Congresso Brasileiro de Aids. O resultado foi anunciado ao final dos dois eventos, na quinta-feira (13), no Rio de Janeiro. O pôster teve como coautoras a diretora do Departamento, Adele Benzaken, e as consultoras Lidiane Freitas e Ana Kolling.
Com o tema “Prevenção ou experiência em serviços”, o objetivo da pesquisa era identificar os municípios que administram a penicilina em 100% das gestantes com sífilis no pré-natal, a fim de construir um documento de boas práticas com essas experiências como proposta de ampliação e qualificação do tratamento da sífilis congênita.
O trabalho utilizou as respostas do questionário aplicado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de 5.300 municípios para conhecer a realidade da assistência à gestante com sífilis nas UBS. Apenas 52% das UBS administravam a penicilina, caracterizando uma falha na assistência integral ao pré-natal.
Contudo, identificaram-se Unidades Básicas de Saúde em que a medicação é administrada no pré-natal. Um levantamento de informações foi realizado, em seguida, para definir quatro municípios localizados em regiões distintas do país para serem utilizados como exemplos de boas práticas em relação ao tratamento da sífilis. Foram escolhidas as cidades de São Paulo, Londrina, Aparecida de Goiânia (GO) e Vitória da Conquista (BA).

Com os dados apurados nos quatro municípios, visitados por uma jornalista contratada para realizar a verificação, foi possível elaborar o “Caderno de Boas Práticas em administração de penicilina na Atenção Básica”, que apresenta informações e estratégias criadas por cada um dos locais escolhidos, com o objetivo de multiplicar essas ações nos demais serviços da Atenção Básica. 
O trabalho contou com a parceria do Departamento de Aids e do Departamento de Atenção Básica, que culminou na publicação do “Caderno de Boas Práticas: O uso da penicilina para a prevenção da Sífilis Congênita no Brasil”. A distribuição desse documento nos estados e municípios irá buscar a sensibilização e orientação dos serviços e, principalmente, dos profissionais da saúde que não realizam o tratamento com penicilina benzatina nas gestantes com sífilis e sua parceria durante o pré-natal na Atenção Básica.

Fonte : Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais

Ministério da Saúde lança concurso para mudar visual de preservativos masculinos



As camisinhas masculinas distribuídas gratuitamente pelo Ministério da Saúde terão nova embalagem até o final deste ano. Nesta segunda-feira (17), a pasta, em parceria com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou um concurso público direcionado aos estudantes de design gráfico, desenho industrial, arquitetura e publicidade. O objetivo é escolher uma nova identidade visual para os preservativos. As inscrições deverão ser feitas pelo site até sete de setembro.
O resultado e a premiação estão previstas para acontecer durante o 11º Congresso Brasileiro de HIV/Aids e o 4º Congresso Brasileiro de Hepatites Virais, entre os dias 26 e 29 de setembro, em Curitiba, no Paraná. O vencedor terá como prêmio um pacote de viagem de três dias com um acompanhante para um dos sítios do patrimônio Histórico Cultural da Unesco no Brasil.
“Com esse concurso, pretendemos criar uma identidade mais moderna e atrativa para o público, a fim de renovar a imagem da camisinha masculina distribuída no Sistema Único de Saúde. A última vez que a embalagem foi modificada faz mais de dez anos”, afirmou Adele Benzaken, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV e Aids, do Ministério da Saúde.
Incentivar o uso de preservativos, principalmente entre os jovens, tem sido foco de campanhas de prevenção, como a lançada no carnaval deste ano. Dados do ministério apontam que essa é a faixa etária que menos usa camisinha. Pesquisa de Conhecimento, Atitudes e Práticas indica queda no uso regular do preservativo entre os que têm de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6%, em 2013 – como com parceiros fixos – queda de 38,8% em 2004 para 34,2% em 2013.
De acordo com o último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, atualmente  a epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,1 casos a cada 100 mil habitantes, com cerca de 41,1 mil casos novos ao ano. O levantamento mais recente mostra que a epidemia de Aids tem se concentrado, principalmente, entre populações vulneráveis e nos mais jovens. Destaca-se o aumento em jovens de 15 a 24 anos, sendo que entre 2006 e 2015 a taxa entre aqueles com 15 e 19 anos mais que triplicou, passando de 2,4 para 6,9 casos a cada 100 mil habitantes. Entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa dobrou, passando de 15,9 para 33,1 casos a cada 100 mil habitantes.

sábado, 15 de julho de 2017

São Paulo registra aumento de casos de hepatite A entre homens que fazem sexo com homens



Dados recentes da OMS (Organização Mundial da Saúde) alertam para o aumento mundial dos casos de hepatite A entre homens gays, bissexuais e homens que fazem sexo com homens (HSH). Os números já podem ser observados no Brasil, pois há um aumento expressivo dos casos de hepatite A na cidade de São Paulo: o salto foi de 63 casos, durante todo o ano de 2016, para 135 casos nos primeiros seis meses de 2017. Desses, segundo dados do Boletim Epidemiológico da Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde), 81% são do sexo masculino e 64% têm entre 18 e 39 anos.
Até o momento, a cidade registrou 18 casos por contato sexual desprotegido e 13 foram adquiridos por água e alimentos contaminados. Ainda 77% dos casos estão em investigação, mas a cidade já conta 2 óbitos por hepatite fulminante.
Doença infecciosa, aguda, causada pelo vírus VHA e eliminado pelas fezes, a hepatite A é transmitida por via oral-fecal, de uma pessoa infectada para outra saudável, através de alimentos ou da água contaminada. A transmissão sexual pode ocorrer com a prática sexual oral-anal (pelo contato da mucosa da boca com o ânus de uma pessoa infectada).
Na Europa, segundo a OMS, 15 países já registraram o surto da doença entre HSH no último ano: Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Noruega, Portugal, Eslovênia, Espanha, Suécia e Reino Unido, totalizando 1.173 casos até 16 maio deste ano.
No Chile, foram notificados 706 até agora. Já o departamento de saúde de Nova York, nos Estados Unidos, registrou um aumento da doença entre HSH que não relataram viagens internacionais.
Casos recentes
Um dos casos registrados na cidade de São Paulo é o do radialista Matheus Rossi, de 23 anos. Há cerca de um mês ele descobriu que era portador do vírus da hepatite A. “Estava febril, sem apetite e com dor no fundo dos olhos, então decidi procurar um médico, ele solicitou o exame de sorologia e logo recebi o resultado. Os sintomas da doença estavam avançados, meu fígado bastante prejudicado, até fiquei internado por cinco dias. Agora estou bem, mas desconfio que me infectei depois de uma relação sexual desprotegida”, contou.
O paulistano Rodrigo*, de 26 anos, descobriu mais recentemente, há 15 dias, depois de sentir mal-estar, um dia depois da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, em 19 de junho.  Ele ficou indisposto e decidiu procurar um médico. “Até pensei que era ressaca, bebi bastante na Parada, mas a minha pele estava amarela. No pronto-socorro me pediram o exame de sorologia e, claro, deu positivo para hepatite A. Eu não desconfiava, mas depois de muita reflexão cheguei à conclusão de que a infecção se deu após o sexo oral-anal sem proteção”, relatou. O que esses dois relatos têm em comum: os dois se dizem HSH.
A prática médica
Os infectologistas Valdez Madruga e Álvaro Costa, ambos do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo - serviço administrado pelo Estado, mas com sede na cidade de São Paulo, observaram na prática médica o aumento de casos de hepatite A entre HSH nos primeiros meses do ano. "De janeiro para cá já atendi seis casos, 4 deles são pessoas que participam ou participaram de pesquisas no CRT, um no ambulatório e outro no consultório, todos assumidamente gays", relatou Valdez.
Álvaro atendeu 5 casos em 2017, três são pacientes do CRT e dois são do consultório particular. "Está claro que a circulação do vírus aumentou mundialmente, as práticas sexuais têm se diversificado cada vez mais e ainda enfrentamos problemas de saneamento básico. ”
Hoje, a luta dos dois médicos é para que a vacina esteja disponível no SUS para todos, inclusive para os homens que fazem sexo com outros homens.
No Brasil, a imunização contra a hepatite A está disponível na rede pública para crianças de 1 a 2 anos. Ela foi introduzida no calendário nacional de vacinação em 1º de julho 2014 e também é recomendada para pessoas vivendo com HIV/aids, portadores crônicos de hepatite B e C e outras hepatopatias crônicas.
A boa notícia, segundo Valdez, é de que “no CRT, já conseguimos estender para todos os participantes do estudo PrEP Brasil. Mas o ideal seria disponibilizar para todos os HSH do país", defendeu.
A OMS recomenda a vacinação contra a hepatite A para grupos de alto risco, como viajantes para áreas endêmicas, HSH, usuários de drogas injetáveis e pacientes com hepatites virais.
Dr. Álvaro faz um alerta: “se houver alguma suspeita de ter contraído a doença, procure um médico rapidamente e peça o exame de sorologia. Evitar a contaminação oral fecal é fácil, a dica é consumir água potável, lavar as mãos com água e sabão antes de preparar ou comer alimentos, higienizar os alimentos crus antes do consumo, evitar alimentos produzidos em condições insatisfatórias ou de origem duvidosa. Além disso, usar preservativos é essencial para prevenir a infecção via sexual", completou Álvaro.
Sintomas
Valdez foi quem alertou a vigilância sanitária sobre o aumento da doença em São Paulo. De acordo com ele, os sinais e sintomas da hepatite A, geralmente, aparecem de 2 a 4 semanas após a infecção, pois esse é o período de incubação do vírus. "Os sintomas da doença são muito variados, semelhantes aos da gripe. O paciente pode apresentar fadiga, náusea e vômitos, dor ou desconforto abdominal, especialmente na área próxima ao fígado, perda de apetite, febre baixa, urina escura, dor muscular e icterícia [pele e olhos amarelos]. Nos pacientes com HIV, os sintomas são iguais."
Álvaro diz que a doença costuma durar menos de dois meses, mas pode chegar a seis. "Raramente pode apresentar uma forma grave, chamada fulminante, que pode levar a óbito rapidamente, mas é possível. Além disso, nem todas as pessoas com hepatite A desenvolvem sintomas, existem casos de infecção assintomática e outros podem passar despercebido."
Tratamento
Os dois médicos garantiram que não existe tratamento específico para a hepatite A. O próprio corpo se encarrega de se livrar do vírus. Na maioria dos casos, o fígado se cura completamente em um ou dois meses sem danos permanentes. Essa também foi a orientação que Matheus e Rodrigo receberam de seus médicos. Há, no entanto, formas de se acelerar a cura. O tratamento, neste caso, pode ser baseado no manejo dos sintomas causados pela doença. "A recomendação é descansar, vale lembrar que o fígado é o órgão mais prejudicado pela hepatite A, por isso, evite a ingestão de álcool ou de medicamentos que podem prejudicar o fígado. Para pessoas com HIV, a recomendação é de que procure seu médico. Não é necessário interromper o tratamento antirretroviral", observa Valdez.
De acordo com a gerente da Covisa, Maria Dias Nakazaki, "a hepatite A não é de notificação individual, mas geralmente ela se apresenta em grupos comunitários que vivem em ambientes comuns. Hoje, não é possível afirmar que a cidade de São Paulo vive um surto da doença entre homens que fazem sexo com homens, mas estamos investigando", explicou.
Segundo ela, a Secretária Municipal de Saúde está alertando os profissionais sobre as importantes medidas de prevenção. Para evitar a exposição fecal-oral durante a atividade sexual, a prefeitura indica o uso de barreiras de látex durante o sexo oral e anal (camisinha adaptada, "dental dam", filme PVC); uso de luvas de látex para "dedar" e "fistar" e a lavagem de mãos, da região genital e anal antes e depois do sexo
Outra ação para frear o avanço da doença no estado de São Paulo é da coordenação Estadual de DST/Aids. No último mês, o órgão também emitiu uma nota técnica para chamar a atenção dos profissionais de saúde. "Em 2017, foram identificados 13 casos de hepatite A em Ribeirão Preto com as mesmas características da cidade de São Paulo. Vale ressaltar que não há registro de ocorrência de casos em 2016 em Ribeirão Preto", alerta o documento.
A Associação da Parada do Orgulho LGBT também se engajou na tentativa de alertar o público gay sobre o aumento da hepatite A. No último mês, eles publicaram o alerta no site oficial da entidade. Leia aqui.
Tanto a Covisa como o CRT defendem que é importante que os casos sejam notificados aos serviços de saúde. Essa informação pode colaborar para o melhor conhecimento do comportamento da doença.
Em São Paulo, o próprio paciente pode acessar o site da Covisa e preencher um questionário de notificação da hepatite A.

*Nome fictício para preservar a identidade do paciente 

Dica de entrevista
CRT – Assessoria de Imprensa
Tel.: (11) 5087-6933
Covisa – Assessoria de Imprensa
Tel.: (11) 3397-6807
Matheus Rossi
E-mail: matheusferragut@gmail.com

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

Simpósio avalia atualização de manejo das IST, do HIV e das hepatites virais



Levar as IST para o centro da resposta junto com o HIV/aids e as hepatites virais foi a proposta da diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV), Adele Benzaken, no Simpósio “Manejo das IST, do HIV e das Hepatites Virais” no último dia do VII Congresso Brasileiro de Aids, na quinta-feira (13), no Rio de Janeiro. A diretora participou com o tema “Atualização do Manejo das Infecções Sexualmente Transmissíveis” e abordou a mandala da Prevenção Combinada; a mudança da terminologia de DST para IST; os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT); a vacinação contra o HPV no SUS; e as novas definições para sífilis latente.
“Atualmente, o Ministério da Saúde tem trabalhado com protocolos, substituindo os manuais, o que representa uma mudança positiva sob o ponto de vista organizacional e normativo. Com essa nova conduta, os profissionais de saúde podem usar a mesma forma de diagnosticar e tratar”, observou Adele Benzaken ao comentar a inclusão dos protocolos. Sobre a mudança da nomenclatura – de DST para IST, anunciada em novembro de 2016 –, a diretora lembrou que o termo já era utilizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). “O termo IST alerta a população sobre a possibilidade de se ter e de transmitir a infecção, mesmo sem os sinais e sintomas. Por isso é considerado o mais adequado”, explicou.
A diretora do DIAHV lembrou que ainda há barreiras ao controle das IST no país. “Existem muitas perdas em diferentes níveis entre a infecção e a cura”. E alertou que a vacina contra HPV no SUS precisa ser trabalhada conjuntamente entre os profissionais de saúde, a fim de que não haja risco de baixa adesão. “Precisamos tratar o tema com empolgação, informar às pessoas sobre a necessidade da aplicação dessa vacina. A cobertura, apesar de todos os esforços, ainda está aquém do esperado”.
HEPATITES VIRAIS – A consultora do DIAHV especialista em hepatites virais, Elisa Cattapan, apresentou o tema “Atualização do Manejo das Hepatites Virais B e C”, ocasião em que abordou o cenário epidemiológico dos dois agravos. No caso da hepatite B, a maior taxa de detecção em 2016 está concentrada na faixa etária entre 40 e 49 anos, sendo que aumenta mais em homens a partir dos 35 anos de idade. “Essa população apresenta maior número de casos pois não adotou métodos de prevenção e não se vacinou”, afirmou Elisa Cattapan.
Já a hepatite C tem aproximadamente 1,7 milhão de pessoas infectadas, com maior concentração no público adulto. As regiões Sul e Sudeste apresentam, juntas, 86% dos casos detectados. “Isso se deve, em grande parte, à maior possibilidade de acesso ao diagnóstico nesses locais, que têm, ainda, estruturas de atendimento mais amplas em relação ao restante do país”, disse Elisa Cattapan.
O PCDT mais recente para hepatite B é de 2016 e, segundo Elisa Cattapan, apresenta alternativas ao anterior – de 2011 – tais como o arsenal terapêutico simples; superioridade de barreira genética; melhor posologia (reduzindo a dosagem de interferon de três vezes por semana ou de uma vez ao dia para uma vez por semana); e tratamento para hepatite Delta conforme tecnologias disponíveis no SUS. “O novo PCDT objetiva a substituição de medicamentos por componentes mais eficazes ou com posologia mais apropriada. A possibilidade de um tratamento finito não pode estar restrita à escolha do profissional de saúde. Recomendações diversas ilustram que o ganho obtido na terapia com interferon se dá com o início dessa terapia e sequência realizada com análogos”, disse.
Já o PCDT para hepatite C estabelece novas diretrizes terapêuticas nacionais e orienta os profissionais de saúde para que estabeleçam uma política baseada nas melhores evidências da literatura científica. “A intenção é promover assistência humanizada e especializada; buscar melhor qualidade na assistência e uso racional do arsenal terapêutico e demais insumos estratégicos; garantir melhores resultados em saúde pública e sustentabilidade do acesso universal ao tratamento; w reduzir a probabilidade de evolução para insuficiência hepática e câncer hepático”, detalhou Elisa Cattapan. Os objetivos do tratamento para hepatite C são a resposta virológica sustentada, com carga viral indetectável na 12ª semana ou na 24ª semana após o tratamento.
HIV – O manejo da infecção pelo HIV em adultos e em crianças e adolescentes foi tema da exposição da especialista do DIAHV em tratamento, Fernanda Rick. De acordo com o Boletim Epidemiológico HIV/Aids 2016, 827 mil pessoas vivem com HIV/aids no Brasil e cerca de 40 mil novos casos são registrados anualmente. Em 2014, foram registrados 12 mil óbitos devidos à aids.
A construção dos PCDTs de HIV/Aids no Brasil e as novas recomendações foram destacadas pela especialista. “Trabalhamos de forma árdua para colocar o material disponível em tempo hábil. Todas as informações estão baseadas em evidências científicas, com a avaliação da Conitec, que resulta na efetividade e sustentabilidade como política pública, com equidade e acesso universal ao SUS”, afirmou.
Dentre as principais alterações do PCDT para o Manejo do HIV/aids em Adultos, estão a incorporação de dolutegravir 50 mg para início de tratamento e como medicamento de uso restrito; a ampliação de uso do dolutegravir para segunda linha; a ampliação de uso para Pessoas Vivendo com HIV/Aids do alelo do HLA*-B5701 no SUS; e a exclusão, no SUS, dos medicamentos didanosina, saquinavir e fosamprenavir. O esquema inicial preferencial em adultos é o tenofovir, lamivudina e dolutegravir. Já o esquema inicial alternativo é o abacavir/tenofovir com lamivudina e efavirenz.
No caso da para coinfecção tuberculose-HIV, o esquema inicial preferencial sem critério de gravidade é tenofovir + lamivudina + efavirenz. Com critério de gravidade é tenofovir + lamivudina + raltegravir.
O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o Manejo do HIV/Aids em Crianças e Adolescentes tem como principais alterações a utilização do medicamento raltegravir como primeira linha de tratamento para pacientes com idade entre dois e 12 anos; o dolutegravir para crianças acima de 12 anos; a vacina para HPV para ambos os sexos entre nove e 26 anos; e as desincorporações dos antirretrovirais didanosina, saquinavir e estavudina.
AGRADECIMENTOS – Na plateia, a escritora e ativista Janette Alvim Soares, de Guarapari (ES), agradeceu ao Ministério da Saúde por não ser mais paciente coinfectada com HIV e hepatite C. Ela descobriu a coinfecção em 1990 e iniciou o tratamento com daclatasvir, sofosbuvir e ribavirina somente em novembro de 2016. “Antes disso, passei muitos anos numa agonia só. Quando descobri que estava apenas monoifectada, que havia me curado da hepatite C, em maio de 2017, eu percebi que havia nascido novamente”, declarou. Durante o VII Congresso Brasileiro de Aids, ela colocou à venda o livro Pássaros ainda cantam em minha janela, em que narra a sua trajetória desde o movimento hippie, nos anos 70, até o dia que descobriu que tinha o vírus HIV e seu histórico de luta contra a doença.
Dica de entrevista
Assessoria de Imprensa do Departamento 
Tel.: (61) 3315-7665
Fonte: Assessoria de Comunicação - Departamento de Vigilância e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais 
 

Saúde municipal de São Paulo disponibiliza testes de sífilis aos domingos na Paulista



O programa municipal de DST/AIDS, órgão da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de São Paulo, decidiu ampliar a testagem sorológica gratuita oferecida aos domingos na Avenida Paulista. A partir de agora, além dos testes rápidos anti-HIV, a unidade móvel do programa também vai disponibilizar exames de identificação da sífilis.
“Aproveitamos o sucesso da campanha ‘Fique Sabendo’ para estender a testagem também à sífilis. A ideia é aproveitar o fechamento para o trânsito de veículos na Av. Paulista, que ocorre todos os domingos, e oferecer à população a oportunidade de ter mais informações sobre as infecções sexualmente transmissíveis e a possibilidade de conhecerem sua condição sorológica”, explica Maria Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de DST/AIDS.
Outra novidade é a mudança do horário da campanha. A unidade móvel agora ficará estacionada das 12h às 16h, próxima ao Parque Mário Covas.
Além da testagem, ao menos 10 técnicos do Programa Municipal de DST/AIDS também vão oferecer aconselhamento, orientações e distribuição de insumos de prevenção contra o vírus da AIDS, como preservativos masculinos e femininos. O resultado dos exames sai em cerca de 20 minutos.
Dica de entrevista:
Programa Municipal DST/AIDS
Thiago Pássaro
(11) 3397- 2188 // 9-9714-9701

Fonte: Assessoria de Comunicação - Secretaria Municipal da Saúde

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Autoteste de HIV estará disponível nacionalmente até o fim de julho em farmácias



O autoteste para detectar a presença do vírus HIV no organismo deve estar disponível em farmácias de todo o país até o fim do mês. Nesta semana, o primeiro teste desse tipo a ser vendido no Brasil começou a chegar às farmácias do Rio de Janeiro. O produto, que custa entre R$ 60 e R$ 70, pode ser comprado semreceita médica, e a testagem produz resultado 10 minutos após o sangue entrar em contato com o reagente.
O Brasil é o primeiro país da América Latina e Caribe a disponibilizar o autoteste em farmácias. Para a diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Adele Benzaken, o produto é uma ferramenta importante para aumentar a capacidade de diagnóstico do vírus. Identificar a presença do HIV em 90% das pessoas infectadas é uma das metas da Organização das Nações Unidas (ONU) para 2020.
"Advogamos tanto com relação ao autoteste porque acreditamos que ele amplia e muito a cobertura diagnóstica. Têm pessoas que não querem ir à unidade de saúde para fazer o teste do HIV", pondera ela, que alerta que o resultado positivo no autoteste não é um diagnóstico. Para tal, é preciso confirmação de outros exames e acompanhamento de profissionais de saúde. "O teste da farmácia não é confirmatório. Com o autoteste positivo, deve-se buscar imediatamente a unidade de saúde para fazer novos testes confirmatórios", explica.
Segundo a diretora, o produto não será comprado pelo ministério para ser disponibilizado em unidades de saúde por causa do seu preço. "Sob o ponto de vista financeiro, ele está muito caro para adotarmos. Hoje, o Ministério da Saúde adquire o teste rápido por R$ 2. Nesse momento, achamos que o mais vantajoso é continuar comprando o teste rápido que já compramos e distribuímos".
Janela
Segundo a farmacêutica Orange Life, que produz o kit no país, a distribuição será levada a São Paulo e Espírito Santo na semana que vem, para depois expandir-se para o restante do território nacional. Os primeiros 10 mil kits de testagens foram distribuídos para algumas redes de farmácias no estado do Rio ao longo da última semana.
A responsável técnica da Orange Life, Larissa Lima, afirma que o teste tem 99,9% de precisão, mas só detecta a presença do HIV ao menos 30 dias após a relação sexual em que houve a transmissão. Antes disso, o organismo do indivíduo ainda não produziu anticorpos -  e são eles que apontam a presença do vírus durante o teste. Caso o resultado seja negativo, é recomendável repetir o teste mais vezes, 30 dias depois, 60 dias depois e 90 dias depois, segundo Larissa. Além dos instrumentos para a realização do teste, a embalagem do  teste contém os contatos do Disque Saúde (136) e um número da própria empresa farmacêutica, que também prestará informações ao usuário gratuitamente.
Tratamento
A diretora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Valdiléa Veloso, acredita que o teste será importante para que os soropositivos possam começar o tratamento mais cedo, o que permite uma melhor qualidade de vida: "Se forem diagnosticadas e tratadas precocemente, a expectativa de vida [das pessoas com HIV] é semelhante à da população em geral. Então, é importante que elas se testem".
A pesquisadora acredita que a possibilidade de o teste ser feito em casa é uma ferramenta para levar a testagem a pessoas de grupos vulneráveis, que têm receio de buscar o serviço de saúde. "Essa disponibilização na farmácia é uma oportunidade para que as pessoas que não se sentem bem no serviço de saúde possam comprar o teste, se testarem e ter o seu resultado de forma reservada".
Para Valdiléia, a chegada do autoteste e a adoção da profilaxia pré-exposição, tratamento em que remédios consumidos regularmente reduzem a chance contágio, completam o leque de prevenção ao HIV no país. "As barreiras ainda continuam sendo o preconceito e a discriminação, e isso faz com que as pessoas não se abram para conversar sobre risco, prevenção. Isso principalmente com o retardo do diagnostico".
Estigma
Ativista pela prevenção ao HIV, Josimar Pereira da Costa é membro da secretaria-executiva do Fórum de ONGs/Aids e colaborador do Grupo Pela Vida. Ele concorda que mais possibilidades de testagens são bem vindas, mas vê com preocupação os testes feitos em casa. Josimar pede mais campanhas de conscientização para quebrar preconceitos contra a população soropositiva e desmistificar o que é viver com o vírus, para que a pessoa que tiver um resultado positivo no autoteste esteja mais preparada.
"O Brasil é um país em que há um grande estigma contra o HIV, e a pessoa tem medo de se revelar, medo de se expor, por conta de toda essa questão. Existe um preconceito que vê a pessoa como sendo intocável. Ela é rotulada como promíscua", diz ele. "É preciso dar muito apoio a essa pessoa, que testou sozinha em casa e descobriu que tem uma doença sem cura contra a qual ainda existe um estigma muito grande".
Costa vive com HIV há 27 anos e também acredita que as unidades básicas de saúde precisarão ter portas de entrada bem preparadas para atender os que realizaram o teste em casa. "Na clínica da família, por exemplo, tem que estar preparado desde o agente de saúde que vai receber essa pessoa".
A diretora do Ministério da Saúde afirma que a pasta realiza campanhas para combater a discriminação e destaca que a experiência dos países em que o teste foi disponibilizado é positiva. "O autoteste já é uma realidade fora do Brasil há mais de uma década e não temos nenhuma evidência de que isso provoca algum tipo de dano para a pessoa que é autotestada positivo. Ela não difere das outras [que testaram em outros locais]", aponta.

Fonte : Agência Brasil

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