Mais uma entidade, o Mopaids ( Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids) se manifesta, por meio de carta, em relação à nova gestão no Ministério da Saúde, agora sob comando do engenheiro Ricardo Barros. "A resposta brasileira frente à epidemia da aids e assistência às pessoas com HIV é mérito da sociedade civil organizada em parceria com os Programas de Aids, que colocam o Brasil em destaque como “referência mundial”, contudo faz se necessário manter e ampliar os serviços", diz um trecho do documento que publicamos na íntegra:
Recomendação do Mopaids ao ministro da Saúde
O Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids - Mopaids visa potencializar ações de políticas públicas de saúde integradas, junto aos Programas de DST-AIDS e Secretaria Municipal de Saúde, cujo propósito é refletir, socializar compreensões e potencializar críticas e intervenções propositivas da sociedade civil organizada para o debate sobre ações em DST-HIV/aids no município de São Paulo. Em reunião ordinária datada em 18 deste, foram levantadas questões relacionadas à vossa nomeação ao Ministério da Saúde e aos serviços especializados de saúde para as pessoas que vivem com HIV/aids.
Nesse sentido, nos apresentamos a V.Exa. com objetivo de manifestar que faça uma excelente gestão na pasta da saúde assumida à frente do Ministério da Saúde.
Salientamos que a epidemia de aids não está “estável” e “controlada” no Brasil, as análises e estudos oficialmente apresentados não condizem com a nossa incidência política e realidade de movimento nacional de luta contra a Aids e a vivência no dia a dia, diretamente com as pessoas que vivem com HIV/aids que nos referem esta constatação.
Esta afirmação de que estamos diante de uma epidemia “controlada” provoca um desserviço fazendo com que a prevenção e a assistência se tornem frágeis, bem como promove a diminuição de recursos financeiros, fomentos em pesquisas e cooperações internacionais. Também interferem nas gestões dos Programas de Aids de âmbitos estadual e municipal.
A epidemia continua crescente para além das populações-chave (homens que fazem sexo com homens, usuários de álcool e outras drogas, trabalhadores e trabalhadoras do sexo, população transgêneros e população privada de liberdade). O índice de mortalidade é crescente, mais de 12 mil pessoas morrem por aids ao ano.
O Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), em conjunto à OMS (Organização Mundial da Saúde), estabeleceu metas na área de prevenção, tratamento e metas na área de discriminação e estigmatização como condições necessárias para impor o controle da epidemia de HIV até 2030. Sendo chamadas como Metas 90-90-90 e Zero Discriminação. Estas metas são otimistas demais considerando a atual conjuntura da saúde no Brasil.
A resposta brasileira frente à epidemia da aids e assistência às pessoas com HIV é mérito da sociedade civil organizada em parceria com os Programas de Aids, que colocam o Brasil em destaque como “referência mundial”, contudo faz se necessário manter e ampliar os serviços de atenção especializada em aids e coinfecções de HIV/tuberculose e hepatite.
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