quinta-feira, 6 de julho de 2017

Coinfecção HIV e DST será debatida em Congresso Internacional, no Rio de Janeiro



Para compreender o atual cenário das doenças sexualmente transmissíveis no Brasil e no mundo, a ABIA conversou com o atual presidente da Sociedade Brasileira de Doença Sexualmente Transmissível (SBDST), Mauro Romero Leal Passos. Doutor em Ciências (Microbiologia) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Passos é titular do Departamento de Microbiologia e Parasitologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e presidente do STI & HIV World Congress Rio 2017, que começa neste domingo (9), no Rio de Janeiro. Nesta entrevista, o especialista faz um balanço sobre a atuação dos últimos governos e qual o papel da sociedade civil no fortalecimento da resposta às doenças sexualmente transmissíveis e à epidemia do HIV. O STI & HIV World Congress Rio 2017  vai até 12 de julho, quando inicia outro evento de peso: o XI Congresso da Sociedade Brasileira de DST. Como parte da programação científica do Pré-Congresso da Sociedade Brasileira de DST, a ABIA realiza no domingo, às 14h, o simpósio “Experiências comunitárias na prevenção às DST/AIDS no Rio de Janeiro: a perspectiva da sociedade civil organizada”. Coordenada por Veriano Terto Jr, vice-presidente da ABIA e Kátia Edmundo do Cedasp, o encontro vai promover discussões acercas das experiências dos principais integrantes de ONG’s e atores da sociedade civil para com a prevenção às DST/HIV/aids e as populações mais vulneráveis. Confira a entrevista a seguir:
ABIA – O que significa para o Brasil receber o Congresso Internacional de IST’s e HIV?
Mauro Romero Leal Passos: Tanto para o Brasil quanto para a América Latina este Congresso é uma oportunidade de reconhecer que há um avanço e respeitabilidade muito grandes no tema HIV no mundo, seja no campo científico, político ou de organizações da sociedade civil. Mas no campo das clássicas doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) avançamos muito pouco. Além disso, o evento vai ser uma oportunidade de juntar a sociedade civil, academia e pesquisadores para fazer esta ampla discussão.
Como está a situação hoje das DSTs no país?
Há dois anos estamos com um sério problema de desabastecimento de penicilina para tratar sífilis e trata-se de uma doença que sabemos tudo sobre ela há 150 anos. Não há exames básicos na rotina para fazer testes para sífilis e gonorréia, por exemplo. No caso da bactéria clamídia – responsável pela uretrite, doença no colo do útero que causa infecção nas tubas uterinas e que leva à doença inflamatória pélvica que obstrui as trompas uterinas – muitas pessoas nem sabem o que é. E estou falando da segunda ou terceira DST que mais prevalece no mundo. Outro exemplo é a tricomoníase, um parasita que provoca o corrimento vaginal, facilita o processo inflamatório na vagina e no colo do útero e favorece a transmissão do HIV se o local apresentar uma ferida. Com um processo inflamatório, tanto o HIV quanto o vírus da hepatite B e o HPV entram mais fácil. E as pessoas nem sabem o que é tricomoníase e esta é a DST que mais prevalece no mundo. No Brasil, não temos estatística sobre tricomoníase. Se perguntarmos a qualquer pesquisador ou representante do governo os dados na doença no Brasil, não se conhece. Por outro lado, temos os números de sífilis congênita que são bem conhecidos, e os de HPV, com o avanço importante da vacinação na rede pública.
Qual a lição a ser aprendida no enfrentamento da epidemia de HIV e  aids?
O Brasil é o país do contrassenso. Nós conseguimos dar todo apoio para doenças como aids, que a população reage bem e o poder público reconhece a importância. Mas nós temos hoje no país mais de 15 mil novos casos de sífilis congênita. Quando quero fazer um diagnóstico de sífilis na rede pública, tenho apenas um ou dois exames disponíveis. Já no campo da aids, quantos países do mundo oferecem o antirretroviral no serviço público? Também já conseguimos disponibilizar a vacina para HPV em pacientes que têm doenças crônicas e também que vivem com HIV.  A nossa ideia não é ter competição entre doenças, mas sim aproveitar o que se consegue em uma área e que isso sirva como exemplo.
A aids também tem uma série de graves problemas. Recentemente, há um cenário de desabastecimento de antirretrovirais em alguns estados
Isso acende ainda mais a luz amarela. Estamos realizando um Congresso Mundial onde teremos pesquisadores de ponta internacional, fora os brasileiros. Serão cerca de 400 representantes do mundo e do Brasil discutindo problemas. Vai ser um momento importante para sinalizarmos sobre este desabastecimento de antirretrovirais e sobre a ausência de estratégicas para o combate e tratamento das clássicas doenças sexualmente transmissíveis.
Qual o principal objetivo do Congresso?
Difundir os conhecimentos mais atuais sobre todas as doenças sexualmente transmissíveis. Será também uma oportunidade para que os pesquisadores e profissionais de saúde do Brasil tenham acesso as informações de ponta. É uma chance muito grande porque nem sempre conseguimos reunir tantos profissionais do Brasil num evento internacional sobre HIV e DST. Outro destaque é a participação da sociedade civil organizada, de ligas acadêmicas de faculdades e de 40 adolescentes de comunidades do Rio de Janeiro. Estão programadas atividades de educação e saúde para que estes jovens sejam motivados a respeitar a sexualidade do outro e tomem conhecimento de práticas de prevenção.
Que pontos que serão discutidos?
Abordaremos todas as doenças sexualmente transmissíveis, com enfoque para o HPV, a resistência do gonococo, a evolução da saúde global, envolvendo HIV, entre outros. No primeiro dia teremos uma plenária sobre as implicações da implementação de profilaxia pré-exposição. Também vamos debater no Congresso a transmissão materno-fetal, a sífilis congênita e uma possível eliminação da sífilis congênita na América Latina, novas tecnologias de diagnóstico para DST e HIV, prevenção do HIV, clamídia. Dados mostram que o HIV avança a passos largos na 4ª idade, acima de 50 anos. Outro tema de destaque será a conferência sobre tuberculose e HIV. A tuberculose é um problema sério. Os cânceres ligados às doenças sexualmente transmissíveis também são problemas sérios. Por exemplo, o câncer anal em pessoas que vivem com HIV e que tem HPV é muito maior que em outras populações.
O senhor pode falar um pouco sobre a relação entre as doenças sexualmente transmissíveis e o HIV?
Existe uma máxima na medicina e quem trabalha com doença sexualmente transmissível conhece muito bem: quem mais tem DST é quem já tem uma DST. Se alguém tem uma infecção sexualmente transmissível ou uma infecção na área genital como candidíase, que não é sexualmente transmissível, mas tem um processo inflamatório grande na vagina e no pênis que facilita a entrada do HIV e da hepatite B. A tricomoníase, que as pessoas muitas vezes não sabem o que é, causa um processo inflamatório mais comum na vagina do que na uretra masculina. Quando o sêmen cai ali e este sêmen tem HIV ou HPV ou o vírus da hepatite B, facilita a transmissibilidade. Outro exemplo: uma pessoa que vive com HIV e contrai o HPV possui mais chances de ter uma lesão mais agressiva. Há também incidências de outras doenças sexualmente transmissíveis em pessoas que vivem com HIV. Hoje, temos vários casos de sífilis neste grupo. Uma pessoa que tem uma úlcera causada pela sífilis no pênis e passe perto do vírus HIV, HPV ou hepatite B, a transmissão é muito mais rápida e efetiva. Uma doença facilita a entrada da outra e/ou pode complicar a outra doença. Ou seja, ter HIV e outra DST é uma complicação maior.
A partir do cenário nacional atual, como a sociedade brasileira de DST se posiciona em relação ao HPV?
Devemos lutar para diminuir o preconceito em relação à camisinha e ao sexo seguro. Esse trabalho deve ser permanente para todas as doenças, incluindo o HPV. Outra coisa é estimular cada vez mais que a mulher busque o exame preventivo de câncer do colo do útero, que é um exame periódico. Paralelo a isso, desenvolver um longo processo de educação e saúde, discutindo sobre as doenças sexualmente transmissíveis e sexualidade sem preconceitos. É igualmente importante fortalecer esse grande benefício oferecido pelo governo federal que é vacinação contra o HPV. Infelizmente, embora tenha vacinação nos postos, a cobertura ainda é baixa. Por exemplo, temos vacinação para meninos e menos de 5% foram vacinados. É preciso mobilizar toda a sociedade fale do tema e crie o ambiente para que as pessoas procurem os postos de vacinação.
Qual a importância de ampliar a vacinação do HPV na população vivendo com HIV/aids?
É primordial. Existem duas vacinas no Brasil: a bivalente e a quadrivalente. Ambas estão aprovadas pela Anvisa até 26 anos, mas tem país que já aprovou por bula até 45 anos. Eu luto para que no Brasil também se estenda até 45 anos. Imagina contrair HIV com 28 anos, vai ao posto se vacinar contra o HPE e é negado porque só a faixa etária é até 26 anos? Acho que é um problema de legislação que precisa ser resolvido. Nós temos que lutar para que todos, não só com o HIV, mas todas as doenças com imunossupressão e crônicas como hepatite C ou pessoas que estão na fila para transplante deveriam tomar a vacina.
O senhor atribui algum motivo para a vacinação contra HPV ter apresentado uma procura tão baixa, principalmente entre pessoas vivendo com HIV/aids?
Não posso dizer com precisão. Mas posso imaginar que não foram feitas campanhas boas e, portanto, a população não está mobilizada. A mesma mobilização para ter acesso aos remédios e exames pode não estar acontecendo para ter acesso à vacina. Eu acredito muito nas mobilizações da sociedade civil, das ONGs, das escolas, porque normalmente essas instituições estão mais próximas do público. Creio que estes atores deveriam estar mais mobilizados para vacinação. Somos um país que tem um dos maiores programas de vacinação pública do mundo. Nós disponibilizamos um leque de vacinas que não é qualquer país que dá para população. E ao mesmo tempo temos que fazer um esforço enorme, a sociedade tem que fazer esse trabalho para fazer com que todos entendam isso.
Como o senhor avalia o cumprimento das metas para redução da transmissão vertical do HIV e sífilis contidas no plano plurianual de 2012 a 2015, que foi aprovado pelo Congresso Nacional e que tinha como prioridade a eliminação da sífilis congênita como problema de saúde pública até 2015?
É preciso ter ação para cumprir as metas. Desde que me entendo como médico, isso está na pauta de todos os governos. Todos os ministros falam isso. Não basta ter metas. É preciso ir ao posto de saúde e ver se a gestante fez o pré-natal, se o teste VDRL foi interpretado ou se a paciente recebeu a penicilina na dose certa e no momento certo.  Há sérios problemas da vigilância epidemiológica da sífilis congênita, por exemplo. As papeletas não são preenchidas, os parceiros das mulheres grávidas que não chamados… Outro dia, uma amiga, médica e professora da UFF, atendeu uma paciente com sífilis. Ela fez o diagnóstico, tratou, deu camisinha para a paciente e ela foi para casa. Mas o marido está preso numa cadeia pública do Rio de Janeiro e, por isso, no encontro com o marido, a agente penitenciária não deixou que entrasse com a camisinha no presídio e também não deu uma camisinha para a paciente. A cadeia não tratou o marido, não fez o diagnóstico e não recomendou o uso do preservativo. Resultado: a paciente pegou sífilis de novo. Qual meta que resolve isso? Qual plano escrito resolve? São vários problemas que devem ser vistos ao mesmo tempo.
Como a falta de penicilina tem afetado o controle da epidemia de sífilis e como podemos resolver essa questão?
Já houve uma falta maior, hoje em dia é menor. O Governo Federal comprou penicilina porque tem um pacto entre os serviços de saúde federal, estadual e municipal. A penicilina está no pacto das doenças sexualmente transmissíveis para compra pelo município e pelo estado, porém eles não compraram porque faltou, porque a penicilina não é mais produzida no Brasil. Nós há mais fábricas no país e tem poucas fábricas no mundo, creio que na China e na Índia. Houve desabastecimento porque essas fábricas tiveram problemas de abastecimento. O Governo não fez um planejamento para ter o produto e acabou faltando. Penicilina é o melhor tratamento para sífilis. Faltando penicilina, não tem o tratamento, tem que usar outros remédios, que nem sempre podem ser utilizados na gravidez.  Quando falta esse remédio a pessoa não trata e isso pode aumentar a transmissibilidade. O governo brasileiro e de outros países não se deram conta que devem vigiar a produção de certos medicamentos. Com o volume de sífilis no Brasil, o país não fez o devido planejamento para ter o medicamento em estoque num momento de falta da penicilina no mercado mundial.
Qual a importância da participação da sociedade civil neste Congresso?
A sociedade civil é um do porta-voz importante das demandas, anseios, dificuldades e facilidades para a população entender o problema. E isso é primordial num congresso. E, por isso, é fundamental termos uma organização como a ABIA conosco. Só tenho a agradecer por esta oportunidade que vocês nos oferecem ao colaborar e participar, e , sobretudo, trocar conhecimento. São outros olhares com contribuições valiosas.
Que mensagem o senhor gostaria de deixar para os leitores da ABIA?
Que tanto a mensagem desta entrevista quanto o próprio congresso sejam uma oportunidade para fazer uma reflexão e até mesmo uma crítica, sobre qual caminho devemos trilhar para concretizar o bem comum. A única finalidade da ciência é aliviar a canseira da existência humana. Então, todos precisam estar envolvidos. E o meu direito como cidadão está junto com o direito do meu vizinho, parceiro ou parceira, enfim, está conectado com o direito da sociedade.


Fonte : ABIA

terça-feira, 4 de julho de 2017

Julho Amarelo 2017: Ação de testagem abre mês de conscientização sobre as hepatites virais na Câmara dos Deputados



Iniciando as atividades do Julho Amarelo, mês de conscientização sobre as hepatites virais, acontece nesta terça-feira (4), na Câmara dos Deputados, o “Dia de Luta contra a Hepatite C”. Além de serem alertados sobre aspectos que envolvem prevenção, diagnóstico precoce e tratamento das hepatites virais, funcionários e visitantes que passarem pelo Espaço Mário Covas no Anexo II da Câmara terão a oportunidade de fazer o teste rápido gratuito de hepatite C.
A ação é promovida pela Frente Parlamentar Mista de Combate às Hepatites Virais e conta com o apoio do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde, que ficou responsável por fornecer os testes e material informativo.
Ao todo, serão disponibilizados 2 mil testes de hepatite C, além da distribuição de cartazes e 2 mil folders informativos e da exibição de vídeo interativo sobre as hepatites virais. Uma equipe de apoio do DIAHV também estará no local realizando o cadastro no “Viva Melhor Sabendo”, programa que tem por objetivo ampliar a testagem voluntária e oportuna do HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), como as hepatites B e C.
A ação acontece das 9h às 17h no Espaço Mário Covas, no Anexo do II da Câmara dos Deputados, em Brasília.
Hepatites virais
As hepatites virais são doenças infecciosas que afetam o fígado e são classificadas pelas letras do alfabeto A, B, C, D e E. Essas doenças não costumam apresentar sintomas, mas, quando eles aparecem, os mais comuns são cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.
No Brasil, as hepatites virais mais comuns são as causadas pelos vírus A, B e C. Só para a hepatite C, a estimativa é que de 1,4 milhão a 1,7 milhão de pessoas sejam portadoras da doença, que é uma importante causa de cirrose e câncer de fígado. As hepatites B e C têm tratamento gratuito pelo SUS, sendo que o diagnóstico precoce da hepatite amplia a eficácia do tratamento, com grandes chances de cura no caso da hepatite C.

amfAR lança websérie sobre como a cura da aids impactaria a vida de pessoas soropositivas



A amfAR, Fundação para a Pesquisa da Aids, acaba de lançar a websérie "Vozes Épicas", que traz histórias de soropositivos que explicam como o HIV impacta suas vidas e o que a cura significaria para eles. O objetivo dos vídeos é conscientizar a população de que os desafios para o fim do HIV/aids continuam e, ao mesmo tempo,  inspirar a geração millenium e a comunidade LGBT a apoiarem as pesquisas para a cura da aids.
 
"O HIV não é mais uma sentença de morte, mas uma sentença de vida porque eu vou viver tomando as minhas medicações, indo ao médico, lutando com plano de saúde e essas questões irão me acompanhar por toda a minha vida", explicou Hydeia Broadbent, uma ativista que nasceu com HIV, em um dos vídeos da websérie "Vozes Épicas".
 
Os vídeos trazem depoimentos de pessoas com diferentes perfis que vivem com HIV/aids e, portanto, vários pontos de vista sobre os desafios de ser soropositivo. As cinco "Vozes Épicas" são: Hydeia Broadbent, ativista que nasceu com HIV/Aids; Mykki Blanco, rapper e artista; Ken Williams, palestrante e fundador do blog "Ken Like Barbie"; Ongina (Ryan Palao), ator; Teo Drake, homem trans que vive com HIV há bastante tempo. Todos os vídeos estão disponíveis aqui.
 
Comunidade LGBT jovem
 
A comunidade LGBT definiu e liderou o debate sobre o HIV/aids no início da epidemia.  Posteriormente, a disponibilidade de tratamentos que mantêm o vírus sob controle por anos reduziu muito a percepção de que o HIV é uma questão de saúde grave. No entanto, o tratamento continua sendo um desafio – um terço das pessoas que vivem com HIV estão com o vírus suprimido – e o estigma em relação ao HIV ainda é muito grande.
 
"Nós queremos revitalizar a comunidade LGBT – especialmente a geração mais nova – e engajá-los na busca pela cura do HIV", afirmou Kevin Frost, CEO da amfAR. "A websérie mostra a percepção do HIV de maneiras particulares e distintas e, com isso, esperamos inspirar ações, dissipar o estigma e, quem sabe, até mudar a forma como HIV é visto e discutido atualmente", complementa Frost.
 
Para o rapper Mykki Blanco, que anunciou publicamente no Facebook que é soropositivo desde 2011, a cura significa o "fim do estigma" e para Ongina, que divulgou ao público que tem HIV durante um episódio do reality show  RuPaul's Drag Race, a cura significaria "liberdade".  Já para Drake, um homem trans que vive com HIV há mais de 20 anos, a cura significaria que "aqueles que já têm HIV não seriam esquecidos".
 
Williams, que documenta a suas experiências de vida como um homem negro gay em seu blog "Ken Like Barbie", afirma que a cura é o próximo passo. "Estou animado pelo saber como será o futuro do HIV e espero que eu consiga ver isso porque quero celebrar com todo mundo", afirma ele.
 
Em 2014, a amfAR lançou a "Contagem regressiva para a cura da Aids", uma iniciativa destinada a desenvolver a base científica para a cura até o final de 2020. O projeto visa intensificar o programa de pesquisa focado na cura do HIV por meio de investimentos de US$ 100 milhões. A estratégia representa uma expansão, sem precedentes, dos subsídios da amfAR e tem o objetivo de oferecer suporte a qualquer cientista ou equipe de investigadores para qualquer ideia de pesquisa com potencial para avançar a busca da cura, em qualquer fase do seu desenvolvimento.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Médico é condenado por resultado errado em exame de sífilis, destaca Estadão

Um médico de São Carlos, no interior paulista, foi condenado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) a pagar R$ 20 mil de danos morais a uma paciente por erro em um exame laboratorial. Após o parto, a mulher foi informada pelo profissional que ela tinha sífilis. A mãe e o bebê teriam que passar por tratamento para a doença.
Onze dias depois foi comprovado que o diagnóstico estava equivocado, mas a comunicação inicial do médico levou ao rompimento do relacionamento da paciente com seu marido por suspeita de traição, já que a sífilis é uma doença sexualmente transmissível. O caso aconteceu em dezembro de 2009.
Segundo a família, o médico não fez a ressalva de que o exame poderia ser inconclusivo e de que o diagnóstico dependeria de novas análises clínicas. Eles também disseram que o profissional comunicou o resultado na frente de outras pessoas que estavam no quarto com a mulher.
Erickson Gavazza Marques, desembargador da 5ª Câmara de Direito Privado, manteve a sentença da 4ª Vara Cível de São Carlos e disse que ficou caracterizado o erro no diagnóstico e o dano psicológico causado à paciente e sua família.
"Não se pode deixar de reconhecer que o diagnóstico equivocado e a ausência das devidas informações ou mesmo a divulgação do diagnóstico à paciente antes da contraprova gerou dano moral, pois houve suspeita de traição que levou os autores até mesmo a romper o relacionamento."

Teste rápido para HIV passa a ser vendido em farmácias do Brasi

Teste rápido para HIV passa a ser vendido em farmácias do Brasil

O primeiro teste de farmácia para detectar HIV registrado no Brasil - chamado Action - passa a estar disponível em drogarias do país a partir desta segunda-feira (3). O produto da empresa Orange Life chegará a São Paulo e Espírito Santo a partir da semana que vem. Até o fim do mês, a previsão da farmacêutica é que o teste possa ser comprado em todo o país. O preço deve variar de R$60 a R$70.
O exame, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em maio, detecta a presença dos anticorpos contra o vírus HIV a partir da coleta de gotas de sangue. O teste Action traz o dispositivo de teste, um líquido reagente, uma lanceta para furar o dedo, um sachê de álcool e um capilar (tubinho para coletar o sangue) e o resultado demora de 15 a 20 minutos para sair.
A fábrica da Orange Life, que fica no estado do Rio de Janeiro, tem capacidade para fabricar 100 mil testes por mês. Atualmente, a produção é de 40 mil doses por mês e 10 mil unidades estão sendo distribuídas só no estado do Rio de Janeiro.
Efetividade
Segundo a Anivsa, o teste demonstrou sensibilidade e efetividade de 99,9%. No entanto, só pode indicar a presença do HIV após 30 dias do contato com o vírus por meio de uma relação sexual ou compartilhamento de agulha, por exemplo.
Se o resultado der positivo, recomenda-se confirmá-lo com um teste de laboratório. Em caso de resultado negativo, o teste deve ser repetido após 30 dias e outra vez depois de mais 30 dias até completar 120 dias após a primeira exposição.
Até o momento, testes de HIV eram feitos somente com intermédio de profissionais de saúde em laboratórios, centros de referência e unidades de testagem móvel.
A Anvisa definiui as regras para a venda de testes rápidos de HIV em novembro de 2015.

Fonte : Bem Estar

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Parada Gay de SP terá Anitta, Daniela Mercury e Naiara Azevedo neste domingo



A 21ª edição da Parada Gay de São Paulo, que acontece entre as 12h e as 18h deste domingo (18), na região central da capital paulista, vai contar com a participação de Anitta, Daniela Mercury, Naiara Azevedo, entre outros artistas. O anúncio das atrações musicais foi feito nessa terça-feira (13), na sede da Prefeitura.
A estimativa da administração municipal é de que cerca de 3 milhões de pessoas passem pelo evento, que vai percorrer a Avenida Paulista, seguir pela Rua da Consolação e terminar com um show no Vale do Anhangabaú.

A expectativa de público foi dada pelo prefeito João Doria (PSDB), com ressalva: "se o tempo estiver bom". Na Virada Cultural, o prefeito culpou São Pedro pelo baixo número de espectadores.
Ao todo, 19 trios elétricos vão integrar a festa, patrocinados por instituições e empresas parceiras. A Prefeitura, por sua vez, vai investir aproximadamente R$ 1,5 milhão na infraestrutura do evento - a quantia é a mesma disponibilizada para a edição do ano passado, segundo a gestão Doria.
Anitta e Naiara Azevedo vão se apresentar no trio patrocinado por uma empresa de transporte individual de passageiros. Junto com elas, na festa batizada de Chá da Alice, estarão Márcia Freire, ex-vocalista da banda Cheiro de Amor, e a cantora amazonense Lorena Simpson. A patrocinadora ainda promete uma atração especial, que só será divulgada no sábado, véspera da Parada.
Prefeitura divulga detalhes da Parada do Orgulho LGBT de 2017
Apesar da concorrência, para o prefeito João Doria, a principal atração musical do evento é Daniela Mercury, que estará em outro trio, patrocinado por uma marca de cerveja. "Fico muito feliz que ela tenha aceitado o convite para ser uma das principais, na verdade, posso dizer que, do ponto de vista musical, a principal atração da Parada LGBT", afirmou o tucano.
Doria, porém, não acompanhará a apresentação da cantora baiana. Assim como na Virada Cultural, o prefeito não vai participar da festa. Desta vez, por conta de uma viagem –a primeira não-oficial desde que assumiu a Prefeitura. O tucano estará em Porto Rico com a família para celebrar os 15 anos da filha Carolina.
"Quem tem filha sabe o drama que é o negócio de 15 anos. Prometi à minha filha, há dois anos, eu nem candidato era. Imagina se depois de dois anos eu ia dizer para minha filha: 'Seu pai não vai, você vai comemorar seus 15 anos sem seu pai'. Eu amanheceria boiando no Rio Tietê, mortinho. Minha filha é brava", brincou.
Economia
A Prefeitura estima que 20% do público da Parada seja composto por turistas. Cerca de 600 mil pessoas que devem sair de outras cidades, estados e até países para participar do evento e movimentar a economia da capital paulista em aproximadamente R$ 45 milhões, conforme projeção de Doria. "Isso se traduz obviamente em renda, emprego e impostos", disse.
De acordo com o prefeito, considerando também o consumo de residentes da Grande São Paulo, a Parada deve girar um valor ainda maior. E já a partir do início do feriado prolongado, na quinta-feira (15): "100 milhões de reais de impacto direto na economia da nossa cidade, o que é um valor absolutamente expressivo, considerando o tempo de realização do evento e o período que o antecede", completou.

Fonte : G1

Homofobia tem 465 vítimas em dez anos, em São Paulo



O G1 fez um levantamento sobre os casos de homofobia em São Paulo, a reportagem especial foi publicada nesta terça-feira (13) – leia aqui. São 465 vítimas de homofobia em 10 anos, ampliando para todo o Brasil, a cada 25 horas uma pessoa é agredida ou morta por causa de sua orientação sexual. O “Bom Dia Brasil”, da “TV Globo”, conversou com ativistas, especialista e uma vítima da homofobia em São Paulo sobre esses dados, na manhã desta quarta-feira (14).
O mapeamento mostra todos os casos registrados na Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) motivados por homofobia. No mapa, é possível ver detalhes de cada vítima e o respectivo boletim registrado, com o ano, a localidade, a natureza da ocorrência, o sexo e a idade. O levantamento inédito permite identificar onde ocorrem os casos de homofobia na Grande São Paulo.
“Num cenário pacato, de uma cidade pequena perto de São Paulo, o rapaz foi vítima de uma cena dignada de gente de cabeça pequena”, afirmou o repórter Pheline Siani.
“Eu tava parado e passaram dois rapazes e um deles começou a mexer, começou a falar coisa, tipo: ‘bicha.’ Naquela hora eu já senti medo e tal. Depois eu vi que um falou pro outro: ‘vamos quebrar essa bicha no meio?’ Quando eu vi, eles começaram a vir, eu acelerei o passo para sair dali”, contou a vítima que por medo não quis ser identificado na matéria.
O jovem não diz que não fez nada que pudesse provocar os agressores e mesmo assim foi agredido verbalmente e fisicamente. A vítima foi espancada até desmaiar, “simplesmente porque estava na rua e era gay”, explica o repórter.
Segundo o ativista LGBT Agripino Magalhães, os dados de crimes relacionados à homofobia é muito maior, pois a maioria das vítimas temem denunciar: “tem medo de não ter justiça e os órgãos que deveriam receber esses LGBTs não recebem. [Temem] por causa da família, da religião ou do trabalho.”
Do total de boletins de ocorrência feitos de 2006 a 2016, 219 viraram inquérito na delegacia especializada – 55% do total. Não há, no entanto, casos de homicídio mapeados, já que a motivação desse tipo de crime só é conhecida durante a investigação.

  CNS discute desafios para garantir direito universal à Saúde em tempos de negacionismo, durante debate na UFRGS 14 de fevereiro de 2022 O ...