segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Curitiba 2017: Programa Municipal de DST/Aids de SP lança aplicativo de prevenção à transmissão vertical do HIV, sífilis e hepatites



O Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo lançou na tarde dessa quarta-feira (27), em Curitiba, durante o Hepaids, o TVSP, um aplicativo de prevenção à transmissão vertical do HIV, da sífilis e das hepatites. Direcionado aos profissionais de saúde de todo o país, a ferramenta é gratuita e traz informações técnicas sobre como prevenir a infecção da transmissão de infecções de mãe para filho.
“A ideia é facilitar o acesso a informações sobre os procedimentos corretos que um profissional de saúde deve seguir quando o assunto é transmissão vertical”, explicou Cristina Abbate, coordenadora do Programa. Segundo a gestora, o aplicativo traz procedimentos a serem seguidos em cada fase da vida da mulher e da criança, e por tipo de infecção (HIV, sífilis e hepatites B e C). “A tecnologia será direcionada também para as equipes que atendem em maternidades, a tomarem decisões desde o pré-parto ao puerpério.”
O “TVSP” está disponível para download gratuito para a loja de aplicativos do Google. Em breve também poderá ser baixado na Apple Store.
O lançamento contou a presença da diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken, e da coordenadora adjunta do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo, Maria Clara Gianna. “Ter todo protocolo no seu próprio celular vai abolir qualquer tipo de manual. A divulgação das informações será mais rápida, parabéns São Paulo pela iniciativa, é bem-vinda”, disse Adele. “Acredito que este aplicativo vai colaborar para que a gente caminhe para a eliminação da transmissão vertical do HIV. Ele será indicado para todos os profissionais de saúde do estado”, completou Maria Clara.
O 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais termina nesta sexta-feira (29).
Serviço:
11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais
De 26 a 29 de setembro
Expo Unimed (Rua Professor Viriato Parigot de Souza, 5300)

Curitiba 2017: Unidades de saúde ainda não estão preparadas para receber imigrantes



Nos últimos dez anos, o número de imigrantes no Brasil aumentou em 160%, segundo dados da Polícia Federal. No ano de 2015, 120 mil estrangeiros entraram com visto de permanência no país e esse ranking é liderado por haitianos que sofreram com furacões e terremotos fazendo com que muitos viessem ao Brasil em busca de novas oportunidades e um local mais seguro para viver. 
Antes dos anos 2000, o Brasil registrava uma média de apenas 5 haitianos entrando no país com visto de permanência. Já em 2014, após tragédias naturais que mataram e desabrigaram milhares de haitianos, o número desses imigrantes subiu para mais de 10 mil ao ano. 
Já morando no Brasil, eles começaram a procurar os centros de saúde por diferentes motivos, principalmente por gravidez, e foi então que os profissionais brasileiros se deram conta de que não estavam preparados para receber esse público. 
Baseada em sua experiência no estado do Rio Grande do Sul, Simone Ávila, assesora da secretaria municipal de Porto Alegre, conta que o primeiro impacto foi a dificuldade com a língua. "Os profissionais de saúde não sabiam como conversar com eles, não conseguiam estabelecer uma comunicação."
Diante desse quadro, o ministério público começou a promover ações para preparar as unidades para receber e atender a demanda desses imigrantes. Dentre as principais barreiras estavam, além do idioma - que é o criolo ou o francês no caso dos haitianos, a documentação - porque os profissionais tinham dificuldades em fazer o cartão do SUS para estrangeiros, o isolamento da família, racismo, medo e insegurança dos pacientes. 
Além disso, os profissionais de saúde precisam entender e se adaptar às diferenças culturais. Simone conta que durante um treinamento para haitianos muitos ficaram constrangidos ou desconfortáveis devido ao fato de uma mulher estar falando sobre sexualidade com eles. "Esse desconforto só foi amenizado depois que um homem, que falava o idioma, conversou com eles. Não tenho ideia do que ele falou, mas depois disso começaram a prestar mais atenção e a interagirem, fazerem perguntas".
Em uma outra experiência, a assessora conta que esteve com um senegalês que era muçulmano e, de início, recusou a camisinha, devido às suas premissas religiosas, mas como a religião muçulmana permite relações poligâmicas (permite que o homem se case com até 4 mulheres) essa também se tornou uma preocupação. 
Levar informação até o local de trabalho desses imigrantes, inclusive através de oficinas e semanas de prevenção de acidentes, é muito importante. "Porque até fazer o curso, os haitianos não iam aos posto de saúde. Os cursos fizeram com que nossa comunicação melhorasse e eles ficassem mais alegres também", disse Simone enquanto contava a experiência de um profissional de saúde que disse perceber o brilho no olhar de uma haitiana quando falaram sua língua. 
Por isso, "nosso principal desafio é prestar um serviço de qualidade, conseguindo entender e atender a necessidade do pacientes, evitando erros de diagnóstico por não compreender o paciente".

Serviço:
11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais
De 26 a 29 de setembro
Expo Unimed (Rua Professor Viriato Parigot de Souza, 5300)
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Curitiba 2017: Aborda comemora 20 anos de exiistência com lançamento de revista



Foi num evento de aids de 1997, em Brasília, que a Aborda (Associação Brasileira de Redução de Danos) foi fundada. Na época o uso de drogas injetável era importante fator de transmissão do vírus HIV e exigia uma ação social, muito além do que a governamental poderia alcançar. "Reunimos ativistas, pesquisadores e usuários de drogas e decidimos formar uma associação que nos representasse e formulasse propostas de políticas públicas", contou Domiciano Siqueira, primeiro presidente da associação.
Vinte anos depois a organização conta sua história numa publicação que além de resgatar a trajetória da instituição, reflete sobre o momento atual e apresenta fatos históricos mundias sobre a repressão ao uso de drogas e o crescimento do movimento antiproibicionista. A revista traz ainda experiências de redução de danos nas cinco regiões do Brasil e dois artigos: um dedicado a relação de redução de danos e antiproibicionismo escrito por Ingrid Farias, redutora de Pernambuco e outro apresentando pontos em comuns de atuação sobre aids e drogas de autoria do jornalista Liandro Lindner, que também editou a revista.
Segundo o presidente da Aborda, Álvaro Mendes, a rede "está presente em todos os estados brasileiros e atua tanto na área de prevenção a saúde, como na garantia dos direitos humanos das pessoas que usam drogas." Os mobilizadores representam a Aborda nos estados e contam também com mobilizadores regionais. No mês passado, em Salvador, foi realizado o 12º encontro nacional que definiu linhas estratégicas de ação para os próximos anos.
A publicação teve a parceria do Departamento de IST/Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde e terá distribuição nacional e gratuita. Cliqui aqui e acesse a versão digital da revista. 
Redação da Agência de Notícias da Aids com informações 
A Agência de Notícias da Aids cobriu o 11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso Brasileiro de Hepatites Virais a convite do Departamento de DST, Aids de Hepatites Virais (DDAHV).

Curitiba 2017: São Paulo é indicada cidade elegível para eliminação da transmissão vertical do HIV



O Ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciou na manhã desta sexta-feira (29), durante o 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais, em Curitiba, que São Paulo é uma das cidades elegíveis para receber a certificação da eliminação da transmissão vertical (TV) do HIV. 
“Nós recebemos vários municípios que estão certificados para eliminação da transmissão vertical do HIV, de mãe para filho. E esperamos que o Brasil todo avance nesse sentido para que nós possamos ser, eventualmente, mais um país que eliminou a transmissão vertical do vírus HIV, que é uma tarefa difícil, mas possível de alcançar”, afirmou Barros.

O processo de avaliação para certificação obedece aos parâmetros da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os munícipios que responderem a esses critérios estarão aptos a receber o prêmio pela eliminação da transmissão vertical do HIV.

A capital paulista é uma dessas cidades. O mistro também anunciou que outras cidades e São Paulo também já se candidataram para receber o certificado, como Ourinhos e Taboão da Serra.
O Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo conta com uma série de estratégias para o enfrentamento da TV do HIV, mas também da sífilis e das hepatites B e C. São, por exemplo, documentos que orientam os profissionais da saúde a prevenir essa infecção de mãe para filho, seja durante o pré-natal, no parto e até no aleitamento materno.

Outro exemplo de ação realizada pelo programa municipal é a distribuição da fórmula láctea para mulheres que são acompanhadas pelas unidades da Rede Municipal Especializada em infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)/Aids. Elas recebem a fórmula para poderem alimentar o bebê até a criança completar dois anos de idade, já que o recém-nascido não pode consumir o leite da mãe, fonte de infecção.

“Isso é resultado de um conjunto de esforços de vários setores da Secretaria Municipal da Saúde. Ficamos muito satisfeitos de poder eliminar a transmissão vertical do HIV”, celebra Cristina Abbate, coordenadora do Programa.

Curitiba 2017: Congressos chegam ao fim com premiações. Veja o que dizem os participantes do Hepaids



Na tarde dessa sexta feira, foram encerradas as atividades do 11º Congresso de HIV/Aids e do 4º Congresso de Hepatites Virais. Emocionada, a diretora do Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais, Adele Benzaken, fez um breve discurso agradecendo a todos os membros da organização e ressaltou os desafios que foram enfrentados para que o evento acontecesse. "As aparições públicas em um país como o nosso, que tem enfrentado o que chamo de crise moral, tem sido cada vez mais difíceis e enfrentar isso, desse lugar... Às vezes eu acho que essa baixinha aqui tem coragem", disse ao som dos aplausos. 
Os melhores trabalhos apresentados foram premiados e os ganhadores receberam bolsas de inscrições para apresentar projetos em outras conferências nacionais e internacionais. Durante a última semana, foram apresentados 240 trabalhos dentre conferências, rodas de conversas, mesas redondas, painéis e experiências práticas bem sucedidas. Confira as avaliações de alguns dos 3.500 participantes que estiveram no evento: Diogo Atrux, Secretaria Estadual de Saúdo do Paraná: "Eu gostei muito porque, pra mim, trouxe muita novidade. Muita informação nova, muita atualização, pra gente atuar cada vez mais apoiados em artigos científicos e estudos. Foi a primeira vez que vim ao congresso e, com certeza, vai fazer a diferença." 
Betinho Pereira, Projeto Bem Me Quer: "Achei que foram muito bem distribuídas as mesas. Mas minha expectativa era que o tema Prevenção Combinada traria várias alternativas de prevenção como intransmissibilidade por carga indetectável, mas acho que ficou muito no campo da PrEP. Acho que a medicalização da prevenção é importante, mas ela não deve ser a ponta de lança porque corre o risco de elas se flexibilizarem e se colocar em risco pra outras doenças" 
Carla Silva, enfermeira Universidade Federal de Goiás: "Gostei muito do congresso, está bem estruturado, porém acho que a avaliação dos artigos que foram selecioniados poderia ser melhor. Acho que alguns projetos deixaram a desejar, mas também houveram trabalhos interessantes. Acho que para o próximo pode ser mais abordada a questão das opções sexuais, que foram abordadas, mas acredito que precisa ser mais falado e espero voltar nos próximos."
Maria da Silva, Centro de Atenção Básica de Curitiba: "Foi excelente, com uma organização muito boa, foi muito dinâmico e essa vivência foi muito positiva para nosso trabalho. Estamos, inclusive, pensando em orgnizar um seminário no nosso município utilizando o conhecimento que foi adquirido aqui."
Iyá Lúcia, Rede Nacional de Religões Afro-Brasileiras e Saúde: "O congresso está sendo muito importante. Foi muito interessante colocar as questões das prostitutas, das mulheres trans, de terem mesas separadas e a gente poder estar escutando separadamente cada uma para entender as suas lutas, os direitos já adquiridos e os que ainda estão por vir."
Vanessa Borges, pediatra: "Quando cheguei aqui o que achei de mais interessante foram as práticas integrativas que o SUS já implementou, mas não tem em todas as unidades de saúde. E é bom já começar a ser ampliado porque a gente já sabe que funciona. Até sugiro que tenha alguém que saiba fazer, por exemplo, a meditação guiada pro pessoal usufurir disso e perceber os benefícios. Seria interessante que, no próximo congresso, eles colocassem mais pessoas dessas práticas integrativas, fazendo exercícios pra que mais pessoas conheçam esse serviço porque ele não atua só no tratamento. Ele também atua na prevenção."
Maria de Lourdes, Secretaria Especial de Saúde Indígena: "É a primeira vez que venho e estou adorando. É muito participativo e acredito que o fato de os movimentos sociais estar presente é um diferencial e um exemplo muito bom para o SUS, para os outros departamentos e outros programas e o quanto as representações da população pra quem tudo isso realmente é feito, estarem aqui falando, estarem aqui fazendo é realmente um grande diferencial. Estou levando muitas lições."
Marilene Costa, Secretaria Especial de Saúde Indígena: "Foi muito importante a participação nesse congresso até mesmo pelo espaço que tivemos para entender e trabalhar melhor as questões que são mais direcionadas aos indígenas e ao nosso trabalho como um todo. Sem dúvida levaremos todo esse aprendizado até essas populações."
Renato da Matta, presidente da Articulação Nacional de Saúde e Direitos Humanos: "Uma grande evolução do congresso foi a vila social.Ficou muito interativa porque no último congresso as coisas ficaram muito distantes. Além disso o nível de debate foi muito bom. Nesse ano nós congregamos mais, as pessoas ficaram mais próximas e isso trouxe uma harmonia muito bacana."
Ayrton Sampaio, Coordenação Nacional de Saúde do Homem: "Saímos muito motivados. Realizamos uma oficina durante o pré-congresso e ficamos felizes porque o evento abriu esse espaço pra gente. Além disso, participamos de duas mesas redondas, então nosso trabalho pôde ser melhor divulgado e nossos objetivos foram alcançados."
Michelle Leite, Coordenação Nacional de Saúde do Homem: "Foi a primeira oportunidade que nos deram de ter tantos espaços para falar sobre o nosso trabalho, que se trata da saúde do homem. Falar de paternidade, cuidado e parceiro é um desafio e, com certeza, estamos voltando muito mais motivados."
Marta McBritton, presidente do Instituto Cultural Barong: "Vivemos hoje um momento delicado politicamente, com forte influência dos conservadores. O Congresso em Curitiba refletiu justamente a resistência a essa situação e trouxe debates importantes sobre as novas tecnologias de prevenção e as populações invisíveis. Vi muitas mesas sobre especificidades da população trans, também fiquei feliz de saber que o Brasil está acolhendo pacientes soropositivos da tríplice fronteira com o Peru e a Colômbia. O movimento social atuou brilhantemente na abertura do evento, com maturidade e elegância. As manifestações foram contundentes e bem orquestradas. Já participei de vários Congressos e este foi um dos mais ricos que vi. Também quero elogiar o Departamento de Aids pela organização do evento, estava tudo impecável."
Maria Clara Gianna, coordenadora-adjunta do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo: “É sempre positiva a possibilidade de encontros entre os profissionais de saúde e a militância de todo país. Neste evento discutimos bastante o tema prevenção, acho que avançamos no que diz respeito a PrEP (profilaxia pré-exposição ao HIV), tamvém acompanhei muitas discussões sobre a incorporação desta tecnologia nos serviços de saúde. Vimos em Curitiba o quanto é importante o Sistema Único de Saúde organizado para atender as pessoas vivendo com HIV/aids de uma forma integral. Volto para casa renovada, fortalecida e com a expectativa da incorporação de novas tecnologias no Estado de São Paulo. Quero lembrar que vários municípios não puderam participar deste evento por falta de verba, sinto muito por isso."
Domiciano Siqueira, redutor de danos: "Eu tive a felicidade de acompanhar desde o primeiro Congresso de Aids, este com certeza foi um dos mais afetivos. Acredito que o Departamento de Aids acertou quando investiu na Vila Social do evento. Desde o primeiro dia notei neste espaço a construção de vínculos e amizades. A qualidade de debates como este sempre foi muito boa e não seria diferente aqui em Curitiba."
João Marcos, da Rede de Adolescentes e Jovens Vivendo com HIV/Aids de Manaus: "Já participei de outros Congressos e notei que a juventude perdeu espaço neste evento. Em João Pessoa, por exemplo, tínhamos a tenda da juventude e participamos de mais debates sobre novas tecnologias. Isso não quer dizer que os jovens deixaram de fazer seu protagonismo em Curitiba. Fizemos intervenções em de rodas de conversas e dialogamos com outros movimentos sociais.”
Heliana Moura, da secretaria política do Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas: "Fizemos neste Congresso tudo que pretendíamos fazer, tivemos espaços de falas e participamos de várias intervenções. Também deixamos o nosso recado na abertura do evento com um manifesto silencioso e segurando cartazes com as nossas reinvindicações. No último dia de evento repetimos o ato, dessa vez com a presença do ministro da Saúde, o Ricardo Barros. Ao longo desses dias trocamos experiências com outros movimentos sociais e com gestores públicos."
Esdras Gurgel, da Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids: "Percebi neste Congresso que a proposta das discussões ainda está ligada ao que o Departamento de Aids quer nos convencer a assumirmos como política pública. A minha sugestão é para que o diálogo entre governo e movimento social volte a acontecer, queremos respeito. Já avançamos, mas ainda e muito pouco."
Jeová Fragoso, do Grupo Esperança: "Estamos vivendo um momento em que tudo parece estar bom para as hepatites virais, temos novos medicamentos e a cura da hepatite C. No entanto, há muitos detalhes que este Congresso não vai eliminar. O preço das drogas estão muito altos, precisamos baixar com urgência para ampliar o acesso ao tratamento. Em contrapartida, temos que descobrir aonde estão os pacientes vivendo com hepatite C. Este evento foi bem importante, mas volto para casa com vários pontos de interrogação."
Dr. Ricardo Vasconcelos, infectologista da Faculdade de Medicina da USP: "Estar aqui foi maravilhoso, falamos sobre o que há de mais novo, eficaz e seguro no campo da prevenção do HIV. Se olharmos os dados epidemiológicos fica claro o quanto é preciso melhorar a prevenção. Quem esteve neste Congresso teve acesso a debates importantes sobre o leque de possibilidade que compõem a mandala da prevenção combinada."
Álvaro Mendes, da Associação Brasileira de Redução de Danos: "O evento foi muito potente para nós do movimento de redução de danos, principalmente para a Aborda. Comemoramos aqui os 20 anos da associação com o lançamento de uma cartilha."
Veriano Terto, da Articulação Nacional de Luta contra a Aids e da ABIA: "Do ponto de vista a ABIA, do GTPI e da Anaids, que são entidades das quais estou muito ligado, eu acho que foi bom porque desenvolvemos uma série de atividade de marca política. Participamos também da programação cientifica do evento e na Vila Social. Quero reforçar ainda a participação da sociedade civil dentro de um Congresso cientifico, que vem orientar as políticas de aids nos próximos anos. Espero que este evento nos traga um reforço do debate interdisciplinar e intersetorial envolvendo a sociedade civil, academia e a gestão."
Rodrigo Pinheiro, presidente do Foaesp (Fórum de ONG/Aids de São Paulo): "Este evento foi bem interessante porque nós, sociedade civil, conseguimos mesclar a participação junto aos debates técnicos. Mas tivemos pontos negativos. Na mesa de abertura, por exemplo, a representante do Conselho Nacional de Saúde -  maior instância do controle social, não teve direito a fala, é lamentável." (Leia a nota do Foaesp sobre o ocorrido).
Cristina Abbate, coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo: "Sou uma entusiasta de Congressos, é um momento bastante interessante de encontros para os municípios, trocamos experiências e até temos a oportunidade de conhecer novos modelos que podem ser adaptar a nossa cidade, vi muitas novidades por aqui. Também quero destacar a ampliação do debate sobre hepatites virais, temos desafios na cidade de São Paulo. Os palestrantes foram bons, muito bem escolhidos. Voltamos para casa com a certeza de que a prevenção combinada é uma estratégia que vai colocar o Brasil, nos próximos dez anos, na situação de eliminação da epidemia."
Evalcilene Santos, Associação Brasileira de Redução de Danos: A vila social foi um momento importantíssimo. Achei que ela deve ser ampliada, pode ser ainda mais dinâmica, com mais atividades para que a gente tenha ainda mais debate e possamos construir isso juntos. O congresso é importante para conhecermos essas experiências que tiveram êxito e tomara que os estados possam levar essas experiências, conhecimentos, apresentações e oficinas para trabalhar com suas comunidades."
 

Curitiba 2017: Ativistas protestam em defesa do SUS e ministro anuncia 300 mil novos tratamentos com dolutegravir



O Ministério da Saúde vai ampliar a oferta do antirretroviral dolutegravir no tratamento de todos os pacientes com HIV no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A expansão foi anunciada nessa sexta-feira (29) pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante o 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais, em Curitiba. A fala do ministro foi interrompida quando ativistas da luta contra a aids invadiram o palco gritando palavras de ordem em defesa do SUS.
Os militantes repetiram a manifestação da abertura do evento levando cartazes que diziam: "Salve o SUS" e "Nenhum direito a menos". Além de "Fora Temer" e "Fora Barros", eles gritaram "O SUS  é nosso, ninguém tira da gente".
Ao fim do ato, que durou em torno de dois minutos, o ministro disse "Agradeço o apoio, nós estamos caminhando todos para o melhorar o SUS".
Segundo o Ministério da Saúde, atualmente o dolutegravir é usado por 100 mil pessoas, mas até o final de 2018 mais de 300 mil pessoas vivendo com HIV terão acesso ao medicamento. A troca de terapia será gradual para quem utiliza o efavirenz.
De acordo com o ministério, o antirretroviral é considerado um dos melhores tratamentos contra o HIV no mundo. Ele apresenta alta potência e um nível muito baixo de efeitos colaterais, aspecto considerado bastante importante para a adesão e o sucesso do tratamento contra o HIV. O custo para a incorporação do Dolutegravir é de R$ 1,1 bilhão e, segundo a pasta, não altera o orçamento atual do Ministério da Saúde.
Desde o começo da epidemia, o Brasil registrou 842.710 casos de aids, no período de 1980 a junho de 2016. O país tem registrado, anualmente, uma média de 41,1 mil casos de aids nos últimos cinco anos.
Em relação à mortalidade, de 1980 até dezembro de 2014 foram identificados 303.353 óbitos cuja causa básica foi a aids. Houve uma redução de 5% nos últimos anos, passando de 5,9 óbitos por ano por 100 mil habitantes em 2006 para 5,6 óbitos em 2015.
A fala do ministro foi interrompida quando ativistas da luta contra a aids invadiram o palco gritando palavras de ordem em defesa do SUS. Segurando faixas e cartazes, eles repetiram a manifestação da abertura dos Congressos. 
Transmissão vertical
Durante o evento, o ministro Ricardo Barros recebeu o processo de solicitação da Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical (TV) do HIV do município de Curitiba. A capital do Paraná é um dos primeiros municípios a aderir à certificação de eliminação desse tipo de transmissão do HIV, quando é feita de mãe para filho, durante a gestação ou o parto.
A iniciativa foi lançada em novembro do ano passado, numa tentativa de incentivar o engajamento de municípios na eliminação da transmissão vertical. A certificação será emitida por um Comitê Nacional, em parceria com estados, que fará a verificação local dos parâmetros.
O documento será concedido a municípios com mais de 100 mil habitantes que atendam a dois critérios. O primeiro é registrar taxas de detecção iguais ou inferiores a 0,3 para cada mil crianças nascidas vivas. O segundo é ter proporção menor ou igual a 2% de crianças com até 18 meses expostas ao HIV que foram identificadas como infectadas e estão em acompanhamento na rede pública.
Profilaxia Pré-Exposição
Segundo o Ministério da Saúde, outro destaque do congresso foi o lançamento do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de risco à infecção pelo HIV. A medida de prevenção reduz o risco da infecção pelo HIV antes da exposição, por meio da utilização de medicamentos antirretrovirais (tenofovir associado à emtricitabina) em pessoas não infectadas e que mantêm relações de risco com maior frequência.
Entre o público-alvo da medida estão homens que fazem sexo com homens, gays, travestis, transexuais, profissionais do sexo e casais soro diferentes. Entretanto, o fato de fazer parte desses grupos não é suficiente para caracterizar indivíduos com exposição frequente ao HIV.
O documento traz as orientações para utilização dessa nova estratégia de prevenção dentro do SUS, mas a incorporação da PrEP não desestimula o uso do preservativo. Ou seja, a profilaxia não previne outras infecções sexualmente transmissíveis.
De acordo com o ministério, o Brasil é o primeiro país da América Latina a oferecer a PrEP no sistema público de saúde. A implantação ocorrerá de forma gradual, a partir de dezembro deste ano, em 22 cidades de todo o país: Manaus (AM), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Juiz de Fora (MG), Uberaba (MG), Passos (MG), Recife (PE), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Duque de Caxias (RJ), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), São Paulo(SP), São Bernardo do Campo(SP), Ribeirão Preto (SP), São Jose Rio Preto (SP), Campinas (SP), Santos (SP), Piracicaba (SP).
Aplicativos
Também foram lançados nessa sexta-feira aplicativos para ajudar profissionais de saúde e população na atenção à saúde das pessoas vivendo com HIV/aids. Eles estarão disponíveis neste sábado (30).
O aplicativo Viva Bem funcionará como um diário para o cidadão que vive com HIV/aids. Nele, é possível inserir lembretes de medicamentos, acompanhar exames, tirar dúvidas sobre esquemas dos medicamentos e monitorar CD4 e carga viral.
Serão quatro aplicativos para profissionais de saúde, para consulta e atendimento em locais remotos – sem conexão com internet. Os aplicativos permitem o acesso simples e rápido aos protocolos clínicos na forma de guia de bolso.
Redação da Agência de Notícias da Aids com informações da Agência Brasil
A Agência de Notícias da Aids cobriu o 11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso Brasileiro de Hepatites Virais a convite do Departamento de DST, Aids de Hepatites Virais (DDAHV).
 

Curitiba recebe Congresso Brasileiro de HIV e hepatites virais até sexta-feira



Com o tema Prevenção Combinada, Curitiba recebe de 26 a 29 de setembro o 11º Congresso de HIV/aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais (Hepaids 2017), no Expo Unimed Curitiba. A expectativa é de que participem cerca de 4 mil pessoas entre ativistas, cientistas, gestores e profissionais de saúde de todo o Brasil, além dos especialistas internacionais, confirmados. Os dois congressos são organizados pelo Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV e das Hepatites (DIAHV) da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde.
A Prevenção Combinada representa estratégias oferecidas em relação as intervenções biomédicas, comportamentais e estruturais, tendo como como foco as populações-chaves e prioritárias.
Na entrada central do pavilhão de eventos ficará a área dos e-pôsteres. Local que abrigará 50 totens com telas digitais onde serão apresentados os pôsteres selecionados para apresentação nos Congressos.
Programação – Durante a solenidade de abertura do Congresso, na terça-feira (26), a partir das 18h, no Teatro Positivo – ao lado do centro de convenções -, será conhecido o trabalho vencedor do 1º Concurso Cultural para Seleção da Nova Arte para Embalagem da Camisinha Masculina, que vai escolher a identidade visual dos preservativos masculinos. Está prevista na solenidade de abertura, a presença do Governador do Paraná, Beto Richa; e do Prefeito de Curitiba, Rafael Greca, além de autoridades do Ministério da Saúde, representantes do movimento social e da política.
Logo após a solenidade oficial de abertura, o cantor e artista curitibano Zé Rodrigo no show “Rock`n Roll Celebration” promete sacudir os participantes com o espetáculo com muita música dançante.  
Além da extensa programação científica do Congresso, haverá outras atividades dentro da programação oficial, como o lançamento dos novos protocolos clínicos para tratamento do HIV, além de publicações e campanhas.
Abaixo destaque das principais atividades.
Na quarta-feira (27), serão lançados os novos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas, a partir das 12h, no Espaço Comunicação. Durante o evento também serão lançadas as coletâneas “HIV/aids na Atenção Básica: Material para Profissionais de Saúde e Gestores” e o “Sumário Executivo da Prevenção Combinada”. No mesmo dia, será apresentada a Campanha de Transmissão Vertical HIV/sífilis, com importância na participação do homem na prevenção da sífilis e no pré-natal.
Na quinta-feira (28), a Banda Mais Bonita da Cidade se apresenta na sala Curitiba as 18h e vai mostrar um repertório para alegrar e integrar os congressistas ainda mais na última noite do congresso. A apresentação da banda é um oferecimento da Aids Healthcare Foundation (AHF) Brasil, organização não-governamental americana, presente no país desde 2013, onde tem atuado para a ampliação do diagnóstico para as populações mais vulneráveis à infecção pelo HIV.
Na sexta-feira (29), serão entregues as solicitações dos municípios interessados em participar da “Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical (TV) do HIV”. Podem concorrer cidades com mais de 100 mil habitantes que cumprirem os indicadores e as metas estabelecidos para eliminar a TV do HIV, conforme as diretrizes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os certificados serão emitidos durante o Dia Mundial de Luta contra o HIV/aids, em 1º de dezembro.
Atividades paralelas – O Hepaids 2017 terá espaços para troca de informações e apresentação de ações desenvolvidas pela sociedade civil. Uma delas é a Vila Social, espaço que abrigará 18 boxes que irão acomodar redes e movimentos sociais ligados ao enfrentamento do HIV/aids e hepatites virais. No centro da Vila Social ficará o palco Paulo Freire, espaço de intervenções, apresentações culturais e shows.
Outro local é o Espaço da Comunicação, dedicado à discussão de ideias e apresentação de iniciativas de comunicação ligadas à temática do HIV/aids e hepatites virais. O espaço contará com roda de conversas, intervenções culturais, exibição de vídeos e lançamentos de publicações.
Já na exposição ‘Tô Dentro’, os visitantes irão percorrer cinco estações interativas com diferente abordagens sobre HIV, infecções sexualmente transmissíveis, prevenção, gerenciamento de risco, estigma e preconceito.  A exposição é uma realização do Programa de DST/aids da Secretária de Saúde de Viamão (RS).
Também haverá sete estandes de instituições e parceiros do evento, incluindo o do Ministério da Saúde, da Secretária Estadual de Saúde do Paraná, da Secretária Municipal de Saúde de Curitiba, Sistema ONU, Semina Farmacêutica e Espaço Zen de práticas integrativas.
E para marcar o Hepaids 2017, foram instalados dois laços vermelhos gigantes, um na entrada do Jardim Botânico e o outro no Mercado Central de Curitiba. Os laços representam a luta contra a aids e a solidariedade para com todas as pessoas que vivem com HIV.

Serviço
11º Congresso de HIV/aids e 4º Congresso de Hepatites Virais – Hepaids 2017
De 26 a 29 de setembro
Expo Unimed
Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Campo Comprido – Curitiba (PR)


  CNS discute desafios para garantir direito universal à Saúde em tempos de negacionismo, durante debate na UFRGS 14 de fevereiro de 2022 O ...