terça-feira, 27 de setembro de 2016

Governo assina acordo para manter médicos cubanos por mais 3 anos


O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Antônio Nardi, assinou, nesta segunda-feira (26), na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em Washington, Estados Unidos, o contrato que mantém, por mais três anos, a participação dos médicos cubanos no programa Mais Médicos.
No último dia 13 de setembro, o presidente Michel Temer já havia assinado a lei que prorrogou o programa Mais Médicos.

O salário dos médicos cooperados também foi ajustado nesta segunda, passando de R$ 10.570 para R$ 11.520, e valerá para todos os médicos participantes. A mudança foi publicada no Diário Oficial de União.
O Ministério da Saúde já havia informado na última semana que manteria os cubanos por enquanto, mas que pretende reduzir em 35% a sua participação no programa nos próximos três anos. A meta do governo federal é que a quantidade de médicos da ilha caribenha atuando no país passe de 11,4 mil para 7,4 mil nesse período. Em 2017, o ministério pretende preencher 2 mil vagas com profissionais brasileiros.
“É importante ressaltar que estamos comprometidos em fortalecer a atuação dos brasileiros no Mais Médicos. No entanto, enquanto houver necessidade o convênio com a Opas será mantido”, destacou Antônio Nardi.
A manutenção do projeto foi negociada com gestores dos municípios, que pediram a continuidade para que a população onde há médicos do Programa não ficasse sem atendimento.
A partir de novembro, novos profissionais serão substituídos. Em 2017, de acordo com o governo federal, novos editais para atrair mais brasileiros deverão ser lançados.
O Ministério da Saúde acertou com a Opas, no entanto, que há possibilidade de prorrogação da permanência de médicos cubanos do Programa Mais Médicos que tenham se casado ou estejam em união estável no Brasil.

Fonte : Bem-Estar

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Mopaids visita e avalia serviços de saúde de HIV/aids da cidade de São Paulo


Membros do Movimento Paulistano de Luta Contra a Aids (Mopaids) visitaram os serviços de saúde de HIV/aids da capital paulista, após receberem diversas reclamações de que o Conselho Gestor de alguns desses serviços não estão funcionando ou não existem. Além das visitas, com o auxilio do Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo, o Mopaids se reuniu com gestores e usuários das unidades de saúde para apurar as reclamações e estimular a criação dos conselhos que foram esquecidos. As impressões dessas ações foram apresentadas na tarde desta quarta-feira (21), durante a reunião mensal do movimento, na sede do GIV (Grupo de Incentivo à Vida).
“Nos surpreendemos de maneira positiva e negativa. Vimos serviços que funcionam e outros abandonados. Agora, temos um mapa real sobre o que acontece nos nossos serviços e podemos fazer um documento qualitativo sobre eles”, explicou José Araújo Lima, coordenador do Mopaids.
O Conselho Gestor de uma unidade de saúde é um espaço democrático, de permanente participação e obrigatório, pois ele planeja, avalia, fiscaliza e controla a execução das políticas de ações de saúde em toda a sua área de abrangência. Ou seja, acompanha o funcionamento e propõe ações para solucionar problemas do serviço, seguindo os princípios do SUS (Sistema Único de Saúde). Em sua totalidade, ele é composto por 50% de usuários, 25% de representantes de trabalhadores da saúde e 25% de representantes de gestores, todos da unidade de saúde.  
Os membros do Mopaids se dividiram em equipes de trabalho e visitaram todas as regionais: norte, sul, sudeste, leste, centro e centro-oeste. Cláudio Pereira, coordenador do Mopaids, acompanhou a região sudeste e disse ter encontrado serviços que funcionam bem como o Centro de Referência (CR) da Penha. Mas, por outro lado, viu que no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) da Mooca têm apenas três funcionários, que trabalham das 7h às 19h e não contam com um espaço adequado para o aconselhamento.
“Os funcionários nos disseram que há anos eles querem virar um SAE [Serviço de Atendimento Especializado], mas sempre surge um motivo para que isso não aconteça. Essa região é a que mais detecta casos de sífilis na cidade. Então, já é possível notar que não tem sido dada a devida atenção àquela população”, afirmou Cláudio.
Na regional Leste, Américo Nunes, coordenador do Mopaids, avaliou que os conselhos não têm “funcionado dentro dos parâmetros”, existe conflito de interesse entre os membros, dificuldade de agregar usuários e os horários das reuniões não são flexíveis. “Além disso, a zona leste precisa de mais um SAE. Ela é muito grande e populosa. Também ficou perceptível para nós que as reclamações dos usuários ficam sem respostas”, contou Américo.
Em visita as unidades básicas de saúde (UBS), na regional sul, o que surpreendeu Araújo, foi a falta de preservativos. “Hoje, a gente conta com camisinhas em todos os terminais de São Paulo. E isso merece ser prestigiado, mas faltar em UBS, não tem explicação. Porém, três dias depois, voltei nas unidades e todas já estavam abastecidas”. Araújo notou ainda que os usuários têm preferido os SAEs aos CTAs para fazer testagem, o que foi citado também por outros membros do Mopaids, durante a reunião. “Falta gente procurando os CTAs e ainda não conseguimos refletir sobre o motivo disso”, continuou Araújo.
Já a unidade da Freguesia do Ó, da regional norte, foi caracterizada como em estado caótico, não pela falta de um Conselho Gestor, mas de estrutura física e de funcionários. Nessa unidade, segundo Araújo, os conselheiros lutam sozinhos por melhorias. “Lá, além de faltar profissionais, tem aqueles que estão se aposentando e nada se fala em reposição. Na sala de odontologia, quando chove, não tem atendimento, porque molha dentro da sala. E isso também estraga os equipamentos. A estrutura da unidade está se acabando. A luta é para que ela, literalmente, não desabe”, lamentou Araújo.
Na centro-oeste, Américo Nunes contou que encontrou muita resistência por parte da gerência do SAE Lapa em ter um Conselho Gestor. Em contrapartida, o SAE Butantã mostrou interesse para que ele funcionasse. “Enquanto na Lapa tudo para a gerente era impossível. No Butantã, conseguimos articular parcerias da unidade com a Associação Civil Anima para ações na região”, disse Américo.
Maria Hiroko, membro do Mopaids, acompanhou as visititas e a reunião no centro. E, mais uma vez, os ativistas se deparam com a falta de interesse por parte da gerência em contar com esse espaço em seus serviços. “No Campos Elíseos faz três anos que não tem um conselho e ainda falta funcionários. Nele, uma parte do teto também está para cair. Eles querem que as ONGs se aproximem, mas não tem motivação.  E o mesmo argumento apareceu no CTA Henfil”.
Américo disse ainda que alguns serviços responsabilizam os usuários pela falta de um conselho, pois eles representam 50% desse espaço. “É fácil culpar os usuários e não pensar em estratégias para aproximá-los. Assim, as unidades ficam sem um Conselho Gestor e espaço de controle social”, apontou.
Cely Tanaka e Celso Monteiro, técnicos do Programa Municipal de DST/Aids, também estavam na reunião do Mopaids. Segundo Cely, “o diagnóstico qualitativo de um serviço, só faz quem está no controle social”. “Se um serviço funciona bem, todo resto também funciona”, afirmou.
Ambos os técnicos se comprometeram em levar as observações dos ativistas para a coordenação do Programa e dar uma resposta ao movimento.
O Mopaids deixou claro que o seu papel nessas visitas e reuniões não é criar os conselhos, mas de colaborar com as articulações e caminhos para que eles trabalhem.
O próximo passo do movimento é realizar um seminário para os usuários com o objetivo de fortalecer quem está no conselho gestor e sensibilizar novos membros.

Estudo avalia progresso nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, da ONU, ligados à saúde


O mundo fez importantes progressos no cumprimento das metas ligadas à saúde dentro dos chamados Objetivos do Milênio (OM), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000 e que expiraram em 2015, mas pouco avançou, ou mesmo regrediu, quando se levam em conta as metas de saúde nos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que sucederam os OM no ano passado, ampliando seu escopo e tendo como prazo o ano de 2030. A conclusão é de levantamento apresentado na noite de quarta-feira (21) em evento na Assembleia Geral da ONU em Nova York e publicado na revista médica “The Lancet”, que fez a primeira avaliação anual dos indicadores de saúde relacionados aos ODS.
No relatório, elaborado com base na série de estudos “Fardo Global das Doenças” - que usa uma metodologia desenvolvida por cientistas do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (IHME) da Universidade de Washington, EUA, para contabilizar diversos aspectos da saúde mundial desde 1990 -, os pesquisadores calcularam o estado atual de 33 dos 47 indicadores relacionados à saúde nos ODS, que somam 17 objetivos em diversos setores, com um total de 169 metas e 230 indicadores. As metas e indicadores relativos à saúde nos ODS estão concentrados no terceiro destes objetivos, que preconiza “assegurar vidas saudáveis e promover o bem-estar de todas pessoas de todas as idades”, mas também presentes em 11 dos outros 16, que incluem temas como segurança alimentar e hídrica, pobreza e mudanças climáticas.
Com isso, os cientistas verificaram que enquanto houve importantes progressos desde 2000 nas metas de saúde presentes nos Objetivos do Milênio, em particular na redução da mortalidade infantil e neonatal, planejamento familiar e acesso universal a sistemas de saúde, nos indicadores incluídos pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável as melhorias em geral foram mínimas, como na incidência de hepatite B, ou houve mesmo retrocessos, como na obesidade infantil, violência doméstica e consumo exagerado de álcool. Exemplos disso estão no fato de que mais de 60% dos países já cumpriram os alvos para 2030 relativos à redução da mortalidade materna (70 a cada 100 mil nascimentos vivos) e infantil (25 por mil nascimentos vivos), mas nenhum, nem os mais ricos, atingiu as metas de erradicar doenças como tuberculose e Aids ou reduzir a prevalência de obesidade e dos crimes passionais.
Além disso, o levantamento identificou grandes disparidades regionais no desempenho dos países no esforço para cumprirem as metas dos ODS. Em ranking que acompanha o estudo, o Brasil ficou no 90º lugar entre os 188 países avaliados. Como se esperaria, a lista é liderada por nações desenvolvidas – na ordem, Islândia, Cingapura, Suécia, Andorra e Reino Unido – e nos últimos lugares estão países pobres da África Subsaariana – do pior para o melhor, República Centro-Africana, Somália, Sudão do Sul, Níger e Chade.´Apesar disso, o relatório também aponta países que estão com desempenho melhor que o esperado graças a iniciativas e medidas que podem ser replicadas ou servirem de lição para outras nações.
"Nosso estudo é um ponto de partida para investigações mais profundas sobre como e porquê alguns países estão tendo um desempenho pior ou melhor do que a média", considera Stephen Lim, professor do IHME e líder da colaboração de mais de 1,8 mil cientistas responsável pelo estudo. - Este será um esforço anual para assegurar que os progressos serão mantidos e que as lições de sucesso sejam aprendidas e rapidamente transferidas para outros países onde o avanço é menos destacado.

Fonte : O Globo

Jean-Claude Bernardet faz autobiografia “encenada” abordando o HIV e outras vivências do crítico e ator


Aos 80 anos, Jean-Claude Bernardet é o grande personagem do 49º Festival de Brasília. Não por acaso, retorna à capital em duas frentes. Ergue sua própria biografia em “A Destruição de Bernardet”, com exibição no Cine Brasília. Uma segunda exibição acontece nesta sexta-feira (23), as 17h30. No encerramento da mostra, na terça-feira (27), o autor recebe a inédita medalha Paulo Emílio Salles Gomes.
Mesmo debilitado pelo vírus HIV e convivendo com problemas de visão, o belga radicado no Brasil deu um tempo na carreira de crítico, professor e escritor para se tornar ator. Era o que faltava para completar um artista já múltiplo, que trafegou entre roteiro e pesquisa por décadas.
Dirigido pela dupla Claudia Priscilla e Pedro Marques, “A Destruição” é uma tentativa de biografar diversas personas. Entre momentos encenados e documentais, Bernardet mistura conversas, cultiva memórias e fala sobre velhice. Um intelectual diante do espelho.
As atuações de Bernardet
Qualquer homenagem a Bernardet nunca vem por acaso. Ao longo dos anos, o escritor acumulou prêmios Candango pelos roteiros de “O Caso dos Irmãos Naves” (1967), “Um Céu de Estrelas” (1996) e “Hoje” (2011), ambos de Tata Amaral.
Na posição de ensaísta e pensador, publicou livros como “Cinema Brasileiro – Propostas para uma História”, “Brasil em Tempo de Cinema”, espécie de balanço sobre o Cinema Novo, e a ficção autobiográfica “Aquele Rapaz”.
Desde que decidiu atuar, enumera passagens pelo festival. Venceu o prêmio de melhor ator pelo trabalho em “FilmeFobia” (2008), de Kiko Goifman, diretor com o qual voltaria a trabalhar em “Periscópio” (2013).
Daí em diante, apareceu sob tantos outros papéis: ele próprio em “Filme B” (2013), documentário sobre “Brasília, Contradições de uma Cidade Nova” (1968), que teve roteiro escrito por Bernardet; um par romântico com Everaldo Pontes em “Pingo d’Água” (2014); um andarilho que caminha por São Paulo em “Fome” (2015). Um artista em eterno processo de descoberta.
Próximas exibições das Sessões Especiais, com entrada franca:
Cine Brasília
Segunda-feira (26)
19h – “Beduíno” (RJ, 75min, 12 anos), de Júlio Bressane
Cine Cultura Liberty Mall
Quinta-feira (22)
17h – “Precisamos Falar do Assédio” (SP, 80min, 18 anos), de Paula Sacchetta
19h – “Câmara de Espelhos” (PE, 76min, livre), de Dea Ferraz
Sexta-feira (23)
17h30 – “A Destruição de Bernardet” (SP, 72min, 12 anos), de Claudia Priscilla e Pedro Marques
Sábado (24)
21h – “Estive em Lisboa e Lembrei de Você” (RJ, 94min, 16 anos), de José Barahona
Terça-feira (27)
17h – “Beduíno” (RJ, 75min, 12 anos), de Júlio Bressane

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Fundo de luta contra aids consegue reunir quase US$ 13 bilhões

Fundo de luta contra aids consegue reunir quase US$ 13 bilhões





O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, conseguiram, nesse sábado (17), em Montreal, os quase 13 bilhões de dólares que pretendiam para financiar durante três anos o Fundo Mundial de Luta contra a Aids, a Tuberculose e a Malária.
“Arrecadamos quase 13 bilhões de dólares e graças a isto teremos salvado 8 milhões de vidas”, declarou Justin Trudeau, no encerramento da quinta conferência trienal de refinanciamento do fundo.
Os governos, os sócios privados e as organizações não governamentais queriam arrecadar 13 bilhões de dólares, que são em sua opinião os necessários para financiar entre 2017 e 2019 os tratamentos para erradicar essas epidemias antes de 2030.
“Celebramos 15 anos de conquistas, mas estamos buscando mais sucessos nos próximos anos”, declarou Ban Ki-moon neste sábado, segundo dia da conferência de refinanciamento do fundo mundial de luta contra esta três epidemias.
O fundo destaca que salvou 22 milhões de vidas e que evitou mais de 300 milhões de infecções, graças aos mais de 30 bilhões de dólares desembolsados.
“Se atuarmos, podemos eliminar as epidemias de aids, tuberculose e malária antes de 2030”, o objetivo fixado pelas Nações Unidas, disse Justin Trudeau.
Em caso de sucesso, o mundo terá dado um grande passo para a redução da pobreza, muitas vezes associada à doença, acrescentou.
“Agora estamos em um ponto de inflexão” da luta contra essas epidemias, destacou o diretor-geral do fundo, Mark Dybul. “Podemos ser a geração que terá sob controle essas epidemias”, declarou.
Em Montreal vários chefes de Estado e de governo, como o senegalês Macki Sall, o malinês Boubacar Keita e o marfinense Alassane Ouattara, relembraram a urgência de salvar vidas. Os representantes dos países doadores sucederam na tribuna de oradores para anunciar seus compromissos.
A arrecadação dos 13 bilhões de dólares para o período 2017-2019 deve ser concluída neste sábado. Os Estados Unidos estão no topo dos doadores, com 4,3 bilhões de dólares, seguido por França (1,2 bilhão de dólares), Alemanha (900 milhões), Japão (800 milhões) e Canadá (600 milhões).

Ducha retal: a prática da chuca e a visão de especialistas sobre a questão



“Não é porque não se fala de um assunto que ele não existe.” Esta explicação, do enfermeiro e mestre em ciência da saúde Luiz Carlos Ribeiro Lamblet, justifica a pesquisa que ele fez a respeito de uma prática sobre a qual ninguém comenta: a ducha retal (DR), ou enema, ou, ainda, numa linguagem popular, a chuca.  Consiste em lavar o canal do ânus antes de fazer sexo anal, como medida de higiene e, também, para se obter mais prazer. Isso porque, durante o sexo anal, com a penetração e a estimulação do pênis, restos de fezes depositados na âmpola do intestino (parte inferior) podem ser eliminados, causando constrangimento. Com a DR, os resíduos são eliminados.
O estudo de Lamblet, em parceria com o urologista Roberto Carvalho da Silva, do CRT (Centro de Referência e Treinamento em DS/Aids-SP) é o primeiro feito no Brasil sobre o tema. O objetivo foi investigar quem usa a ducha retal, como e em que condições, com que material e qual o impacto da prática na saúde, principalmente no contexto das DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e no comportamento.
A pesquisa de Lamblet e Carvalho da Silva foi feita no ano passado e será publicada em breve na revista científica britânica “BMJ Open”.
Foram feitas entrevistas com 401 pessoas que assim se identificaram: Homem (340), mulher transexual (39), travesti (18), mulher (3) e ainda não definiu (1). A idade mínima foi 18 anos e a máxima, 66. A maioria (266), para surpresa da dupla de pesquisadores, tinha nível superior completo, alguns com pós-graduação.
Desse universo, 369 fizeram sexo anal nos últimos três meses e 197 declararam ter realizado a DR, sendo 93,5%  tendo homens como parceiros sexuais.
Tipos de DR
Existe no mercado, menos nas farmácias e mais em sites de sex shop, uma série de produtos para se fazer a DR, de vários formatos, tamanhos e preços. Mas o estudo de  Lamblet e Carvalho da Silva mostrou que o objeto preferido para este fim é a mangueira do chuveirinho, usada por 85% dos entrevistados. A bombinha plástica em formato de pera, também chamada de ducha ginecológica, vem em segundo lugar. E, em terceiro, aparece o item ducha descartável, que vem ganhando adeptos por oferecer praticidade e condições de higiene.
No Brasil, a única ducha descartável vendida em algumas farmácias, sites ei distribuídas por ONGs em ações de prevenção das DST/aids  é a In-M. Trata-se de uma pequena bolsa de 300 ml, de polietileno, que vem dobrada dentro de uma embalagem, formando um pacotinho parecido com o de uma camisinha. Acoplado à bolsa vem um aplicador para ser inserido no ânus na hora da higiene, que, geralmente, é feita apenas com água – algumas pessoas gostam de adicionar sabonete líquido.
Redução de riscos
“Eu considero a IN-M um insumo de redução de danos pelo fato de ser descartável”, diz Marta McBritton, presidente do Instituto Barong, ONG especializada em prevenção de DST/aids. “Com o uso dela, evita-se que objetos como mangueira de chuveiro e garrafas pets sejam compartilhados.”
É exatamente essa a principal finalidade da ducha, segundo seu inventor, o empresário Marcus Augustus Castropil. Ele criou o produto há dois anos, depois de ter presenciado, segundo conta, pessoas compartilhando, além de mangueirinhas de chuveiro, garrafas pets para fazer a ducha retal.
“Comecei a pensar nos riscos desse compartilhamento, que muitas vezes nem é consentido. Numa casa, alguém pode introduzir a mangueirinha no ânus para fazer a higiene e, logo em seguida, uma criança botar a mesma na boca ao tomar banho. Queria fazer alguma coisa para minimizar o risco de a chuca ser um vetor de bactérias ou de vírus.”
Riscos reais
O urologista Roberto Carvalho da Silva considera pouco provável acontecer transmissão de DSTs via mangueirinha. “Normalmente, a água corrente e um sabonete dão conta de eliminar as bactérias. Mas, claro, se a mangueira entra em contato com fezes ou sangue e, imediatamente, outra pessoa vem e usa, ela pode pegar vermes, hepatite A, HPV”, diz o médico. “É mais provável o risco se a pessoa que fez a lavagem tem uma lesão.”
A proctologista Mirian Jatobá, do CRT, diz que usar o chuveirinho, sem introduzir, é o recomendável para não lesionar a mucosa do ânus. Introduzir objetos, segundo ela, pode não só machucar o canal do reto e a mucosa do ânus como empurrar as fezes para cima. “Elas ficam diluídas no intestino e, na hora do sexo, vão sair do mesmo jeito. A ducha feita só com o jato do chuveirinho já é suficiente para esvaziar a âmpola”, garante.
A médica disse não conhecer a ducha descartável. “Mas o que funciona mesmo é usar camisinha. O receptivo se protege e o ativo também. Ou seja, ambos evitam riscos de infecções.”
Castropil sabe que os médicos não costumam recomendar a DR. Ao conversar com eles, durante os estudos para a criação de seu produto, ouviu muitos dizerem que a DR tira a flora do ânus. “Tira mesmo, mas ela se recompõe  rapidamente. Além do mais, não adianta dizer ‘não faça’ porque as pessoas não vão deixar de fazer. Então, que os riscos sejam minimizados, cada um use a sua e descarte.”
Tabu dos dois lados
Mas o que os médicos realmente sabem sobre a DR e seus efeitos? Carvalho da Silva diz que “sabem muito pouco”. Constata isso nas palestras que faz em congressos e seminários para plateias formadas por especialistas. Numa delas, recentemente, num grande e prestigiado hospital de São Paulo, questionou: “Vocês perguntam a seus pacientes se eles fazem sexo anal? Não, eles não perguntam. Existe um tabu tanto do lado do paciente quanto do médico. Então, se o profissional não investiga, como vai saber se a DR está sendo eficaz ou se está machucando, se diminui ou aumenta os riscos de infecção?”
Relação com HIV/aids
No estudo que fez no CRT, ele e Lamblet constataram um percentual grande de soropositivos e portadores de outras DSTs entre os que afirmaram fazer uso da DR. A mesma associação também apareceu num estudo feito em 2014 pela Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos.
Por que? A resposta ele e seu colega no estudo querem seguir buscando e esperam obter apoio do CRT para esta e muitas outras questões como: “Será que, por fazerem a ducha, essas pessoas se liberam mais para fazer sexo? Será que é porque se machucam? Será que estão fazendo errado? Precisam de algum produto a mais para incluir na prática, como um gel? Será que é preciso dar mais camisinhas para quem faz mais a chuca?” 
Enquanto isso, ele aconselha os colegas a falarem com seus pacientes sobre o assunto. “Mas, antes, o profissional tem de se preparar para falar. Ele tem de aprender a olhar a partir do HSH”, aconselha Lamblet.
Castropil sabe o quanto há de tabu em torno do assunto. “Muitas farmácias se recusam a aceitar o meu produto porque não querem associar sua marca com o universo gay.”
Medida certa
Os médicos são categóricos quanto a quantidade de água permitida em cada DR. Na internet, há tutoriais que ensinam a injetar o líquido tantas vezes for preciso, até que ele saia branquinho, sem um sinalzinho de fezes. Dizem que é nesse ponto que a pessoa está preparada para receber o pênis sem o risco de, na gíria dos gays, “passar cheque”.
A proctologista Mirian é enfática: “Não pode usar tanta água, tem um limite, que não pode ultrapassar 1 litro.”
Na In-M cabem 300 ml. “Se o interessado fizer três vezes o procedimento, que é a média usada, estará dentro do aconselhado pelos especialistas. É o suficiente para manter a ‘salinha’ limpa por quatro horas”, diz Castropil.
“O bom desta ducha é que a pessoa carrega discretamente, como a camisinha, e se aparecer uma oportunidade de transar está na mão”, avalia Artur Kalichman, diretor adjunto do Programa Estadual de DST/Aids do Estado de São Paulo.
No Rio de Janeiro, onde a In-M já patrocinou uma Parada LGBT e também é distribuído por ONGs, o produto encontra mais portas abertas. Perguntamos à ABIA (Associação  Brasileira Interdisciplinar de Aids), onde Castropil divulgou a In-M, o que acha da DR descartável.
"A ABIA entende que a prática de lavagem retal (conhecida como chuca) pode trazer danos à saúde como infecções e problemas intestinais. Neste sentido, o produto que foi apresentado à ABIA tem um potencial para reduzir os danos da prática de lavagem retal. Nós também tivemos acesso a relatos de pessoas que fizeram o uso e alegaram conforto em sua utilização. Entendemos, portanto, que o seu uso pode sinalizar uma redução da possibilidade de perfuração", foi a resposta de Salvador Correa, coordenador executivo da ABIA:
Passivos e ativos
Sim, a DR é feita por quem recebe o sexo anal e isso não é uma prerrogativa de gays. “Há mulheres que vêm ao estande do Barong, nas nossas ações mensais, feitas no Conjunto Nacional [na avenida Paulista], em busca da In-M. Elas contam que usam para fazer sexo anal”, conta Marta McBritton.
“Há pessoas que usam porque têm o intestino preso”, diz Castropil.
Os que não fazem
A Agência de Notícias da Aids ouviu ativistas HSH e gays para saber se eles fazem a DR, quando e como?  Por razão óbvia de sigilo quanto à intimidade de cada um, vamos dar os depoimentos sem citar nomes.
Depoimento 1: “Tem muita viagem em torno da ducha íntima. No Brasil, não se compartilham objetos usados nessa prática porque as pessoas já saem de casa com a ducha feita. Aqui, não há duchas nas boates e casas de pegação. Não se faz duchas nas saunas. Eu nunca fiz nem vi fazerem. E sou contra dizer que é preciso fazer DR por questão de higiene. É higiênico para quem? Tem gente que não gosta mesmo. Vai normatizar o ânus agora? O preservativo e o gel, sim, precisam ser usados. O resto é ao gosto do freguês.”
Depoimento 2: “A chuca sempre foi um trauma em minha vida. Quando criança, minha mãe dizia que para o verme sair era preciso fazer lavagem. Cresci fazendo essa tal lavagem à base do chá de tomatinho, uma erva, que aplicava com uma bombinha. Eu não faço, tenho o intestino regulado e nunca aconteceu uma situação desagradável. Na verdade, a chuca é uma necessidade mais do universo gay, os homens héteros não querem saber disso, eles gostam mesmo é de marcar território. Também já ouvi em muitas palestras que este tipo de lavagem estraga a flora intestinal.”
Depoimento 3: “Eu não faço porque tenho muita dificuldade de introduzir algo no ânus, a menos que seja o pênis do meu companheiro. Eu sempre tomo um banho. E  tiro os pelos com lâmina, mas uso só a minha,  não compartilho com ninguém. Muitas vezes, quando eu saio sabendo que vou transar, e não fui ao banheiro, eu tomo uma dose leve de laxante antes e pronto. Tenho amigos que são adeptos da chuca e fazem sempre, mas, sério,  não é para mim.”
Depoimento 4:  “Eu sei que a mangueirinha do chuveiro é usada em sauna, motel e lugares de pegação. E que a prática de compartilhar oferece riscos, por exemplo, se a pessoa tem HPV e não sabe, faz o uso do chuveirinho e outro,  que não tem o vírus, usa em seguida. Já vi a ducha descartável In-M, mas é um produto caro para uma pessoa de baixa renda. Quando eu vi, custava em média 5 reais. Uma pessoa que não tem dinheiro, vai reutilizar o produto por causa do preço.”
Sobre preço
Marcus Augustus Castropil diz não ter controle sobre os preços da In-M no mercado, mas seu sonho é de que a ducha seja barateada e, até mesmo, oferecida de graça em larga escala. “Eu vendo e cada um acaba cobrando um preço. Se existissem mais farmácias de grande porte comprando, o preço cairia. Reconheço que 5 reais é muito dinheiro para a grande maioria dos brasileiros e meu sonho é de que a In-M seja implementada na política pública de DST/aids. Aí, poderá ser distribuída de graça.”

ONG prevê anticoncepcional masculino para 2017


Um método contraceptivo que deve revolucionar a forma como é pensada a prevenção da gravidez teve bons resultados em testes com animais e começará a ser experimentada em humanos no ano que vem. É o que divulgou, na semana passada, a Parsemus Foundation, ONG americana de pesquisa médica responsável pelo anticoncepcional masculino, chamado Vasalgel.
Ele é uma solução gelatinosa, feita por polímeros sem hormônios e que promete funcionar a longo prazo, de forma reversível. Basta uma injeção no pênis para bloquear o avanço dos espermatozoides pelo duto deferente – canal por onde passa o esperma. Isso significa que o procedimento produz o mesmo efeito duradouro de uma vasectomia, mas é menos invasivo que cortar o vaso. Ele barra sua liberação, em vez de interferir na sua produção, como acontece com os óvulos das mulheres quando tomam pílula. Se o homem quiser voltar a ter filhos enquanto já está usando o Vasalgel, por exemplo, ele só precisaria receber uma outra injeção, que retirara o produto do organismo e restaura o fluxo de esperma, sem ter de esperar meses ou anos pela reversão.
O novo medicamento é baseado na fórmula de uma solução anticoncepcional masculina mais antiga, a RISUG. Ela vem sendo usada com sucesso por participantes de experimentos clínicos há mais de 15 anos na Índia, mas ainda sem permissão para consumo popular lá e em outros países.
Por enquanto, a Parsemus Foundation não sabe a duração precisa do efeito de seu produto no organismo humano. Mas os testes em três babuínos foram animadores: depois de seis meses em um ambiente propício para reprodução com 15 fêmeas, nenhuma delas engravidou até agora.
A busca por um método anticoncepcional para homens não é de hoje: vários já foram criados, porém demonstraram eficácia instável. Segundo especialistas, o funcionamento do Vasalgel pode transformar o pensamento dos médicos sobre prevenção à gravidez. Isso porque, pela primeira vez, um remédio estaria atuando na fonte de espermatozoides, em vez de focar no processo de fertilização. Desvantagens de meios tradicionais, como o risco de engravidar por se esquecer de tomar uma pílula no mês ou a camisinha estourar, o custo desses produtos e os possíveis efeitos colaterais da pílula seriam eliminados. Elaine Lissner, diretora da Parsemus Foundation, afirma que a novidade poderá reduzir substancialmente o número de gestações não programadas. “Homens não ganharam novas opções [anticoncepcionais] em mais de um século. E não é porque estejam desinteressados: homens já estão usando os únicos dois métodos que eles têm – camisinhas e a vasectomia, a qual é permanente”.
A organização planeja lançar o medicamento comercialmente em 2017 por um preço bastante inferior ao de outros tratamentos contraceptivos compatíveis, tornando-o acessível a todo tipo de público. Para realizar esse feito, a Parsemus depende de doações de interessados em sua pesquisa. Segundo a empresa, cerca de 23 mil pessoas já assinaram uma petição pedindo por novos métodos de prevenção à gravidez – 18 mil delas, especificamente pela venda de Vasalgel.
Preço
A Parsemus afirma que não busca lucro, que o objetivo é produzir um método contraceptivo acessível que custará o suficiente para sustentar a marca.
A Fundação prevê que o valor do contraceptivo será inferior a US$ 400, cerca de R$ 1.300,00 (mil e trezentos reais).
Vale lembrar que o novo método não deve substituir o uso da camisinha, já que não oferece qualquer prevenção contra o HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis. 

Fonte : Época / Blasting News

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