Um grupo acadêmico do Maranhão, que une estudantes de enfermagem, psicologia, biomedicina, farmácia, odontologia e serviço social, cursos ligados à área da saúde, decidiram pesquisar mais sobre o vírus HIV. Eles criaram, em 2013, a Liga Acadêmica de DST/Aids. No grupo, há monografias que abordam, por exemplo, a relação sorodiscordante - quando uma pessoa tem o vírus e a outra não. Há ainda uma pesquisa que estuda os efeitos colaterais do 3 em 1 - uma combinação de três antirretrovirais (tenofovir, lamivudina e efavirenz) usada no tratamento contra o vírus HIV. Desde 2013 a droga é indicada pelo Ministério da Saúde a pessoas soropositivas que estão iniciando o tratamento.
"Decidimos nos aprofundar cientificamente neste tema para aprender mais sobre como lidar com os pacientes soropositivos. Muitos profissionais e estudantes da área da saúde desconhecem as especificidades das pessoas que vivem com HIV/aids", explicou o jovem Jadilson Neto, idealizador e presidente da Liga.
Segundo ele, na universidade o estudante aprende a teoria. “Mas a prática e a humanização na saúde faz toda a diferença. Acredito que as monografias vão nos trazer boas respostas. Contribuir com pesquisas acadêmicas sempre foi o objetivo do grupo."
Ao todo, sete monografias dedicadas ao tema HIV/aids serão apresentadas neste ano, algumas já foram concluídas. "Foi uma surpresa a quantidade de trabalhos sobre HIV/aids. O tema é diverso e há vários aspectos que podemos estudar", comemorou Jadilson.
Hoje, de acordo com o jovem, que também é estudante de enfermagem, a liga é formada por 27 pessoas, a maioria mulher, e atua especialmente no campo da aids. São estudantes da Faculdade do Maranhão e de outras universidades. Os integrantes geralmente fazem estágio no Grupo Solidariedade e Vida, ONG que acolhe pessoas HIV+ no Maranhão, e nos hospitais municipal e estadual de referência em HIV/aids.
"Para participar da Liga Acadêmica de DST/Aids é preciso estar no terceiro semestre de qualquer curso da área da saúde e querer aprender mais sobre a doença. Todo ligante [termo usado para descrever os participantes] contribui com uma taxa de R$ 20,00 mensal. A verba é usada no custeio de atividades desenvolvidas pelo grupo ou viagens dos participantes."
A coordenadora do curso de enfermagem na Faculdade do Maranhão, Flávia Helena, elogiou a iniciativa. "Através deste grupo conseguimos divulgar e despertar o interesse do meio acadêmico pelo tema HIV/aids. As atividades desenvolvidas por eles desperta o interesse dos estudantes pela busca de conhecimento na área. A coordenação de enfermagem sempre apoiou as pesquisas e estamos felizes com o resultado dos alunos, tem monografias com referência nacional."
Antonilde Ribeiro, mestre em Saúde Pública e orientadora da liga, contou que o aprofundamento no tema HIV/aids é de iniciativa dos estudantes e explicou qual é o processo para chegar ao tema de pesquisa. "Os alunos elaboraram um projeto que vai delinear as atividades de ensino, pesquisa e extensão da temática. A pesquisa é desenvolvida no período mínimo de um ano. Os estudantes buscam o conhecimento e nós, professores, damos apoio no desenvolvimento da pesquisa."
Jadilson disse que desde que a liga foi criada mais de mil pessoas vivendo com HIV/aids no Maranhão foram beneficiadas com o trabalho dos estudantes. "Somos referência no estudo sobre aids na cidade, fazemos palestras em diferentes lugares e sempre estamos à disposição para esclarecer dúvidas. Neste ano, por exemplo, ajudamos o governo local a construir a campanha de prevenção ao HIV no Carnaval. Já participamos de 35 eventos específicos sobre HIV/aids."
A liga acadêmica está preparando para 2017 um seminário destinado aos profissionais de saúde da atenção básica. "A ideia é apresentar os resultados das monografias e chamar a atenção para as especificidades das pessoas vivendo com HIV/aids", revelou o jovem.
Casais sorodiscordantes
Além de estar à frente da liga, o jovem Jadilson é pesquisador. Ele decidiu estudar o universo dos casais sorodiscordantes e a decisão, segundo ele, se deu por ser um assunto pouco divulgado entre os profissionais de saúde. “Com a mudança na epidemia e a possibilidade da cronificação, é cada vez mais comum encontrar casais com sorologia diferente para o HIV.”
Participam do estudo, 70 casais sorodiscordantes. O estudo aborda a vulnerabilidade desta população frente às infecções sexualmente transmissíveis e suas atitudes comportamentais.
Jadilson Neto e sua orientadora Antonilde Ribeiro construíram uma “Analise de Revisão Bibliográfica sobre o Comportamento de Indivíduos que Constituem Casais Sorodiscordantes” para a elaboração do projeto “Perfil dos Casais Sorodiscordantes Frente à Transmissibilidade da Infecção pelo HIV”. O objetivo é mobilizar a comunidade e os locais de treinamento com informações técnicas que permitam familiaridade dos profissionais de saúde com estes novos temas.
"A partir dos resultados desta pesquisa decidimos criar um cartilha sobre casais sorodiscordantes. O livreto será lançado em 12 de junho, dia dos namorados, e vai abordar ainda as novas tecnologias de prevenção", finalizou o ativista. Assim que concluir o curso de graduação, Jadilson deixará a liga.
Parabéns pelo trabalho e receba minha admiração e agradecer por ter pessoas como você.Deus te abençoe
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